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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

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19
Abr19

O teatro do absurdo

Talis Andrade

Moro ficou numa posição ainda mais suspeita ao aceitar fazer parte da equipe de governo do capitão, principal beneficiário da prisão de Lula e de seu afastamento do processo eleitoral

Lula condenacaomoroAroeira.jpg

 

Por Florestan Fernandes Jr

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A pergunta que me faço hoje é: como retrocedemos tanto em tão pouco tempo? Tenho um palpite. Acredito que todo o processo que levou milhões de pessoas para as ruas não é fruto do acaso. Foi tudo muito bem elaborado e planejado, dentro e fora do país.

Para o governador Flávio Dino, que foi juiz criminalista por 15 anos, não existe na história da Justiça Criminal nenhuma operação tão cronometrada e desencadeada com a precisão de um relógio suíço como a Lava Jato. Para ele, tudo leva a crer que esse processo investigativo e judicial começou com suas metas estipuladas bem antes de a operação ter início em 2014. Essa tese faz todo o sentido. Prisões de empresários foram feitas em sequência, e estes só foram soltos após fazerem delações premiadas, geralmente sem nenhuma prova material. Emissoras de rádio e televisão, concessões públicas distribuídas principalmente pelo regime militar, escandalizaram essas delações, dando a elas uma legitimidade que não tinham. A partir daí foi fácil mobilizar multidões pelo impeachment sem amparo legal de uma presidenta legitimamente eleita. Os bonecos infláveis de Lula vestido de presidiário reforçam o pré-julgamento e a condenação que viria logo depois por parte do juiz Sérgio Moro, sem qualquer prova material, mas amparado apenas em "convicções". Aliás, o próprio ministro Paulo Guedes, das hostes bolsonaristas, foi enfático ao dizer que Lula "não roubou nenhum tostão". Não bastasse isso, Moro ficou numa posição ainda mais suspeita ao aceitar fazer parte da equipe de governo do capitão, principal beneficiário da prisão de Lula e de seu afastamento do processo eleitoral.

O incrível é que os ingênuos tucanos apostaram contra a democracia ao votar e defender o afastamento de Dilma Rousseff e muitos ficaram até felizes com a prisão de Lula. Não imaginavam que os tiros da Lava Jato teriam eles como as próximas vítimas. Fica claro que o script já estava escrito e nele o gran finale excluía o centro e a esquerda, deixando o palco apenas para os personagens de direita e extrema-direita, que saíram do armário empoeirado da ditadura militar. A plateia dividida entre aplausos e vaias continua esperando Godot que no Brasil teima em não chegar. É o teatro do absurdo. [Transcrevi trechos]

Lula-e-Moro- delação.jpg

 

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