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12
Ago21

O vexame das Forças Armadas

Talis Andrade

 

por Vanessa Grazziotin /Brasil de Fato

O fato mais grave do vexame que foi nesta terça-feira (10) o tal “comboio” militar de tanques e blindados em frente ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal não foi a postura de Bolsonaro, mas o papel a que se prestaram os Comandantes das Forças Armadas que, mesmo diante de tantos alertas, diante de tantas críticas, mantiveram o evento, aceitando, por ação ou omissão, as decisões inaceitáveis do presidente da República.

A justificativa foi a entrega de um convite ao presidente Jair Bolsonaro, para que ele comparecesse a um treinamento das três forças que ocorrerá a partir do dia 16 no entorno de Brasília, em Formosa, Goiás.

Apesar de inédito, o evento teria passado desapercebido não fosse os contínuos ataques e ameaças do presidente ao Poder Judiciário, ao Poder Legislativo e à própria democracia. Não fosse o fato de que, no mesmo dia a Câmara dos Deputados estava votando a PEC do Voto Impresso, proposta pela qual Bolsonaro tem feito um verdadeiro “cavalo de batalha”. 

Não sem razão, grande parte da sociedade considerou que o desfile foi mais uma tentativa de intimidação, mais uma ameaça à nossa já frágil democracia.

Tendo em vista o clima negativo e de insegurança, as Forças Armadas, e no caso especial a Marinha, de quem, segundo a imprensa, teria sido a iniciativa do tal “desfile de força”, poderiam ter cancelado o evento, seja para jogar terra nas interpretações de que o ato seria uma “provocação”, uma ameaça direta aos membros do Judiciário e do Legislativo ou mesmo para evitar o vexame que tem tomado os noticiários, as redes sociais e os grupos de WhatsApp, que tem ultrapassado as fronteiras nacionais, pois revelou com força, uma força que a nação não tem.

É diante desses elementos que devemos destacar o que de fato está por trás da proposta e da defesa enfática de Bolsonaro a favor do voto impresso para 2022. Ele tem repetido inúmeras vezes: “Ou fazemos eleições limpas no Brasil, ou não teremos eleições”.

Ou seja, o que quer Jair Messias não são eleições limpas, o que ele quer é permanecer no poder, seja de que forma for. Portanto o voto impresso é apenas uma desculpa, um meio para Bolsonaro seguir na sua tentativa de macular as eleições.

O desespero e o desequilíbrio de Bolsonaro crescem conforme cresce a sua desaprovação e rejeição, demonstradas a cada nova pesquisa sobre as intenções de votos da população para 2022.

Bolsonaro vê o poder escorrer de suas mãos. Mais do que isso, diante de tantas denúncias contra si e sua família, o presidente vê a sua própria liberdade e de seus filhos ameaçadas após a conclusão de seu mandato, teme pelo que pode acontecer, pois sabe perfeitamente que muitas provas de seus malfeitos já estão em posse do Poder Judiciário.

O resultado da votação na Câmara nesta terça (10), sobre o voto impresso, que apesar de contar com a maioria dos votos (229 x 218) só não saiu vencedor porque não atingiu 1/3 (308), exigidos para a aprovação de uma Emenda Constitucional é uma clara demonstração de que Bolsonaro ainda tem muita força política no parlamento e que o tal orçamento “paralelo“ está a pleno vapor.

De nossa parte precisamos seguir defendendo a democracia, unir as mais amplas forças em torno da defesa do Estado de Direito, barrando e esvaziando as ameaças que cotidianamente o presidente faz contra nosso país. 

Mas precisamos também seguir lutando e defendendo o Brasil das pautas antipopulares e entreguistas de Bolsonaro, pautas essas que contam, lamentavelmente, com o apoio da maioria dos congressistas, que acabaram de aprovar por exemplo, a privatização dos Correios, que já aprovaram as reformas trabalhista e previdenciária, que tantos direitos retiraram da nossa gente e tanto sofrimento e pobreza vem gerando e espalhando por todo o país. 

O Brasil real que precisamos defender é o Brasil livre das pautas antidemocráticas e antipopulares de Bolsonaro.

 

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