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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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10
Fev20

Miliciano Adriano da Nóbrega é morto em operação na Bahia

Talis Andrade

Ex-PM era ligado a Flávio Bolsonaro e apontado como chefe do Escritório do Crime, grupo investigado no caso Marielle Franco. Foragido há mais de um ano, ele morreu em troca de tiros com a políciaSoldado das Forças Armadas durante patrulha na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro

"O Brasil possui 26 estados, e as perigosas milícias estão presentes em 18 deles"

 

Deutsche Welle

O ex-policial militar Adriano Magalhães da Nóbrega, apontado como chefe do Escritório do Crime, foi morto neste domingo (09/02) durante uma troca de tiros com a polícia na cidade de Esplanada, no interior da Bahia, segundo informaram autoridades do estado.

Adriano estava foragido desde janeiro do ano passado, quando foi emitido um mandado de prisão contra ele no âmbito da Operação Intocáveis, na qual era réu. Ele foi acusado de comandar um esquema de agiotagem, grilagem de terras e construções ilegais em Rio das Pedras, no Rio de Janeiro, envolvendo pagamento de propina a agentes públicos.

A Secretaria de Segurança Pública da Bahia informou que Adriano passou a ser monitorado por equipes do órgão após relatos de que ele estaria escondido no estado.

Há duas semanas, policiais já haviam tentado prendê-lo em uma mansão na Costa do Sauípe, no litoral baiano, mas fracassaram. Em buscas no local, agentes encontraram apenas documentos falsos. Ele teria fugido antes da chegada das autoridades.

Localizado agora em um imóvel na zona rural de Esplanada, o ex-capitão teria resistido à tentativa de prisão e efetuado disparos contra policiais. Segundo a secretaria, ele acabou ferido na troca de tiros, foi levado a um hospital, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

Adriano da Nóbrega é suspeito de cometer diversos homicídios e de comandar o chamado Escritório do Crime, um grupo de extermínio formado por membros da "banda podre" da polícia que comete assassinatos por encomenda, muitas vezes a mando da milícia.

Ligação com Flávio Bolsonaro

O ex-capitão também é citado na investigação que apura um esquema de "rachadinha" (divisão de salários de funcionários) no gabinete do então deputado estadual e hoje senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Adriano trabalhou no 18º Batalhão da PM com Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio na Alerj, que é investigado por lavagem de dinheiro no esquema de "rachadinha". Segundo o Ministério Público, contas bancárias controladas por Adriano foram usadas para abastecer Queiroz.

A mãe e a esposa de Adriano também trabalharam no gabinete de Flávio, supostamente contratadas por Queiroz, que é amigo de décadas de Jair Bolsonaro. Parte do salário das duas ficava com o ex-PM, segundo aponta o Ministério Público.

Os caminhos de Flávio Bolsonaro e do miliciano já se cruzaram de maneira mais pública no passado. Em 2003, quando iniciou seu primeiro mandato na Alerj, Flávio propôs uma homenagem a Adriano da Nóbrega. Na moção de louvor, Flávio disse que "o policial militar desenvolvia sua função com dedicação e brilhantismo, desempenhando com absoluta presteza e excepcional comportamento as suas atividades".

Em 2005, Adriano recebeu a medalha Tiradentes da Alerj a pedido de Flávio. Em abril de 2018, Marielle Franco recebeu postumamente a mesma honraria – e o filho do presidente foi o único deputado da Alerj que votou contra a concessão. [Transcrevi trechos]

Cem milhões de dólares por ano

Segundo a explicação que foi dada pela Polícia Federal (PF), as milícias são formadas por oficiais que trabalham em instituições de segurança pública, ou seja, são agentes da Polícia Civil, da Polícia Militar e até do Corpo de Bombeiros, que cometem crimes com total impunidade. "Encapuzados, trabalham para o Estado e para o crime", disse um dos chefes da PF.

As milícias se dedicam à extorsão, cobram impostos, controlam a venda de gás, transporte de passageiros, televisão a cabo, aluguel de propriedades, organizam rifas ilegais, controlam o tráfico de drogas, o tráfico de armas, o roubo de carga comercial, o roubo de combustível e até se envolvem em mineração ilegal. De acordo com dados da PF, somente no Rio de Janeiro elas faturam cerca de 100 milhões de dólares por ano. Leia mais

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