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O CORRESPONDENTE

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02
Out20

Lula inocente, reconhece Ascânio Seleme, o Globo

Talis Andrade

Lula inspira charges | Acervo

Se petista for candidato, muita coisa mudará no tabuleiro sucessório

 

Caberá ao Supremo decidir. Mas o que até outro dia parecia ser apenas um sonho dos petistas de raiz, hoje soa como possibilidade real. Se o Supremo entender que o ex-juiz Sergio Moro foi parcial no julgamento do ex-presidente no caso de tríplex do Guarujá, Lula terá sua condenação suspensa, seus direitos políticos restabelecidos e poderá disputar a eleição presidencial de 2022. Uma eventual vitória no tapetão jurídico, contudo, não elimina o fato de os governos de Lula e Dilma terem sido hospedeiros de incontáveis e astronômicos esquemas de corrupção.

De qualquer forma, a suspensão da condenação servirá para a narrativa de reconstrução da imagem do PT. Dará aos militantes e simpatizantes uma bandeira. Um novo julgamento terá de ser feito sobre a mesma acusação, o que certamente demandará tempo, já que parte do ponto zero. Isso não significa que o ex-presidente não tem culpa, o que terá de ser comprovado pelos seus advogados no tribunal. Mas uma palavra que já está sendo empregada pelos seus apoiadores será a que vai embalar uma eventual campanha de Lula. Inocente!

Se Lula for candidato, muita coisa mudará no tabuleiro sucessório. Em primeiro lugar tem que se levar em conta que ele partirá de um patamar de intenções de voto bem mais alto do que Fernando Haddad tem hoje. O problema, é que o seu teto não deve estar muito distante do seu piso. A candidatura do ex-presidente pode também sepultar qualquer entendimento amplo para evitar a reeleição de Jair Bolsonaro. Os que se aglutinarão ao seu redor serão os de sempre. Embora o candidato seja forte de arrancada, a chapa de chegada que sair daí não será.

Outra questão a ser considerada é que país Lula vai encontrar em 2022. Do jeito que o governo tem se movimentando, pode ser que no ano da eleição não exista mais teto de gastos e Bolsonaro esteja livre para esbanjar. Nesta hipótese bastante razoável, Paulo Guedes terá sido substituído pelo gastador Rogério Marinho. E então a autorização oficial para torrar dinheiro público servirá para inocular no eleitor o mesmo remédio usado nas gestões petistas, que se chamava Bolsa Família e hoje atende pelo nome de Renda Brasil.

A influência da política de bolsas em período eleitoral, já se viu antes, é devastadora. A campanha do candidato petista, portanto, terá de ser sobre questões políticas. Neste caso, difícil dizer como o eleitor receberá este discurso. Pode entender tratar-se apenas de retórica. Apesar do discurso da inocência, é difícil dissociar a imagem de Lula da corrupção da era petista. Este, aliás, será o elemento mais nocivo à campanha do PT, com Lula ou com Haddad.

Se apresentar como alternativa ao extremismo de direita tampouco parece ter muito eco em largas camadas da população, como mostra a pesquisa do PoderData. Embora seja ainda muito cedo, o fato de 38% dos eleitores dizerem votar em Bolsonaro significa muita coisa. Uma delas é que o brasileiro parece não se incomodar muito com o fantasma do fascismo que sobrevoa o governo Bolsonaro.

O cenário atual da economia não é bom e tudo indica que ainda vai se deteriorar mais (veja nota ao lado). Mesmo assim, o fato é que com os cofres abertos Bolsonaro vai fazer campanha no modelo bolsista. E Lula, isolado na esquerda, terá de fazer um esforço que hoje não está disposto a fazer para tentar atrair o centro. Dificilmente vai conseguir. A construção desta ponte deveria já estar em andamento, mas com o ex-presidente o PT navega praticamente sozinho. Mesmo posando de inocente e perseguido, a candidatura do maior líder petista pode acabar dando um segundo mandato a Bolsonaro.

 

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