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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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17
Mar21

O adeus do "juiz laranjá" a Lula

Talis Andrade

 

liga da justiça.jpg

 

Tudo que a autodenominada Liga da Justiça de Curitiba falou e escreveu sobre o juiz Luiz Antonio Bonat estava certo.

Idem a autodenominada República de Curitiba. 

Idem os procuradores da autodenominada Lava Jato, principalmente quando tramavam a escolha de um "juiz laranja" para suceder Sérgio Moro, que largou o cargo de juiz de piso para ser super ministro da Justiça e da Segurança Pública do governo do capitão Jair Bolsonaro.

Como era esperado, Luiz Antonio Bonat, da 13ª Vara Federal de Curitiba, determinou o envio de 36 processos relacionados ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a Justiça Federal do Distrito Federal. Bonat, porém, por extrema bondade, manteve o bloqueio de bens do ex-presidente. A informação é do jornal O Globo.

Entre os bens que permanecem indisponíveis estão um plano de previdência empresarial, no valor de R$ 7 milhões, R$ 600 mil em contas bancárias, dois veículos sem uso desde o ano de 2014, três imóveis e um sítio em Riacho Grande. Na lista também foi incluído o triplex do Guarujá, que foi alienado judicialmente. Para Bonat, o triplex é de Lula. Nem Dallagnol acredita nesse conto de vigário. Nem Moro. Bonat queria condenar Lula, em mais de 30 processos, mas foi impedido. Como se fosse laranja podre. 

Na semana passada, o ministro do Supremo tribunal Federal (STF) Edson Fachin anulou as condenações impostas a Lula pelo ex-juiz Sergio Moro, incluindo as decisões sobre os recebimentos das denúncias, e disse que a competência sobre a validação dos atos processuais compete á Justiça do Distrito Federal.

Bonat, porém, justificou a decisão de manter o bloqueio dos bens do ex-presidente alegando que as decisões anteriores foram tomadas em outros processos. 

"Tendo por base os estritos limites da decisão do Exmo. Ministro Edson Fachin, manterei os bloqueios durante a declinação, ficando o Juízo declinado responsável pela análise acerca da convalidação das decisões que autorizaram as constrições cautelares", escreveu em juridiquês. Foi um adeus. Para sorte de Lula, que jamais voltará a ouvir o nome desse Bonat que saiu do ostracismo, do anonimato, porque Moro acreditou que seria nomeado para uma cadeira na Suprema Justiça, quando já exercia um juízo universal. 

 

 

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