Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

24
Fev20

Milicianos tiveram papel chave no golpe da Bolívia

Talis Andrade

camuflagem bandeira.jpg

 

Uma coisinha sobre Poulantzas e a fascistização do Brasil

por Francisco Prandi

Nicos Poulantzas  talvez seja o marxista que mais tenha me influenciado até hoje.

Seu livro “Fascismo e Ditadura” (esgotado; reprodução, abaixo na íntegra) deveria estar sendo lido por todo militante não digo nem socialista, mas democrático mesmo.

É preciso pontuar que a visão historicista de que o fascismo foi um fenômeno particular e irrepetível não tem o menor lugar no  esquema teórico de Poulantzas, como assinala várias vezes ao longo do livro.

O fascismo, para ele, está ligado a crises de hegemonia no bloco no poder que dirige o Estado capitalista, uma crise política específica, e a mudanças no capitalismo.

No ano passado quando li esse livro pela primeira vez, uma das ideias que mais me chamaram a atenção é a de que, além da crise dos partidos burgueses e uma derrota do movimento operário e popular, o processo de fascistização também comporta uma dissociação entre o poder formal e o poder real.

Isso não começou do dia pra noite. Todos devem se lembrar de como o Judiciário tem atuado de 2015 para cá.

Eu tinha a convicção de que o Judiciário seria o maior vetor de fascistização no Brasil. Aparentemente, isso vem mudando.

As milícias, que pareciam limitadas ao Rio de Janeiro, estão se espalhando pelo Brasil e podem provocar consequências terríveis para o processo democrático.

O Ceará, nos últimos dias, parece ser um caso bastante elucidativo de como a politização da polícia pode ser o embrião de um novo poder, assim como as milícias o são no Rio de Janeiro.

A ação de Cid Gomes, embora tenha sido irresponsável, é compreensível o desespero, o voluntarismo dele para impedir que esse vetor de fascistização nos leve ao que Poulantzas chama de “ponto de irreversibildiade”.

Aqueles que relativizaram o golpe na Bolívia, em 2019, afirmando que se tratavam de “manifestações democráticas”, talvez nunca enxergarão que ali se tratou de um laboratório para a América Latina.

O papel de milicianos e policiais foi muito mais determinante do que a intervenção do Exército.

Governadores, prefeitos, vereadores, senadores e deputados ligados ao MAS tiveram familiares sequestrados, casas queimadas e saqueadas, foram humilhados publicamente. Tudo isso com policiais encapuzados ou não, mas participando ativamente do ritual nefasto.

O fascismo não é invencível.

Mas não serão iniciativas voluntaristas, desorganizadas e caudilhistas que permitirão enterrar esse movimento político no Brasil.

É necessário fazer a luta ideológica, não renunciando ao debate público e à demarcação com o governo. É preciso reconectar-se com as massas e seus temas cotidianos.

A nenhum militante deve ser permitido a descrença em seu próprio povo!

VENCEREMOS!

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub