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01
Out19

Janot revela armação da Lava Jato contra Lula

Talis Andrade

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O livro de memórias do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, intitulado Nada Menos que Tudo, gerou uma nova hecatombe no já conturbado cenário político nacional. Para além da assombrosa revelação de desejos homicidas do jurista, a obra também escancara mais um episódio nefasto envolvendo a Operação Lava Jato e seus agentes na obsessiva e criminosa perseguição a Lula e ao Partido dos Trabalhadores.

No capítulo 15, intitulado “O objeto de desejo chamado Lula”, Janot conta em detalhes como os procuradores da força-tarefa o pressionavam para que denunciasse imediatamente o ex-presidente por organização criminosa, “nem que para isso tivesse que deixar em segundo plano outras denúncias em estágio mais avançado”.

“Precisamos que você inverta a ordem das denúncias e coloque a do PT primeiro”, disse Dallagnol, em reunião com Janot em 2016.

O próprio ex-chefe da PGR explica as reais intenções dos agentes da Lava Jaro, em mais uma revelação que extrapola qualquer parâmetro legal de atuação do Judiciário. “Pela lei, a acusação por lavagem depende de um crime antecedente, no caso, organização criminosa. Ou seja, eu teria que acusar o ex-presidente e outros políticos do PT com foro no Supremo Tribunal Federal em Brasília para dar lastro à denúncia apresentada por eles ao juiz Sergio Moro em Curitiba. Isso era o que daria a base jurídica para o crime de lavagem imputado a Lula”, detalha.

A preocupação de Dallagnol era de que, sem a denúncia de Janot, “perderia o crime por lavagem”. Em suma, o chefe da força-tarefa queria que a Procuradoria-Geral da República legitimasse uma acusação que ele próprio não tinha embasamento suficiente para levar adiante dentro do Ministério Público Federal. Para quem não se lembra, foi nessa época que Deltan constrangeu toda o Judiciário nacional ao apresentar um PowerPoint tosco, sem fundamentação técnica, tampouco provas, numa tentativa amadora de tentar associar a Lula crimes que jamais cometeu.

Até mesmo Janot coloca em dúvida os métodos de Dallagnol e outros procuradores. “Vieram ele e outros procuradores da força-tarefa, entre eles Januário Paludo, Roberson Pozzobon, Antônio Carlos Welter e Júlio Carlos Motta Noronha. Quando entraram na minha sala, eu disse para mim mesmo: Lá vem problema . Toda vez que vinham em grupo, e não um ou dois, era indicativo de algo grave. Daquela vez não foi diferente. Dallagnol e os demais colegas tinham vindo cobrar uma inversão da minha pauta de trabalho”, conta.

Por inversão de trabalho leia-se colocar tudo que for relacionado a Lula e ao PT à frente de qualquer outra investigação. No livro, Janot tenta explicar porque acabou por levar adiante a denúncia, mas não sem antes colocar em dúvida o próprio trabalho e a atuação dos colegas do MPF.

“Faça a coisa certa, e tudo que vier depois será certo, mesmo que o resultado não seja do seu agrado. Faça sempre a coisa certa, e tudo estará certo”, eu diria agora. A objetividade do “sarrafo”, ou seja, das regras do jogo, é um poderoso antídoto contra a acusação de seletividade nas investigações”, encerra Janot, no fim do capítulo, deixando evidente a farsa com a qual levaram o ex-presidente Lula ao cárcere político.

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