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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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O CORRESPONDENTE

22
Jan18

O zapatismo e o caminho originário

Talis Andrade

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Apesar de ser a maior população indígena das Américas em números absolutos, os povos originários do México pouco tiveram representatividade junto aos governos. Por isso, em uma decisão inédita, o Congresso Nacional Indígena, organização autônoma que representa os 43 povos indígenas distribuídos em 523 comunidades de 25 estados mexicanos, com apoio fundamental do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), resolveu eleger um Conselho Indígena de Governo composto por 156 conselheiros que indicaram sua porta-voz (“la vocera”), María de Jesús Patricio Martínez, para constar nas cédulas eleitorais como candidata independente à Presidência – uma possibilidade aberta apenas nas eleições de 2018. Conseguir isso não é fácil: são necessárias quase 870 mil assinaturas de apoio em um aplicativo online, fato que cria muitos obstáculos considerando-se as características econômicas e a localização geográfica do público-alvo.

 

La vocera Marichuy, como é também conhecida, é mulher nahua da região de Jalisco e defensora da medicina popular tradicional e fitoterápica. Desde outubro de 2017, ela e outros conselheiros viajam em caravana pelo país.

 

Afirmam que a jornada não é para atrair votos nem pela disputa de poder, mas para chamar os povos a se unirem e se organizarem em defesa de suas culturas, tradições, territórios e integridade política, e sobretudo para juntos lutarem pela vida. É a reação a um histórico de violações e da ausência do Estado, apexar do México ser signatário do convênio 169 da OIT, que garante os direitos dos povos indígenas, e dos acordos de San Andrés com os povos mexicanos, nunca cumpridos pelo governo. Marichuy não se cansa de repetir: “Precisamos nos organizar, não tanto para agora, mas principalmente para depois de 2018, quando as coisas estarão mais difíceis”.

 

Aqui, a política que propõem coloca no papel de protagonistas os de “baixo”. Por isso, além de indígenas, as mulheres têm papel central: basta notar que em toda a caravana – e em movimentos insurgentes políticos do México – são elas que ocupam e comandam grande parte dos espaços. 

 

 

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