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15
Mar18

Nem uma a menos - também na política

Talis Andrade

 

 


Como viabilizar qualquer esboço de incentivo à participação feminina quando uma vereadora em seu primeiro mandato é barbaramente assassinada?

 

marielle a morte anunciada.jpg

 

 

por Gabriela Rollemberg e Ivy Farias


 

A morte da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL) não enterra os sonhos apenas de uma mulher negra, de origem periférica, bissexual, jovem, feminista e militante dos direitos humanos: os nove tiros que atingiram a parlamentar no centro do Rio de Janeiro ontem ferem diretamente o ideal de uma política igualitária e um Estado Democrático de Direito que realmente represente a população brasileira como ela de fato é, com 51% de mulheres.


Não foi à toa a data escolhida pelos assassinos de Marielle pois março é o mês internacional da mulher e a agenda dela privilegia uma agenda feminista, como os projetos de lei “Pra fazer valer o aborto legal” e “Assédio Não é Passageiro”. Aliás, ela voltava de uma reunião com mulheres negras quando foi assassinada no bairro Estácio.

 

Marielle foi a quinta mais votada no Rio com um total de 46.502 votos e era a presidente da Comissão da Mulher na Câmara dos Vereadores. Ela era a prova viva da subrepresentação política feminina no Brasil, país que ocupa a 154ª posição no ranking mundial de presença feminina em parlamentos elaborado pela União Interparlamentar, pois estava com apenas mais seis mulheres em um total de 55 assentos.

 

Sua morte é uma tentativa clara de intimidação à participação política das mulheres. Se já é difícil atingir as cotas de 30% de candidaturas, bem como das dificuldades que as candidatas enfrentam no pleito (pesquisa do Data Senado aponta que 41% das entrevistadas revelam a falta de apoio político dentro dos partidos), como será possível viabilizar qualquer esboço de incentivo à participação quando uma vereadora em seu primeiro mandato é barbaramente assassinada? Que mulher vai querer entrar para a política em um cenário tão desolador?

 

E pode piorar: hoje será votada a Ação Direta de Inconstitucionalidade 5617 no Supremo Tribunal Federal, em que a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, defende que a atual aplicação do fundo partidário para candidaturas femininas fere expressamente o direito fundamental de igualdade entre homens e mulheres no País. Leia mais 

 

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