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14
Mar19

Desespero em Suzano: “Mãe, socorro, está tendo um tiroteio aqui!”

Talis Andrade

Ex-alunos invadiram escola na Grande São Paulo. Ação cruel deixa ao menos oito mortos. Massacre, três meses depois de matança em Campinas, alimenta debate sobre flexibilização do porte de armas no Brasil

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Mulher acende vela em tributo a vítimas do ataque em Suzano. AMANDA PEROBELLI REUTERS
 

Momentos antes do ataque, Guilherme, o mais novo da dupla, postou uma série de fotos no Facebook. Aparece com a mesma roupa escura com que morreria, usando uma máscara de caveira, uma referência pop entre os grupos racistas norte-americanos, e apontando uma arma para a câmara.

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Na última foto, pousou com a camisa com o rosto de Bolsonaro (apagado pela censura política)

 

Antes de que a página fosse retirada do ar, a revista Época registrou que Guilherme curtia páginas como "Eu amo armas". No ano passado, havia declarado apoio ao então candidato Jair Bolsonaro. Chegou também a postar mensagens referindo-se à ideia de suicídio.

Ainda que o Brasil seja um dos países mais violentos do mundo, que registrou 64.000 homicídios em 2017 (dois terços deles realizados com armas de fogo), massacres em escolas não chegam a ser comuns como nos EUA, onde o tipo de ataque é uma verdadeira epidemia que faz o país uma anomalia no mundo desenvolvido pelo número de mortes com armas de fogo—só de janeiro a maio de 2018, o país de Donald Trump havia registrado nada menos que 23 ações do tipo em escolas.

Ainda assim, os crimes cometidos pelos jovens em Suzano, que acontece apenas três meses depois de um homem perpetrar uma matança na Catedral de Campinas, guardam uma série de semelhanças com os cometidos por Eric Harris e Dylan Klebold na Columbine High School, no Colorado, Estados Unidos, em 1999, que deixou 13 mortos e 24 feridos. Nos dois casos, tratava-se de ex-alunos que usaram diferentes tipos de armas — entre eles explosivos — e usavam roupas escuras, bonés, luvas e cinto tático. Segundo as primeiras informações da polícia, citadas pela GloboNews, há registros de que os dois buscavam na Internet informações sobre os massacres nos EUA. Leia mais in El País . Por Joana Oliveira

bolsonaro-machadinha suzano.jpg

 

 

Autores do massacre a escola brasileira tinham pacto de morte

rezando na escola .jpg

 

Os atiradores, Luiz Castro, 25 anos, e Guilherme Monteiro, 17, também morreram. A polícia científica está a investigar se os homicidas se suicidaram ou se foram abatidos por três agentes da força tática da polícia paulista quando tentavam entrar no centro de línguas da escola, onde dezenas de alunos se encontravam.

Luiz trabalhava como auxiliar de jardinagem com o pai em Guaianases, uma cidade a 14 quilómetros de Suzano. Segundo um tio, nunca tinha dado problemas e ocupava os tempos livres a jogar e a ver futebol, torcendo pelo clube local Corinthians e pelo clube espanhol Barcelona. Disse ainda o familiar que na véspera do massacre, Luiz dissera ao pai que não iria trabalhar por se estar a sentir mal.

Guilherme vivia com o avô - a avó morreu há quatro meses - e as duas irmãs porque os pais são toxicodependentes. Até ao ano letivo passado - que terminou em dezembro - estudava na escola que atacou. Segundo os professores, era tranquilo. O avô também disse que o neto nunca lhe deu problemas, nem com drogas ou de outro tipo. Colegas que escaparam do ataque, por sua vez, disseram que no último fim de semana ele já os tinha ameaçado - "fiquem alerta", avisou. Acrescentaram que Guilherme se costumava fotografar com armas nas redes sociais e que não tinham ideia de que ele sofresse bullying. Por João Almeida Loureiro, in Diário de Notícias

 

 

 

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