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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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O CORRESPONDENTE

06
Abr19

Nazismo de esquerda: A promoção da ignorância como arma política

Talis Andrade

monero nazismo.jpg

 

 

Nos anos de 1913 e 1914, expressei minha opinião pela primeira vez em vários círculos, alguns dos quais agora são defensores do movimento nacional socialista, de que o problema sobre como o futuro da nação alemã pode ser assegurado é o problema sobre como o marxismo pode ser exterminado.

Adolf Hitler, em sua autobiografia

 

O negacionismo histórico como arma política

bolsonaro nazismo.jpg

 

Está em curso no Brasil um revisionismo histórico com base na negação e na manipulação de fatos. Ele é promovido por seguidores da “nova direita” e pelo próprio governo Bolsonaro. E vai além do “nazismo de esquerda.”

do Deutsche Welle, sugerido por Zé Maria

Há um revisionismo histórico, com fins políticos, em curso no Brasil. Ele é baseado na negação e manipulação de fatos e é promovido por integrantes do governo Jair Bolsonaro e seguidores da “nova direita”.

Dizer que não houve golpe em 1964 e que o nazismo foi um movimento de esquerda, como afirmou o próprio presidente, são apenas alguns exemplos.

 

Manipulação da história

indignados reforma laboral negros de merda.jpg

 

O negacionismo histórico foi se espalhando por páginas conservadoras nas redes sociais. E, aos poucos, foi se incorporando ao discurso bolsonarista.

Em julho de 2018, isso ficou claro quando o então candidato a presidente Bolsonaro chocou os brasileiros ao culpar os africanos pelo tráfico negreiro.

“Se você for ver a história realmente, o português não pisava na África, era [sic] os próprios negros que entregavam os escravos”, disse Bolsonaro numa entrevista à TV Cultura.

A declaração, que vai contra as pesquisas historiográficas produzidas sobre o tema nas últimas décadas, simplesmente ignora a responsabilidade de portugueses no tráfico negreiro ocorrido entre os séculos 16 e 19 e omite que o modelo de escravidão comercial que promoveu a colonização das Américas foi criado pelos europeus.

A transformação da escravidão por europeus num negócio gerou conflitos no território africano e expandiu a prática a números gigantescos.

Estima-se que 12,5 milhões de africanos escravizados foram traficados por europeus a partir de 1501. O Brasil foi o destino do maior número, 5,5 milhões. Destes, mais de 667 mil teriam morrido durante a viagem.

O país foi ainda o último do continente a abolir a escravidão, em 13 de maio de 1888.

 

Série de documentários

negro vivo .jpg

 

Teses deste revisionismo foram condensadas numa série de documentários produzidos por um canal simpático à extrema direita e à linha de pensamento de Olavo de Carvalho no Youtube.

a série glorifica a miscigenação, apresentada de forma simplista como uma virtude do Brasil. O narrador chega a afirmar que o sangue dos brasileiros seria “o tratado de paz da humanidade”. O mesmo vídeo trata a “cultura” como algo trazido para o país pelos portugueses.

“Ao fazer essa visão simplista para valorizar a cultura ocidental, minimizam a importância dos africanos e indígenas, além da exploração e violência. Neste sentido, essa narrativa pode ser perigosa, porque está subestimando a opressão característica da sociedade brasileira que se baseou no racismo e na desigualdade”, argumenta Krause, que é especialista em História colonial.

Santos acrescenta que a miscigenação foi fruto de uma relação de poder violenta e que precisa ser analisada historicamente de forma crítica, e não romantizada.

“A miscigenação é a falácia da democracia racial no Brasil. Ficar apenas na parte lírica disso é negar essa história de violência e opressão. Os primeiros mestiços são frutos de estupros de mulheres indígenas e depois de africanas escravizadas”, ressalta a historiadora. Leia mais 

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