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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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16
Abr19

Milícia Escritório do Crime atua como imobiliária ilegal na Muzema, no Rio

Talis Andrade

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Milícia Escritório do Crime derrubou floresta para construir edifícios 

 

por Flávio Costa

___

"Escuta, fala com o velho aí que o quarto andar tá fechado, daquele jeito que ele falou, que ele aprovou. Sessenta parcelas de quatro mil [reais], valor final 150 mil. (sic)".

A fala acima foi retirada de um diálogo entre integrantes da milícia conhecida como Escritório do Crime e refere-se à venda de um apartamento construído de maneira ilegal na comunidade da Muzema, na zona oeste do Rio, onde dois prédios desabaram . O Corpo de Bombeiros confirmou a morte de quinze pessoas. Nove pessoas continuam desaparecidas. 

 

As informações constam na denúncia da Operação Os Intocáveis, deflagrada em janeiro pelo MP (Ministério Público). Para os promotores, líderes da milícia atuam como "sócios investidores", aplicando dinheiro obtido em atividades ilícitas nos empreendimentos imobiliários irregulares das comunidades de Muzema, Rio das Pedras e seus arredores.

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Capitão Adriano Magalhães de Nóbrega 

 

O Escritório do Crime é comandado pelo ex-capitão do Bope (Batalhão de Operações Especiais) Adriano Magalhães de Nóbrega, que está foragido há quase dois meses. Capitão Adriano, como é conhecido, é amigo do policial militar reformado Fabrício de Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), quando este foi deputado estadual.

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Fabrício Queiroz

 

 

Queiroz admitiu ter indicado a mãe e a mulher de Capitão Adriano para trabalhar no gabinete do filho mais velho do presidente da República, Jair Bolsonaro.

 

Dinheiro de extorsão financia construções ilegais

 

Os dois prédios que caíram eram construções irregulares e estavam em uma área "dominada por milícia", de acordo com a Prefeitura do Rio. Por isso, a administração municipal disse que só conseguiu chegar ao local em novembro de 2018 com apoio da Polícia Militar. As obras foram interditadas na ocasião.

 

A denúncia do MP detalha a atuação da milícia nas comunidades de Muzema, Rio das Pedras e seus arredores. A organização criminosa atua de forma setorizada age "em grilagem, ramo imobiliário com venda e locação ilegal de imóveis". Seus integrantes também cometem os crimes de "receptação de carga roubada, posse e porte ilegal de arma de fogo".

 

A milícia arrecada dinheiro com a extorsão de moradores e comerciantes da região, cobrando taxas referentes a "serviços" prestados, como segurança. O grupo age também no ramo da agiotagem e detém o monopólio da venda do gás de cozinha, entre outras atividades.

 

A renda proveniente dessas atividades ilegais financia os empreendimentos imobiliários irregulares.

 

Em chamada interceptada do dia 5 de novembro de 2018 entre dois investigados, um suspeito diz para o outro não deixar uma moradora entrar caso ela não pagasse o aluguel no dia. Segundo o MP, "a utilização da força e a demonstração de poder está claro nos diálogos"

"Se não pagar o aluguel hoje, amanhã é pra travar, não deixar ela entrar", diz o suspeito ao seu interlocutor.

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Major Ronald Paulo

 

Antes de ser preso na Operação Os Intocáveis, em janeiro, o major Ronald Paulo, da Polícia Militar, mantinha armazenadas diversas plantas de apartamentos, loteamentos de terrenos, imagens de empreendimentos em construção, contratos de locação e compra e venda de imóveis não declarados em seu Imposto de Renda, de acordo com o MP. [Transcrevi trechos]

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