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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

07
Abr19

Lula 365 dias de prisão e os 100 dias do desgoverno Bolsonaro

Talis Andrade

Hoje a imprensa registra 

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Risco de rompimento de barragens cria novo "bicho-papão" que os pequenos têm de aprender a superar

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AFP - O presidente Jair Bolsonaro prometeu romper com a "velha política" e destravar a economia ao iniciar seu governo, que nos primeiros meses tem sido marcado por disputas de poder e erros que corroem sua popularidade e põem suas reformas em dúvida.

Capitão do Exército na reserva, apelidado de "Trump dos trópicos" por sua admiração ao presidente dos Estados Unidos, Bolsonaro cumpriu algumas das promessas de campanha nestes primeiros cem dias de governo, que serão completados na quarta-feira, como a autorização da posse de armas e o lançamento de privatizações.

Mas as intrigas, as divisões e as trapalhadas jogaram um balde d'água fria na euforia dos mercados e de setores que votaram no candidato de extrema direita, pondo um fim a décadas de governos de centro e centro-esquerda.

"Não seria subestimá-lo dizer que o desempenho do presidente até agora foi decepcionante", afirma Thomaz Favaro, da consultoria de riscos políticos Control Risks.

Mas o agora presidente, que durante os quase trinta anos como deputado ficou mais conhecido pelos insultos e declarações racistas, misóginas e homofóbicas, bem como pela defesa da ditadura militar (1964-1985) do que pelo trabalho como legislador, está descobrindo que seu estilo inflexível e a preferência pelo uso das redes sociais, como o Twitter, não funcionam com o Congresso, onde carece de maioria própria.

Seu plano para a reforma do insustentável regime previdenciário está travado após uma disputa com aliados políticos chave.

"Nas últimas semanas, realmente vimos o lado de Bolsonaro que as pessoas mais temiam", disse William Jackson, economista da Capital Economics, com sede em Londres.

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Na corda bamba 

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Bolsonaro conquistou algumas vitórias desde que assumiu a Presidência, em 1º de janeiro.

Entre elas, a flexibilização da legislação sobre a posse de armas de fogo e a entrega da concessão de doze aeroportos em licitações bem sucedidas, consideradas uma prova da confiança dos investidores estrangeiros.

Mas terá mais dificuldades em impulsionar políticas mais polêmicas na pulverizada Câmara dos deputados, onde seu partido, o PSL (Partido Social Liberal) tem apenas 54 dos 513 assentos.

Isto significa que ele será obrigado a fazer alianças ad hoc com legisladores de vários partidos que compõem as bancadas "BBB" (bíblia, bala e boi) - os evangélicos, os lobbies das armas e do agronegócio.

A confusão afeta o próprio Executivo, refém da disputa entre grupos militares, ideólogos conservadores e os filhos do presidente. Todos competindo para ter maior influência política.

O presidente "está constantemente na corda bamba", afirmou Favaro, para quem "a estratégia de Bolsonaro depende de sua capacidade política para criar uma coalizão viável no Congresso e isso é complicado porque agora vemos que o índice de aprovação do presidente diminuiu".

Os índices de popularidade do 'Mito', que em janeiro eram de 67%, caíram para 51% em março, os piores já registrados por um presidente nos primeiros três meses de seu primeiro mandato.

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Erros e horrores 

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Uma série de erros e horrores socavou ainda mais a credibilidade de Bolsonaro e expôs a inexperiência de seu governo.

A iniciativa recente do presidente de comemorar o golpe militar de 1964 provocou indignação e protestos. E sua afirmação, durante visita ao museu do Holocausto, em Israel, este mês, de que os nazistas eram "esquerdistas" foi ridiculizada.

A promessa de transferir a embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, até o momento adiada, também pode provocar represálias comerciais dos Estados árabes, alguns dos quais são importantes importadores de carne brasileira.

E uma série de escândalos, inclusive sobre denúncias de transações financeiras consideradas atípicas envolvendo um de seus filhos, o senador Flávio Bolsonaro, arranharam sua imagem de "paladino anticorrupção".

"Fez muitas coisas bobas", avaliou Fleischer. "Não tem assessores suficientes ao seu lado que lhe digam: 'Bom, é melhor que você não faça isso'". [Transcrevi trechos]

365 dias de injustiça. E a questão é o quanto ainda durará

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por Guilherme Boulos

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No dia 7 de abril de 2018 cheguei cedo ao Sindicato dos Metalúrgicos. Fui direto a uma sala no subsolo, onde encontrei Lula sozinho, tomando seu café, que seria o último em liberdade naquele ano. Os dias anteriores tinham sido intensos em São Bernardo do Campo. Milhares de apoiadores cercaram o sindicato, idas e vindas de advogados e militantes, perante o dilema do que fazer com uma ordem de prisão injusta e evidentemente política contra a maior liderança popular do País.


Apesar de toda a confusão, Lula estava sereno e decidido naquele café. Não via outra opção a não ser cumprir a determinação e entregar-se. 

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365 dias de injustiça. E a questão é o quanto ainda durará

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Passados 365 dias, as injustiças só se avolumaram. Viu seu habeas corpus ser negado pelo Supremo Tribunal Federal, sua candidatura à Presidência ser indeferida pelo TSE, foi impedido de dar entrevistas para a imprensa – mesmo com inúmeros precedentes em contrário – e até mesmo de ir velar seu irmão Vavá, morto no fim de janeiro. É vítima de uma vingança mesquinha e sádica, que opera na lógica da “justiça do inimigo”. As peripécias de ministros do Supremo, a começar pela então presidente Cármen Lúcia, para não votar o tema das prisões em segunda instância, assim como o voto casado na dosimetria pelos desembargadores do TRF4, entrarão para os anais dos casuísmos mais escandalosos do Judiciário brasileiro.

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Não bastasse a injustiça da prisão, Lula teve que passar por muitas provações no último ano

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Não bastassem as injustiças, vieram as provações. Lula foi submetido a perdas que derrubariam qualquer um: após Marisa, sua companheira de vida, e o irmão Vavá, veio o pequeno Arthur. Perder um filho ou neto talvez seja uma das dores mais antinaturais e inconsoláveis, uma dor que ele, Marlene e Sandro compartilham com milhares de mães, pais e avôs que perdem seus jovens na carnificina das periferias urbanas, neste caso por “morte matada”.

Neste ano que passou, ficou ainda mais claro para o Brasil e o mundo que se trata de uma prisão política. A nomeação de Sérgio Moro para o Ministério da Justiça de Bolsonaro, colhendo os frutos como político de suas definições como juiz, dissiparam dúvidas sinceras que ainda podiam existir. Até mesmo juristas, políticos e colunistas que não podem ser acusados de simpáticos ao PT ou à esquerda passaram a manifestar seu incômodo. Incômodo que só aumenta quando se veem políticos com crimes comprovados andando livres por aí: de um lado, condenação sem provas, de outro, provas sem condenação. Defender sua liberdade é um dever da opinião pública democrática. Não tenho dúvidas de que o período de prisão de Lula passará para a história como uma prisão política e injusta.

A questão é o quanto ainda durará. Está nas mãos do Superior Tribunal de Justiça reformar as sentenças de Curitiba e Porto Alegre no julgamento do mérito, que deverá ocorrer nas próximas semanas. Resta saber se terá coragem. Está nas mãos do Supremo Tribunal Federal fazer valer a Constituição e tirar das prisões aqueles que não tenham condenação transitada em julgado, ressalvados os casos expressos em lei. Exatamente por este julgamento afetar Lula, tem sido adiado a perder de vista. Resta saber se o Supremo, que em outras matérias tem sido um importante contrapeso, em relação a esse caso permanecerá ou não acovardado. [Transcrevi trechos]

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