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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

13
Jun18

O DIREITO DE MATAR Execução sumária e em massa é um desafio aos generais da intervenção

Talis Andrade

praiavermelha.jpg

 


por Fernando Brito

 

São sete, até agora, os corpos encontrados na Pedra do Anel, área situada entre duas instalações militares: o Forte do Leme e o Forte Duque de Caxias, no complexo da Praia Vermelha. E parecem ser consistentes as informações de que houve uma execução em massa de traficantes que, segundo um dos relatos, já teriam se rendido a policiais militares que os perseguiam pela mata.

 

Se foi assim, como a Polícia Militar e seus integrantes, no Rio de Janeiro, estão sob a jurisdição do Exército Brasileiro, trata-se de um assunto afeito à Força Armada, muito mais em uma área em que uma ação deste tipo não poderia, pelos disparos efetuados, ter ocorrido sem ser percebida pelos quartéis vizinhos.

 

Se os autores da chacina são PMs, na prática, trata-se de tropa subordinada aos generais da intervenção e aos oficiais que escolheram para comandar as forças policiais.

 

Ninguém pode acreditar que haja tolerância do General Wálter Braga Neto ou dos oficiais generais que o auxiliam a uma selvageria deste tipo. E, se não há, é preciso descobrir e punir tropas que se transformam em esquadrões da morte, julgando e executando pessoas, sejam elas quais forem.

 

Porque o nome disso é assassinato e assassinos são criminosos, seja usando bermudas e chinelos ou fardas.

 

Do contrário, se estará permitindo que uma força armada oficial aja como os assassinos do Estado Islâmico e todos sabem que os que se acham no direito de executar homens já dominados, mesmo num confronto de guerra, não vão hesitar em matar por outros motivos e se tornam uma matilha de chacais, não uma unidade militar.

 

É claro que uma outra matilha, a dos vira-latas que seguem as tropas de verdade a procura dos despojos que essa guerra insana lhes dá – e não é só a classe média bolsonarista, não, mas também a mídia que explora, dos estúdios com ar refrigerado, a gritaria o “mata mais” – vai urrar de prazer, pedindo que não sejam sete, mas 70, 700, sete mil ou 70 mil, porque há no Brasil de hoje seguramente mais do que este número de pessoas envolvidas com a criminalidade e, portanto, no juízo deles, merecedora de uma bala na nuca.

 

Como diz o professor de Jornalismo Nílson Lage:

 

Mataram meia dúzia de traficantes. A direita bolsonárica rejubila-se, os de coração sensível lamentam o fim esperado dos moços.e a maioria vira a cara e olha para outro lado.
Esses têm razão é uma não notícia que se repete. Novos rostos sem importância servirão à cidade viciada, como de tantas outras vezes.. Havendo mercado, sempre haverá mercadoria, e quem a venda. Os que ganham com isso não sobem morros nem correm riscos.

 

Na política, maior o drama: erguer a voz contra estes crimes é passar por “defensor de bandido”.

 

Os militares já foram desafiados por estes núcleos de homicidas formados dentro das corporações policiais com o assassinato de Marielle Franco, do qual, até agora, tem-se apenas um informante misterioso, na presença de quem teriam sido discutido detalhes do assassinato da vereadora, no qual morreu também seu motorista Anderson Gomes. E lá se vão três meses…

 

Qualquer comandante militar sabe que “não dar em nada” seus subordinados tomarem o freio nos dentes e o que julgam ser “justiça” em suas mãos armadas é algo que se multiplica sem controle se não é punido.

 

E o que é punido neste campo pelos que se dizem inimigos da “impunidade” e garantidores da “lei e da ordem”?

 

Então, estão lá, uivando, os que querem, em lugar de sete cadáveres, 70, 700, 7 mil…

 

Quem sabe logo os tenham.