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O CORRESPONDENTE

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01
Out22

No "Todos contra Lula", padre de mentirinha é escada de moralista de araque

Talis Andrade

 

 
 
 
Reinaldo Azevedo no Twitter e UOL
Recorrer a um falso padre para acusar perseguição religiosa é coisa de embusteiro. Indaguem à hierarquia de qualquer religião que atue no Brasil; serve também aos CEOs de organizações que até parecem igrejas: quem é perseguido? Os únicos que são alvos de preconceito no país são os adeptos de religiões de matriz africana e os declaradamente ateus. E sou o que alguns dos canalhas boquirrotos que berram por aí não são: realmente cristão — no caso, católico.
Igrejas evangélicas tiveram expansão formidável no governo Lula.
Bolsa Família e aumento real do mínimo deram a muitos pobres condição para pagar o dízimo.
Parte da pequena redistribuição de renda que houve virou templo.
Perseguição religiosa?
O exemplo seria o tal fantasiado de padre?
Nem recomendo psiquiatra porque é uma caso de caráter; de vergonha na cara mesmo.
É um juízo fácil criticar Lula por ter perdido a paciência com o cara fantasiado de padre. Até pq era só a expressão mais burlesca do embate dos “seis contra um”.
Tenho a impressão de que há mais “analistas” a censurar Lula do que a apontar os momentos em que o embusteiro trocava papéis com o genocida. E trocava tbem de papel. O bolsonarismo perverte de tal maneira o juízo que leva a que se fustigue a vítima, o que ñ deixa de ser uma espécie de aplauso à trapaça e ao agressor. 

Vamos ver.

Se os leitores estiverem em busca de um comentarista para decretar empate entre todos no debate da Globo, distribuindo responsabilidades pelo baixo nível e pelo bate-boca, podem procurar outro. Convém parar a leitura por aqui.

Posso até condescender — e já digo por que emprego esse verbo — e afirmar que, mais uma vez, Simone Tebet (MDB) se mostrou equilibrada e tal. Convenham: ela sabe que não será presidente em 2023 e não era o alvo da noite, embora, com a truculência habitual, Jair Bolsonaro tenha procurado intrigá-la com o agronegócio do seu Estado. Agiu corretamente também quando percebeu que o presidente tentou usá-la para acusar Lula de ser o responsável pela morte de Celso Daniel. Acusou-o de covarde por não dirigir a pergunta ao petista.
 

Ciro Gomes (PDT), sempre eloquente, partiu para cima do ex-presidente, como era o esperado, responsabilizando-o, uma vez mais, pela tragédia do atual governo, o que considero uma tolice. Mas essa é a opinião que lhe é politicamente útil. O petista saiu-se bem, sem caneladas, lembrando as realizações de sua gestão. Até aí era o esperado. E debate, afinal, não deveria ser palco para "padre de festa junina" se comportar como candidato-laranja do presidente da República. Soraya Thronicke (UB) se perdeu no curso do embate, mas resumiu a formação teológica do tal Kelmon, que se diz sacerdote da Igreja Ortodoxa, embora ninguém das diversas hierarquias o reconheça como tal.

Foi, como resta evidente — e os arquivos estão em todo canto —, Bolsonaro quem decidiu partir para o vale-tudo contra Lula. E aí se assistiu à sequência de pedidos de direito de resposta. Havia tudo nos ataques do golpista, menos ideias ou propostas. Repetiu, por exemplo, a mentira alucinada de que a corrupção teria gerado um prejuízo de R$ 900 bilhões à Petrobras. Num dado momento, Ciro cansou de servir de escada à extrema-direita e chegou até a ter uma conversa civilizada com Lula sobre meio ambiente.

Quem venceu? Não é um jogo em que as cestas ou os gols podem ser objetivamente contados. Lula deu as melhores respostas às questões que antigamente se chamavam "economia", "política" e "economia política". Mas haverá certamente quem considere, digamos, muito esperta a dobradinha entre Bolsonaro e aquele cara de bandana.

Se formos ler as respostas transcritas, excetuando-se os aspectos de mau espetáculo circense, o petista evidenciou por que tem condições de ser chefe do Executivo e por que o atual ocupante da cadeira a desmoraliza desde 2019.

Intuo — não mais do que isso porque não disponho de instrumentos para avaliar — que ninguém ganhou ou perdeu votos em razão do debate. Há um placar que é muito objetivo: "Todos contra Lula".

"Ah, ele não deveria ter perdido a paciência com o tal que se diz padre". É... Idealmente eu também acho. Mas não deve ser fácil manter a calma diante de uma figura patética como aquela. Esse cara, acreditem, já dedicou a Bolsonaro um troço que ele chama "poema". Escreveu: "Onde aja miséria e fome/ não posso fingir, negar". Tentou escrever "haja", como devem ter percebido. "Caramba, Reinaldo! Onde ele fez seminário?" Ora, em lugar nenhum.

Os bolsonaristas certamente estão vibrando com as baixarias a que recorreram o Mito e seu Leporello de batina. Convenham: o presidente não inovou. Se isso ganhasse eleição, estaria eleito no primeiro turno. É evidente que é preciso pensar um modo de impedir que impostores tumultuem um encontro que poderia, efetivamente, ter debatido alguns temas importantes para o país.

E é urgente e necessário fazê-lo, sob o risco de os debates se transformarem em arapucas em que embusteiros têm tudo a ganhar porque nada têm a perder, tampouco a reputação e a vergonha.

Não sou político. Jamais serei. Se fosse, não sei se aceitaria participar de um encontro cada vez mais destinado à produção de memes e obscurantismos.

Uma pergunta: será que a maioria do eleitorado — não os fanáticos que dão plantão em redes sociais — gosta quando todos se juntam contra um? A ver.

Nota: A imprensa se referir a Kelmon como "religioso" é uma ofensa ao jornalismo, à religião e aos fatos.Image

“Padre”Kelmon não gosta do MST.
Tem suas próprias ideias sobre terras.
No Globo: Em 2020, moradores da comunidade quilombola de Bananeiras, na Ilha de Maré, em Salvador, acusaram-no por ocupação irregular na região do manguezal Ponta do Capim, área de preservação permanente destinada a pesca, lazer e confraternização da população quilombola.
À época, moradores alegaram que Kelmon teria erguido ilegalmente uma capela improvisada, protótipo de uma igreja batizada como Paróquia de São Lázaro de Betânia. "Vamos transformar a Ilha da Maré", anunciou, por meio do Instagram.
Ali, ele chegou a receber alguns refugiados venezuelanos.
O caso foi denunciado à Defensoria Pública da Bahia. Alguns residentes da região disseram que foram ameaçados por Kelmon, que teria se apresentado como um "representante da Igreja Católica".
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Padre Kelmon, que padre não é, já fez um “poema” para Bolsonaro. Em uma das estrofes, de rara sabedoria, escreveu “aja” quando queria escrever “haja”. Vai ver se alfabetizou em grego…
 
 
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1 - Padre Kelmon se formou em qual seminário?;
2 - que autoridade da Igreja Ortodoxa o reconhece como padre?;
3 - ele pertence a qual ramo da Igreja Ortodoxa?
4 - a roupa e os badulaques de “padre” Kelmon seguem qual tradição?
5 - Kelmon, diga o endereço de sua igreja
 

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