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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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O CORRESPONDENTE

12
Set21

Independência ou independência

Talis Andrade

Independência do Brasil – Wikipédia, a enciclopédia livre

 

O Sete de Setembro de 2021 não vai parir um salvador, um imperador, um déspota

 

por Gustavo Krause

- - -

Sete setembro é uma data que pertence ao patrimônio histórico do Brasil.

Este ano, o Presidente usou como apelo mobilizador na intenção de parir um déspota. Os berros, ameaçando rupturas serão sempre respondidos pela voz firme das instituições democráticas. A nação brasileira somente admite o caminho da independência e da liberdade do seu povo.

O Sete de Setembro sempre foi um dia especial na minha vida.

Pirralha, era o dia da “Parada Militar”, comemorativo do Dia da Independência, a que assistia nos ombros do meu pai. Em seguida, dia inaugural da “abertura” das praias, destino: as águas mornas da encantadora Boa Viagem.

Na escola, a semana era dedicada ao estudo do fato histórico. Sempre tive por D. Pedro I uma relação de amor e ódio, admiração e repúdio. Ele era a síntese de contradições: despótico e liberal, impulsividade e ternura que revelava nas cartas aos filhos; sedutor incontrolável viveu a paixão escandalosa com a Marquesa de Santos submetendo à humilhação uma grande mulher, Dona Maria Leopoldina (autora da carta mexeu com os brios do marido e foi o gatilho da Independência).

A formação refinada (compôs com Evaristo da Veiga o Hino da Independência) convivia com rudeza da ignorância. Foi mesquinho com José Bonifácio, o Patriarca da Independência, porém teve a grandeza de confiar a educação do seu filho, o futuro Imperador Pedro II.

Percebi, a partir da leitura de Octavio Tarquínio de Sousa, consagrada biografia em três volumes e algumas obras recentes, que, entre as ciências sociais, a mais complexa é a ciência da História: exige profunda pesquisa das fontes; neutralidade dos autores; depende de sofisticada engenharia inter e multidisciplinar.

Neste sentido, senti-me atraído pela obra do pintor Pedro Américo “Independência ou Morte” que contemplava frequentemente para entender o simbolismo da criação artística (contratada em 1886 por Joaquim Ramalho, presidente da comissão do Monumento do Ipiranga”, concluída em Florença, 1888).

O artista, após exaustiva pesquisa, entre traços idealistas e realistas, eternizou um momento prosaico em expressão épica; enviou ao imaginário brasileiro a mensagem do nascimento de uma nação livre como obra de um líder salvador que rompia os laços da submissão política.

Para mim, o mais impressionante é que, no canto esquerdo do quadro, há um carreiro, um caipira, um camponês que a tudo assistia espantado, “bestializado”, enfim, excluído.

O Sete de Setembro de 2021 não vai parir um salvador, um imperador, um déspota. O carreiro pode fazer parte dos invisíveis, mas integra a terceira maior democracia de massas do mundo. Bem ou mal, está representado. Sem o oxigênio da democracia vamos perecer sufocados pelos ares venenosos da tirania.

Gritos, berros, ameaças de ruptura serão respondidos pela voz firme das instituições democráticas: a nação brasileira somente admite o caminho da independência e da liberdade do seu povo.

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