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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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03
Dez19

Em Paraisópolis foi genocídio. Bolsonaro, Moro e Doria são responsáveis

Talis Andrade

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por Raimundo Bonfim

A ação criminosa da Polícia Militar no baile funk na madrugada de domingo na favela Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, que resultou no assassinato de 9 jovens e em 7 feridos, é resultado da política de estímulo à violência policial. Lembremos que o ministro Sérgio Moro, com o projeto de excludente de ilicitude, quer dar às polícias licença para matar. Se o projeto já tivesse aprovado, os policiais envolvidos na ação em Paraisópolis poderiam alegar que se encontravam com medo, foram pegos de supresa ou que estavam sob violenta emoção, e assim se livrarem de qualquer punição. 

Assim como Moro, o presidente Bolsonaro quer armar a população, como se isso fosse a solução para combater a violência. Só faltam argumentarem que se as 5 mil pessoas presentes no baile funk tivessem armadas teriam evitado a tragédia. 

O governador do estado de São Paulo, João Doria, já disse que é para atirar e matar, e que primeiro atira, depois pergunta quem é. Ou seja, a matança desses jovens indefesos é mais um ato de uma deliberada política de extermínio da população pobre, jovem, negra e periférica, infelizmente com respaldo de uma boa parcela da classe média branca e das classes dominantes. 

As cenas da ação dos agentes de Estado gravadas e divulgadas pelos moradores provam os requintes de crueldade contra pessoas sem oferecer nenhum perigo ou resistência. Apenas exercitavam o direito à cultura e ao lazer. Foram vitimas de uma emboscada. Policiais dispararam gás lacrimogêneo, balas de borracha, além de garrafas de vidros, coronhadas, tapas, socos e pontapés. Há muitas denúncias de tortura. O que ocorreu não foi confronto. Foi genocídio mesmo. 

O governador do estado de São Paulo João Doria deve ser responsabilizado pela morte de Paulo Oliveira dos Santos (16 anos), Bruno Gabriel dos Santos (22 anos), Eduardo Silva (21 anos), Denys Henrique Quirino da Silva (16 anos), Mateus dos Santos Costa (23 anos), Gustavo Cruz Xavier (14 anos), Gabriel Rogério de Moraes ( 20 anos), Dennys Guilherme dos Santos Franco (16 anos) e Laura Victória de Oliveira (18 anos). 

Já passou da hora de enfrentarmos essa política de extermínio contra o povo pobre e a juventude. Ações de repressão e assassinatos de jovens em favelas e periferias têm sido constantes no estado de São Paulo. Estamos diante do desmonte do Estado voltado para o bem-estar social. Em contrapartida, cresce as ações de repressão e matança em massa, como está promovendo o governo Bolsonaro e seus aliados. 

O caminho passa, principalmente para a juventude, por políticas de cultura, lazer, educação, emprego e inclusão social. Não se pode ignorar que o funk é expressão da arte de milhares de jovens nas favelas e periferias - local onde o Estado só chega para matar, como fez na favela Paraisópolis. 

Estima-se que mais de 2 milhões de pessoas sobrevivam em favelas na região metropolitana de São Paulo. Se o Estado não dota esses territórios de serviço públicos, como edução, saúde, saneamento, cultura e lazer, que ao menos deixe essa população se divertir em paz. Sem violência. Basta de genocídio! É preciso reagir e denunciar. Não à barbárie!

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