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09
Mai20

França teme segunda onda de contaminações por coronavírus, a poucos dias do fim da quarentena

Talis Andrade

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por RFI

Os franceses estão na contagem regressiva para o fim gradual da quarentena. Muitos já se precipitam e começam a descumprir as medidas impostas em março pelo governo para tentar barrar a propagação do novo coronavírus. A poucos dias do esperado 11 de maio, as ruas de Paris já não estão tão vazias quanto nas primeiras semanas de isolamento. Médicos e cientistas estão preocupados com esse cenário e advertem para o perigo de uma segunda onda de coronavírus.

Foram quase dois longos meses de quarentena cumpridos pelo temor da doença e também das multas elevadas impostas pelo governo para quem deixasse suas casas sem um motivo justificado. Mas às vésperas do feriado do 8 de maio – data que lembra a vitória dos países aliados contra a Alemanha nazista, colocando um fim à Segunda Guerra Mundial, em 1945 –, muitos parisienses resolveram sair às ruas, motivados também pelo sol e a previsão de 23°C nesta quinta-feira (7).

comportamento dos franceses, aliado ao relaxamento do confinamento dentro de alguns dias, leva muitos a acreditarem que uma segunda onda de contaminações por coronavírus pode estar por vir.

O alerta foi feito pelo próprio primeiro-ministro francês, Édouard Philippe, ao apresentar o plano para o fim da quarentena, em 28 de abril. “O risco de uma segunda onda, que viria a atingir um setor hospitalar já fragilizado, que determinaria um novo ‘reconfinamento’, que arruinaria os esforços e os sacrifícios consentidos (…) é um sério risco”, declarou o premiê.

Esse temor não está baseado apenas em rumores ou no discurso do governo. Dois estudos publicados na quarta-feira (6) mostram que uma nova etapa da pandemia pode chegar nos próximos meses.

Uma onda de contágio “mais intensa que a primeira”

Pesquisadores do Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica da França (Inserm) e da Universidade Sorbonne mostram que uma segunda onda “mais intensa que a primeira” pode ocorrer caso contatos com a população mais frágil não sejam reduzidos em 75%. Os cientistas também consideram fundamental manter as medidas de distanciamento social, a metade dos franceses isolados e a atividade comercial limitada a menos de 50% do que em circunstâncias normais.

O estudo foi baseado em dados fornecidos pelos hospitais franceses nos primeiros meses da pandemia. Segundo o Inserm e a Sorbonne, para evitar uma segunda onda da propagação da Covid-19 no país, é preciso criar um dispositivo de testes em massa, com o rastreamento e o isolamento dos contaminados e das pessoas com quem os doentes tiveram contato. Deste forma, diz a pesquisa, as autoridades teriam controle de ao menos 50% dos infectados.

Segunda onda da Covid-19 é inevitável

Outra pesquisa divulgada na quarta-feira, realizada pelo escritório de análises Public Health Expertise e pelos hospitais públicos de Paris, mostra que será impossível evitar uma segunda onda de contágio se a população voltar a ser exposta ao vírus. Os autores do estudo levam em consideração um cenário evocado pelo presidente francês, Emmanuel Macron, em seu pronunciamento de 13 de abril, com a volta às aulas e ao trabalho a partir de 11 de maio.

Em uma modelagem que leva em consideração a circulação do vírus entre uma população fictícia de 500 mil pessoas – mesmo com a utilização de máscaras e com o distanciamento físico reduzido em 75% –, o número de casos graves seria tamanho que as UTIs voltariam a lotar no fim de julho. “Neste cenário, uma nova quarentena seria inevitável”, afirma o coautor da pesquisa, o psiquiatra Nicolas Hoertel, ao jornal Le Monde.

Para evitar esse quadro, os especialistas sugerem medidas adicionais com o objetivo de proteger a população mais vulnerável, ou seja, aquela que tem mais propensão a necessitar de hospitalização nas UTIs e corre risco de morte. Fazem parte deste grupo pessoas com mais de 65 anos e que sofram de doenças como diabetes, hipertensão, patologias pulmonares e obesidade.

A sugestão dos especialistas é que essa população seja encorajada a limitar ao máximo seus contatos com outras pessoas e saídas até o final deste ano. Neste cenário, a mortalidade atingiria 33.500 pessoas até dezembro, contra 87.100 em um quadro de volta à normalidade, mesmo com o distanciamento físico e o uso de máscaras.

O que dizem os médicos

Os especialistas têm opiniões divergentes sobre a evolução da epidemia. Grande defensor da hidroxicloroquina, o midiático e controverso professor Didier Raoult afirmou, em um vídeo publicado na semana passada, que uma nova fase do coronavírus, especialmente no segundo semestre do ano, quando começa o outono no Hemisfério Norte, é “uma fantasia”. Segundo ele, o desaparecimento da doença – como aconteceu com a SRAS (Síndrome Respiratória Aguda Severa) – é uma hipótese razoável.

A opinião de Raoult irritou o ministro francês da Saúde, Olivier Verán. Ele lembrou que as previsões do médico falharam no passado. Raoult administra por conta própria um coquetel de antibiótico e cloroquina aos contaminados pelo coronavírus em Marselha, no sul da França, e chegou a descartar a possibilidade de uma primeira onda da doença no país.

Outros especialistas demonstram um otimismo moderado, como Pierre Tattevin, chefe do serviço de Infectologia do Hospital Universitário de Rennes, no noroeste da França. Em entrevista ao jornal Ouest France, o médico lembrou que, “até o momento, nenhum país registrou uma segunda onda de coronavírus”. No entanto, lembra que tudo dependerá da continuidade das medidas de prevenção da doença e da capacidade do governo de reagir para identificar os novos contaminados e evitar o risco de uma nova etapa da Covid-19.

Mesmo tom do lado do infectologista Bernard Castan, secretário-geral da Sociedade de Patologia Infecciosa de Língua Francesa (Spilf). Entrevistado pelo canal de TV France 24, ele se diz “otimista se as regras forem respeitadas”. “Minha preocupação está vinculada à capacidade dos cidadãos de respeitarem as medidas, particularmente quando elas não puderem ser controladas, como durante encontros familiares”, afirma.

Já o Instituto Pasteur calcula que menos de 6% dos franceses serão contaminados pelo coronavírus até 11 de maio e que a quarentena evitou que a doença se propagasse em massa entre a população, poupando a vida de ao menos 60 mil pessoas.

Por isso, a virologista Anne Goffard, em entrevista à rádio France Inter, afirma que uma nova onda da doença é “muito provável” entre o final de agosto, “o mais tardar no outono, em outubro ou novembro”.

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