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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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08
Abr20

Jogo macabro

Talis Andrade

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por Antônio Cláudio Mariz de Oliveira

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Ao mentir para a sociedade esses agentes púbicos atuam para a vitória da tese presidencial, primeiro a economia depois a saúde.

É verdadeiramente sinistra a aposta do Bolsonaro. Joga as suas fichas na contenção da pandemia, sem o isolamento da população.  Em face do pouco caso, do verdadeiro escárnio que dispensa ao risco de contaminação, está transformando essa grande tragédia mundial em uma ópera bufa, em uma pantomina, pois desempenha um papel de flagrante comicidade.  

É verdadeiramente macabro o jogo que nos impõe. Na hipótese impossível do vírus não se expandir ele terá vencido. No entanto, se crescer de intensidade e sobrevierem mortes, terá sido derrotado, e cada ficha perdida será a vida de um brasileiro.

Criou, como pano de fundo, para justificar o injustificável posicionamento por si adotado, um falso dilema entre dois interesses que ele coloca como antagônicos: a saúde e a economia.

Estranha a postura de alguns agentes governamentais que anunciam providências, mas protelam a sua execução. Diria, aliás, não se tratar de adiamento, protelação, mas de verdadeira embromação, na medida em que alegam a necessidade de alterações legais, inclusive constitucionais, para a sua implantação. Não é verdade.

O Supremo Tribunal Federal, por meio de oportunas decisões, de forma rápida e eficiente, removeu obstáculos para a concretização das providências. Da mesma forma, o Congresso Nacional foi ágil na aprovação de projetos com o mesmo escopo de facilitar as ações nos campos da saúde e da economia, indispensáveis para atender às necessidades para minimizar os efeitos da crise epidêmica.

Ao mentir para a sociedade esses agentes púbicos atuam para a vitória da tese presidencial, primeiro a economia depois a saúde

Aliás, a posição do chefe  da Nação, que contraria a orientação rigorosamente unânime de todas as autoridades, cientistas e médicos do universo, sem exceção, assim como a palavra de ordem dos governantes de todo o mundo, guarda absoluta coerência, com a sua posição sobre a vida e sobre a morte: disse, alto e bom som, que todos vamos morrer um dia. Verdade, só que a nós humanos cumpre preservar a vida e não precipitar a morte. Disse, ainda, que algumas mortes provocadas pela “gripezinha” não poderiam parar a economia. Disse isso, como se a economia não dependesse de uma sociedade saudável para produzir, comercializar e consumir. Sem saúde não há economia.  

Pois bem, a pergunta que se faz. O que fazer. Aguardar, ir às ruas, clamar pelo bom senso ou rezar.

Bem, rezar sim, sempre. Quem não crê, que passe a ter fé, alguma fé, em alguma coisa. Esperar que o bom senso dele se apodere, acho uma vã e inútil esperança. Ir às ruas, não, pois o imprescindível é ficarmos isolados. Mas, continuar com os panelaços, sim.

Como a solução parece não depender de nós, a nós apenas cumpre apoiar as mentes lúcidas do país, que à frente dos outros Poderes do Estado deverão continuar a assumir as rédeas da governabilidade, dentro de suas competências ou, até além, para nos salvar da ruptura social, do caos institucional e das imprevisíveis e funestas consequências para o nosso povo.

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