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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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15
Set18

Haddad enfrenta o jornal inimigo

Talis Andrade

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 Meme Diogo Ramalho

 

Mauro Lopes: Haddad briu a entrevista no Jornal Nacional lavando a alma do país e enfrentando o império em sua sede: "Boa noite, presidente Lula". Mais ainda, afirmou que quem deveria esta sentado na bancada de entrevistas não era ele, mas Lula. Coragem, fidelidade, firmeza.

A partir da saudação a Lula, dominou a cena e inverteu a lógica que presidiu as demais entrevistas conduzidas por William Bonner e Renata Vasconcelos: foi ele quem conduziu a entrevista, e não os executivos da Globo. Defendeu seu partido, defendeu seu programa e foi incisivo na crítica à Rede Globo, deixando claro ao país que a moleza acabou para a família Marinho.

 

Fabianna Freire Pepeu: Trabalhei na Globo Nordeste. Gostava muito de fazer entrevistas. Mas, na qualidade de entrevistadora, era assim: eu perguntava e o entrevistado respondia. Quando eu julgava que o entrevistado tinha, digamos, driblado minha pergunta, eu insistia. Mas eu nunca disse ao meu entrevistado ou entrevistada que a sua resposta não servia aos meus propósitos, desclassificando sua fala. Eu não tinha propósitos. Também não fazia uma pergunta e, imediatamente, começava a falar por cima da fala da outra pessoa. Minha ideia era fazer uma entrevista. Entrevistar é deixar o outro se expressar, contar uma história ou mesmo uma mentira. Nem precisava ter trabalhado numa televisão pra saber disso, não é, minha gente? Apertar um entrevistado, ser crítico e ousado é algo bem diferente do que se viu hoje no Jornal Nacional com o presidenciável Fernando Haddad. Desconfio que William Bonner e Renata Vasconcellos não são jornalistas. Nunca foram. Em especial, nesse episódio, eles encarnaram uma versão arrumada e engomada de uma coisa muito feia chamada torturadores psicológicos. A gente usa essa expressão ‘tortura psicológica’ em algumas situações ou quando pessoas amigas, de maneira informal, nos aperreiam, mas isso é coisa séria, muito séria. Isso é extremamente violento. E é crime.

Vamos fechar o seguinte: não é Bozo o inimigo do Brasil, mas sim esse abjeto monstro chamado Globo. Enquanto isso não for mexido, nunca avançaremos. Mente; distorce; não permite que se fale, roubando a fala do outro; tripudia da verdade; nos lembra que chafurdamos numa estrada enlameada que parece não ter fim.

 

Ricardo Miranda: Não sei qual é o Brasil que William Bonner quer ver, mas certamente não é um em que Fernando Haddad possa responder às suas perguntas.

Teve jeito de interrogatório. Pior. Dos 27 minutos de entrevista – assisti diversas vezes para cronometrar -, 16 minutos foram com perguntas e interrupções de William e Renata Vasconcellos, sua parceira de palco. 16 minutos! Ou seja, Haddad teve 11 minutos. Em outras palavras, as perguntas e interrupções tomaram 60% do tempo. William Bonner fez 53 interrupções. Renata outras 19. Em diversos momentos falaram ao mesmo tempo que o candidato, impedindo seu raciocínio.

Mas não eram só perguntas. Bonner e sua coadjuvante de bancada no JN fizeram ilações, deram opiniões, citaram números contestáveis, ocuparam o tempo que podiam. Sempre com ar de deboche e colocando-se como porta-voz da verdade, Bonner indignou-se quando, quase perdendo a paciência, Haddad tentou diferenciar denunciado de réu, citando as Organizações Globo e, por exemplo, seus problemas com a Receita Federal.

 

 

 

 

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