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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

12
Jun21

Marco de Pernambuco

Talis Andrade

Marco Maciel deixa mulher e três filhos

Marco de Trabalho

Cristão piedoso, católico, Marco Maciel recusou ser vice de Tancredo Neves, porque sabia que ele estava mortalmente doente. 

Marco foi vice nos dois governos de Fernando Henrique.

Interinamente, entre 1995 e 2002, presidiu o Brasil durante um ano e 30 dias, e governou Pernambuco de 1979 a 1982.

Marco, Paulo Guerra e Agamenon Magalhães foram os três principais governadores de Pernambuco do Século Vinte.

Complicações pós-Covid-19

Marco faleceu neste sábado (12), aos 80 anos.

Foi diagnosticado com Alzheimer em 2014, e estava internado em um hospital de Brasília.  Segundo familiares, o político morreu em decorrência de complicações pós-Covid-19, doença diagnosticada em março.

Na ocasião, a esposa do político, Ana Maria Maciel, informou que estava sendo tratado em casa, com orientação médica, e se recuperou da infecção. Em maio, Maciel recebeu a segunda dose da vacina contra a Covid-19.

Marco político

Marco teve uma extensa e dignificante carreira política. Também foi deputado estadual e federal, secretário do Trabalho de Paulo Guerra, presidente da Câmara, senador, ministro da Educação e da Casa Civil. 

Ex-governador de Pernambuco, Gustavo Krause lamentou: "Hoje é um dia profundamente triste, um dia de perda, de dor, de sofrimento que já vem acometendo todos nós que somos amigos de sólidos laços de Marco Maciel. Sinteticamente vou dizer dele o que já disse em vida: Marco Maciel foi o ser humano menos imperfeito com quem convivi mais de 50 anos e deixou para cada um de nós um pedacinho da grandeza dele. Ensinou a todos nós. Ele não fazia amigos, ele conquistava corações".

"Agradeço a Deus, eu e minha família inteira, o privilégio de ter conhecido, convivido e aprendido com ele muitas coisas. Como disse o nosso amigo comum, Anchieta Hélcias, hoje de madrugada, Marco Maciel agora está na morada do grande amigo, Deus. Ele não pode ter outro destino se não o céu e ao lado direito de Deus Pai. Entre outras coisas,  era um homem de uma sólida fé", disse Krause.

"Não vou falar sobre a vida pública dele porque é mais do que exemplar, é um paradigma, é a referência e de conhecimento de todo o Brasil. E mais do que nunca, ele está fazendo falta", finalizou.

Marco Maciel assumiu a presidência da República 87 vezes. Reconhece Fernando Henrique: “Era o vice dos sonhos. Viajava e não tinha a menor preocupação, porque Marco era correto. E mais do que correto, minucioso, quase carinhoso. Por exemplo, muitas vezes me trazia algo para ler e marcava em amarelo para poupar o meu tempo. Ele era leal ”, afirmou o ex-presidente em depoimento ao documentário Marco Maciel – A Política do Diálogo, realizado pela TV Câmara em 2016.

O que mais chama a atenção da frase acima é que Marco Maciel e Fernando Henrique Cardoso passaram grande parte da vida em partidos de lados opostos. Maciel foi um tradicional quadro de siglas da direita – como Arena, PDS e o PFL – e Fernando Henrique, era considerado de esquerda até se tornar presidente da República, quando assumiu um perfil de centro-direita. As posições religiosas também eram diversas: Marco Maciel era muito católico e FHC agnóstico.

“Ponderado, tinha horror à crença ideológica cega e também à arrogância da razão. Homem de princípios, não desdenhava das orientações alheias. Construtivo na vida pública, derrubava barreiras, não construía muros que impedissem o diálogo”, afirmou Fernando Henrique, se referindo a Marco Maciel”, num texto intitulado Fé e Razão, uma das apresentações da biografia Marco Maciel – Um Artífice do Entendimento, de autoria do jornalista Angelo Castelo Branco.MARCO MACIEL: UM ARTÍFICE DO ENTENDIMENTO - CEPE Editora

A aproximação entre os dois ocorreu quando ambos eram senadores, e os apartamentos deles ficavam próximos em Brasília, o que faziam eles se encontrarem, “de vez em quando”, como lembra Fernando Henrique. Quando começou essa convivência, “Marco Maciel já se inclinava abertamente a ajudar o fim do ciclo político que se iniciara em 1964”, como disse FHC na biografia citada acima.

“Marco Maciel, Luís Eduardo Magalhães e Jorge Borhausen foram os primeiros a colocar a eventualidade de eu ser candidato a presidente da República”, lembrou Fernando Henrique no mesmo documentário. Os três foram dissidentes do antigo PDS, e passaram a fazer parte do Partido da Frente Liberal (PFL) que apoiou a candidatura de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral. Fernando Henrique também afirmou que, entre os políticos do PFL, o que tinha mais influência sobre ele era Marco Maciel, “que era discreto”. 

Ainda no livro de Angelo Castelo Branco, Fernando Henrique Cardoso revelou que, como presidente, foi “várias vezes ao encontro anual de deputados católicos, que Marco Maciel patrocinava em sua casa. Unia-nos o respeito às crenças e a vontade de que todos participassem da vida nacional”. E complementa: “a colaboração de Marco Maciel para o andamento das questões legislativas durante meu governo foi fundamental. Suas marcas na Lei de Arbitragem são indeléveis. Seus esforços para que se reconhecesse a função dos que faziam lobbies, sem que o fizessem ocultamente, são conhecidas”. Outra característica que Fernando Henrique cita de Maciel é a tolerância.

Ainda lembrando da sua gestão, Fernando Henrique revelou que Marco Maciel não descuidava “especialmente das coisas de seu amado Pernambuco”, sendo “inúmeras as vezes em que reivindicou uma estrada importante ou, sobretudo, a continuação do Porto de Suape”.

Mundanças no Sertão

Governador de Pernambuco, Marco idealizou e executou o Programa Asa Branca com a perenização de rios, construção de estradas e eletrificação, estimulando a agricultura, a pecuária e promovendo a melhoria das condições da vida no Agreste e Sertão.

Construiu mais de 50 barragens regularizadoras e sucessivas para perenizar 400 quilômetros de rios, nas bacias do Pajeú, Navio, Terra Nova, Brígida, São Pedro e Una.

Propiciou a introdução de mais de oito mil hectares às margens dos principais rios sertanejos.

Realizou estudos e projetos para a perenização de outros 850 quilômetros de rios.

Iniciou a execução do Canal Sobradinho/Pontal, para perenizar com água do São Francisco os rios Pontal e Garças.

Uma Nova Agricultura

Promoveu a introdução pioneira de uma nova cultura - a seringueira - para diversificação da agricultura na Zona da Mata, possibilitando a inclusão de Pernambuco no mapa da introdução da borracha.

Introduziu o sorgo granífero e forrageiro, uma nova cultura resistente `a seca, no Sertão e Agreste.

Criou a Semempe, a primeira empresa do Nordeste para a produção de sementes e mudas, passando Pernambuco a ser o maior produtor de sementes e mudas da região.

Reintroduziu a cafeicultura. A área de café plantada superou a soma das áreas plantadas nas duas últimas décadas. Em Brejão, foi instalada a primeira Estação de Pesquisa para o café em Pernambuco.

Pernambuco produziu, pela primeira vez nos trópicos, em escala comercial, sementes de cebola.

Introduziu o plantio de tomate industrial, passando Pernambuco a ser o segundo maior produtor do Brasil.

Após quatro séculos, promoveu a importação de novas variedades de mudas de coqueiro, para aumento da produtividade e diversificação da agricultura da Zona da Mata. Foram importadas 180 mil sementes de coco da Costa do Marfim.

Iniciou o programa de melhoramento genético do coqueiro, visando a produção anual de 450 mil sementes, tornando Pernambuco auto-suficiente, podendo, ainda, abastecer os Estados vizinhos.  

Promoveu o primeiro zoneamento florestal do Estado, permitindo o financiamento de projetos de florestamento e reflorestamento.

Modernizou e ampliou a Unidade de Beneficiamento de Sementes do semi-árido , na Ilha de Assunção no Vale do São Francisco, duplicando a sua capacidade de processamento de sementes melhoradas.

Introduziu na Vale do São Francisco o cultivo do alho.

Promoveu a pesquisa de novas variedades de alho precoce, tomate industrial e feijão irrigado, possibilitando a ampliação de safra do semi-árido.

Introduziu em campos experimentais novas alternativas agrícolas como: milheto, jojoba, guayule, maniçoba, ouricuri e pinhão. 

Foram distribuídas aos agricultores do semi-árido 1,2 milhões de toneladas de sementes de feijão e milho.

Pernambuco pela primeira vez produziu um milhão de mudas de frutíferas.

Construiu sete novos Postos de Resfriamento e Recepção de Leite nos municípios de Bonito, Cachoeirinha, Itaíba, Canhotinho, Correntes, Agrestina e Gravatá, além de modernizar e recuperar  a rede de postos existentes. A capacidade de recepção de leite foi ampliada para 100 mil litros por dia.

Foi lançada em Pernambuco, através da Cilpe, o leite B pasteurizado, iniciativa pioneira no Nordeste. (Continua)

 

 

 

 

 

 

 

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