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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

06
Jul19

Ministros do Supremo, Fux we Trust e Edson Aha Urru Fachin, estão expostos como serviçais incondicionais de Curitiba

Talis Andrade

A soberba

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Dizem os que tratam de religião que a soberba é o pior dos pecados capitais e que ela é um sentimento tão forte que “só morreria meia hora depois de seu dono”.

Pois Sérgio Fernando Moro é um case para estudos sobre a soberba.

Os fatos e revelações se acumular, as evidências da veracidade das suas intervenções espúrias saltam aos olhos e ele prefere, agora transformado em bolsominion puro, em confiar que nada o atingirá, nada tirará dele a imagem de justiceiro vingador que a mídia e o ódio lhe construíram, e que contra ele nada se ousará, porque temerão destruir a obra política que sua ação construiu.

Hoje, em sua primeira aparição depois da nova onda de revelações, foi a uma reunião de empresários e investidores financeiros saborear os aplausos de uma turma da qual foi instrumento político.

Soltou-se em gracejos e repetiu a cantilena de que não dava credibilidade às mensagens porque ela viriam de um hacker e podem ter sido adulteradas ou serem simplesmente falsas, embora tudo o que se noticiou encaixe com os fatos e, em alguns casos, tenham a confirmação de que aconteceram, como a sessão de conselhos do animador de auditórios Fausto Silva.

Deveria servir-se de seus amigos evangélicos e aprender com o que dizia Isaías (14, 11): “Já foi derrubada na sepultura a tua soberba com o som das tuas violas; os vermes debaixo de ti se estenderão, e os bichos te cobrirão.”

Pois neste momento, no Judiciário, mesmo os maiores adeptos do superpoder que a ação de Sérgio Moro a todos eles concedeu e que lhes permite aterrorizar a tudo e a todos, começa a grassar a ideia de como se livrarem, com menos danos possíveis, do que a figura de Sérgio Moro agora traz aos juízes: o nojo.

Ministros do Supremo, Fux we Trust e Edson Aha Urru Fachin, estão expostos como serviçais incondicionais de Curitiba.

Eles e outros, em outras cortes, tremem em pensar no que ainda vai surgir. Mesmo que não tenham postado uma única frase em aplicativos, sabem que o que deles se disser, nos termos jocosos que habitam os diálogos de Curitiba, é capaz de enlameá-los pesadamente.

Igual no Ministério Público, tornaram-se menos, muito menos, os que querem que sua imagem se cole à de Deltan Dallagnol,

Toda a camada pretensiosa que aplaudiu e associou-se à República de Curitiba vai se afastando. Alguns ainda farão concessões verbais, mas que logo cessarão.

É que o castigo da soberba – está lá no mesmo Isaías – ao que sonha em subir acima das nuvens é, profetizado com um “contudo levado serás ao inferno, ao mais profundo do abismo. Os que te virem te contemplarão, considerar-te-ão, e dirão: É este o homem que fazia estremecer a terra e que fazia tremer os reinos?”

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