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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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03
Dez19

Doria e o pancadão de Paraisópolis

Talis Andrade

doria paraisopolis chacina favela pancadao.jpeg

 

 

por Helena Chagas

Com pretensões presidenciais, o governador de São Paulo, João Doria, vem tentando se distinguir de Jair Bolsonaro e sua turma como uma opção conservadora mais palatável e civilizada. Uma direita limpinha e cheirosa, mais liberal nos costumes, politicamente correta em temas como o repúdio à ditadura e a defesa de valores democráticos. Mas Doria vive agora um teste decisivo com a ação troglodita da PM de São Paulo que resultou na morte de nove jovens num baile funk em Paraisópolis.

Todos os indícios — e não há como negar vídeos, esconder ferimentos e calar depoimentos — mostram que a operação Pancadão foi mais uma lamentável demonstração do retrocesso civilizatório que atingiu o país depois das eleições de 2018. A violência policial, os abusos das autoridades que têm a força e o desrespeito em relação a direitos humanos estão, aos poucos, sendo naturalizados. Discute-se o excludente de ilicitude — na verdade, uma licença policial para matar — como se fosse banalidade.

Não é. Mas a brutalidade, estimulada pelo poder público, passou a ser aceita por alguns, na ilusão de que ela só atinge os “bandidos” nas periferias, e que eles merecem. Nao é assim. Um dia, o seu filho pode estar no baile. E, se não houver um freio a essa onda por parte de quem foi eleito para governar para todos, um dia ela vai engoli-los também.

Doria cobrou investigações rigorosas e responsabilização dos culpados — o discurso praxe dos governantes nesses momentos. É muito pouco. A morte brutal dos jovens de Paraisópolis em razão da violência policial exige demissões, corte de cabeças e intervenção profunda na PM de São Paulo.

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