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Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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26
Fev19

Maior do que a 'guerra' da Venezuela é a tragédia de Brumadinho. Um mês de luto sem corpo. Familiares “morrem um pouco a cada dia”

Talis Andrade

Bombeiros ainda buscam por 131 pessoas desaparecidas após rompimento da barragem da Vale. Sobreviventes e parentes de vítimas tentam cicatrizar as dores e o trauma após  tragédia com 179 corpos 

Paloma.jpg

á um mês a auxiliar de cozinha Paloma da Cunha, de 22 anos, não consegue parar de rebobinar em sua cabeça as lembranças do tsunami de lama produzido após o rompimento da barragem I da mina de Córrego do Feijão, em Brumadinho. A enxurrada de rejeitos da mineradora Vale engoliu sua casa, levando embora o marido, o filho de 1 ano e 6 meses, a irmã de 13 anos e o futuro como ela tinha imaginado. Paloma foi a única da residência que sobreviveu.

"Primeiro veio aquele barulho forte, parecia um helicóptero caindo. Depois, a luz acabou e, quando me levantei da cama para ver o que era, só sentia as coisas me esmagando", conta a auxiliar de cozinha que morava em frente à pousada Nova Estância também devastada pelo tsunami de rejeitos. Levada pela correnteza, Paloma foi arremessada pela onda para o lado esquerdo e se agarrou ao que encontrou pelo caminho para sair da enxurrada.

Andreza.jpg

A sede de justiça e o amor de mãe é o que também faz o coração de Andreza Rodrigues continuar batendo um mês após a tragédia. Moradora de Mário Campos, cidade vizinha a Brumadinho, ela busca incansavelmente notícias sobre o filho Bruno Rocha Rodrigues, engenheiro, que trabalhava na Vale. Ele tinha sido efetivado em 2018 na mineradora após trabalhar dois anos como estagiário. "O que sentimos é um descaso em relação às buscas dos mais de 100 desaparecidos. A intensidade diminuiu ao longos dos dias, temos menos helicópteros circulando, menos informações do que está sendo feito. Já estamos completando um mês de luto sem corpo. A gente está morrendo um pouquinho cada dia", diz Andreza. Segundo o Corpo de Bombeiros, as buscas ainda não têm prazo para finalizar e podem durar meses. Eles explicam que os trabalhos entraram em uma nova fase, mais complexa e lenta, de escavações e uso de maquinário, e menos sobrevoos de varredura. [Leia mais. Tudo sobre a tragédia que o governo federal, o governo de Minas Gerais e a imprensa escondem. Reportagem de Heloísa Mendonça para El País, Espanha]

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