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14
Jul20

Gilmar colou um rótulo nos generais de Bolsonaro

Talis Andrade

por Fernando Brito

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De tudo pode-se chamar Gilmar Mendes, mas não de bobo.

Juridicamente, claro, nada tem a temer, até porque suas afirmações foram vagas e não se pode apontar crime no que disse.

Politicamente, claro, suas relações com comandantes militares, por algum tempo, não serão travadas em público, até mesmo para proteger os fardados que se preocupam, com toda a razão, com os estragos que estão sendo feitos na imagem das Forças Armadas.

Mas colou, como um estigma, na testa da camada de generais que se associou, desde antes das eleições, ao megalômano projeto de fazer de Jair Bolsonaro o cavalo de Tróia de uma reocupação do poder pelos militares, algo impossível no cenário geopolítico do mundo, hoje.

José Casado, em O Globo, descreve bem o delírio desastroso:

Um dia, talvez, seja resgatada a memória das conversas e a extensão do respaldo do comando do Exército ao candidato. Sabe-se que nem tudo obedeceu ao protocolo, mas há reconhecimento da eterna gratidão do beneficiário em discurso: 'Obrigado, comandante (Eduardo) Villas Bôas. O que nós já conversamos morrerá entre nós. O senhor é um dos responsáveis por (eu) estar aqui.'
O generalato sabe o que fez nas quatro estações eleitorais de 2018 ao abstrair o passado do ex-capitão, preso e processado por anarquia pelo Exército 33 anos antes, por um plano de bombas na Vila Militar, no Rio.
O projeto era reescrever o passado, a história do regime militar de 1964, numa nova hegemonia fardada, com aumento do orçamento total (de 1,5% para 2% do PIB). Permitiu-se a Bolsonaro enquadrar o governo numa moldura militarista e transformar as Forças Armadas em peças do seu jogo predileto, a confusão institucional. É eloquente a imagem do comício no portão do Forte Apache, com o presidente incitando aliados que pediam o fechamento do Congresso e do Supremo.

A suposta pressão dos militares da ativa para que o general Eduardo Pazuello continue como Ministro da Saúde, com todo o respeito, equivale àquela história de tirar o sofá – no caso, a farda – da sala para “moralizar” o namoro adolescente.

O Exército poderia estar recebendo o reconhecimento positivo por suas ações no combate à pandemia – que existem, embora não tenham feito questão de se mostrar ostensivamente, ao contrário do que acontece nas operações de segurança pública.

Não o quis, mas se expôs, ostensivamente, com uma tropa de militares dentro do Ministério da Saúde e na produção da “bolsoquina” do Jair.

Quem ofendeu o Exército brasileiro não foi Gilmar Mendes, como se vê, mas os generais que o negociaram como força política com Bolsonaro.

Não reclamem se acabaram por colocados no mesmo saco.

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