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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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08
Jul18

O Brasil foi depenado

Talis Andrade

por Leonardo Attuch/ 247

 

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Nos últimos dias, com parte da população brasileira anestesiada pela Copa do Mundo, a base parlamentar que dá sustentação ao governo federal, conquistado pela aliança PSDB-MDB por meio de um golpe parlamentar, pisou no acelerador. O objetivo é claro: acelerar a entrega de riquezas nacionais antes das eleições presidenciais de 2018. Na Câmara, foi aprovada a venda de seis subsidiárias da Eletrobrás e o projeto que permite à Petrobras ceder a petroleiras internacionais 70% das reservas do pré-sal recebidas pelo regime de cessão onerosa. Em paralelo, o Tribunal de Contas da União retirou os entraves para mais leilões de petróleo, ainda em 2018. Como cereja do bolo, a Boeing engoliu a Embraer, formando uma nova empresa em que a participação nacional será de apenas 20%.

 

Na prática, o Brasil está sendo rapidamente depenado para que, em breve, não reste mais qualquer resquício de soberania nacional. Na energia, o Brasil entrará para a história como o único país do mundo que decidiu entregar passivamente suas maiores descobertas de petróleo. Será também aquele que, sem qualquer discussão com a sociedade, abriu o setor elétrico ao capital privado. Na aviação, a venda da Embraer tira de mãos brasileiras uma empresa de altíssima tecnologia, que recebeu bilhões em investimentos do orçamento nacional. Daqui para a frente, empregos qualificados serão gerados em Seattle, sede da Boeing, e não mais no pólo aeroespacial de São José dos Campos (SP). Além disso, o projeto de compra dos caças pela Aeronáutica, que previa a transferência de tecnologia dos Gripen para a Embraer, também fica prejudicado.

 

A destruição do Brasil em pouco mais de dois anos não tem paralelo. Setores em que o Brasil era referência global, como a engenharia pesada, foram dizimados. Construção naval não existe mais. O desemprego é o maior da história e, por isso mesmo, o golpe é um fracasso de público e de crítica, sendo rejeitado por mais de 97% dos brasileiros. Para os patrocinadores desse processo, no entanto, isso pouco importa. Muitas das promessas da "ponte para o futuro", que fez o Brasil retroceder 200 anos, foram entregues. A reforma trabalhista não gerou empregos, mas ampliou as margens de lucro das empresas. Joias da coroa estão sendo entregues de bandeja. Na Petrobras, a política de reajustes diários fez com que os consumidores tivessem um arrocho de 50%, enquanto as refinarias nacionais são mantidas subutilizadas.

 

Nação brasileira é um conceito que já nem existe mais. A obra maior dos golpistas foi a transformação do Brasil, país antes admirado e respeitado no mundo, num gigantesco território habitado por pessoas. Os muito ricos continuarão muito ricos. A classe média desaparece e o Brasil retorna ao mapa da pobreza. Num futuro não muito distante, o Brasil será um caso de estudo: o país que conseguiu se autodestruir.

 

 

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