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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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O CORRESPONDENTE

08
Nov19

Deputado que quebrou placa de Marielle ameaça STF: “Se precisar de um cabo, estou a disposição”

Talis Andrade

Eduardo-Bolsonaro-ameaca- fechar -STF.jpg

 

O cabo Daniel Silveira como deputado federal vem somando atos que lembram sua atuação militar nas favelas. 

Quantos favelados, matou?

Informa a jornalista Thais Bilenky: "Os registros das mortes cometidas por policiais não são públicos". 

O cabo, "deputado marombado", se gaba: “Não dá para contar quantas vezes acionei o gatilho”, disse, rindo.

“Mas não tive desvios de conduta, nunca matei ninguém. Não por erro”, continuou, rindo outra vez.

“Matei o quê? Uns doze, por aí, mas dentro da legalidade, sempre em confronto.” 

 

"STF, a vergonha do Brasil"

marielle placa .jpg

 

Publica a revista Forum: O deputado do PSL-RJ, que quebrou a placa que fazia homenagem à vereadora Marielle no ano passado, foi às redes sociais na madrugada desta sexta-feira (8) para expressar sua 'indignação' com a decisão do STF de derrubar as prisões após segunda instância e de abrir caminho para a liberdade do ex-presidente Lula. O deputado ainda se ofereceu, como policial militar, para uma possível intervenção no Supremo.

Essa oferta de vestir, novamente, a farda de cabo, lembra um triste episódio de defensor do AI-5 do colega de partido e profissão, o escrivão da Polícia Federal Eduardo Bolsonaro, que disse "bastaria um cabo e um soldado para fechar o STF".

A bazófia do escrivão, que queria ser embaixador do Brasil nos Estados Unidos, faz parte do perfil do deputado, traçado pela Wikipédia:

Em outubro de 2018, circulou nas redes sociais um vídeo de Eduardo Bolsonaro feito em 9 de julho do mesmo ano em um curso no município de Cascavel, no Paraná, para interessados em prestar concursos públicos. Durante a filmagem, que foi postada no YouTube, o deputado é questionado sobre como reagiria caso o STF indeferisse a candidatura de seu pai, Jair Bolsonaro.

Eduardo afirmou no vídeo que o bastaria um "cabo e um soldado" se alguém "quiser fechar o STF". Em sua fala na íntegra, o parlamentar disse: "Mas se o STF quiser arguir qualquer coisa, sei lá – recebeu uma doação ilegal de cem reais do José da Silva… pô, impugna a ação dele… a candidatura dele. Eu não acho isso improvável, não. Mas aí vai ter que pagar para ver. Será que eles vão ter essa força mesmo? O pessoal até brinca lá, cara: 'se quiser fechar o STF, você sabe o que você faz? Você não manda nem um jipe. Manda um soldado e um cabo'. Não é querer desmerecer o soldado e o cabo, não. O que que é o STF, cara? Tira o poder da caneta de um ministro do STF, o que ele é na rua? Você acha que a população… Se você prender um ministro do STF, você acha que vai ter uma manifestação a favor dos ministros do STF?"

Em um vídeo gravado três dias depois, durante uma audiência pública sobre o voto impresso na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados, em 12 de julho, Eduardo Bolsonaro voltou a questionar a autoridade do STF e mencionou uma "ruptura mais dolorosa". "Eu acredito que caso o próximo presidente venha a tomar medidas e aprovar projetos que sejam contrários ao gosto desse Supremo, eles vão declarar inconstitucional. E, aqui, a gente não vai se dobrar a eles não. Eu quero ver alguém reclamar quando estiver no momento de ruptura mais dolorosa do que colocar dez ministros a mais na suprema corte. Se este momento chegar, quero ver quem vai para rua fazer manifestação pelo STF, quem vai pra rua dizer 'ministro X, volte, estamos com saudades' [...] A gente brinca aqui que juiz acha que tem o rei na barriga e que o ministro da Suprema Corte tem certeza que tem o rei na barriga. Tem que mudar isso daí", afirmou o deputado federal. Em um artigo publicado no dia 19 de junho deste ano pelo jornal goiano Hora Extra, intitulado "Pensar fora da caixinha para derrubar a ditadura do STF", Eduardo Bolsonaro já havia atacado as decisões do STF e afirmado ser necessária uma "contrarrevolução" contra a principal instituição do Judiciário.

A fala causou forte controvérsia. Os ministros do Supremo Dias ToffoliCelso de MelloAlexandre de Moraes e Gilmar Mendes criticaram fortemente as declarações do deputado federal. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também usou as redes sociais para expressar seu repúdio. O PT e o PSOL pediram que a Procuradoria- Geral da República (PGR) investigasse a declaração do deputado.

Em sua defesa, Eduardo Bolsonaro disse que "nunca defendeu o fechamento do STF", que "pede desculpas" caso tenha "ofendido ou atingido alguém" e que respondeu "a uma hipótese esdrúxula, onde Jair Bolsonaro teria sua candidatura impugnada pelo STF sem qualquer fundamento". Jair Bolsonaro, por sua vez, disse que "quem falou em fechar o STF tem que consultar um psiquiatra". Posteriormente, declarou: "Eu também, em nome dele, peço desculpas ao Poder Judiciário. Não foi a intenção dele atacar quem quer que seja. E eu espero que, como todos nós podemos errar, que os nossos irmãos do Poder Judiciário deem por encerrada essa questão." Bolsonaro também enviou uma carta ao ministro Celso de Mello onde afirma que o Supremo "é o guardião da Constituição" e que "todos temos de prestigiar a Corte".

STF é a vergonha do Brasil… Defensores da CF? Defensores do crime!”, escreveu Silveira. “Se precisar de um cabo, estou a disposição”, continuou, em tom de ameaça ao Supremo.

 
@danielPMERJ
 
Relembrar é viver... nesta época, tirei muitos vagabundos das ruas, apreendi, prendi, garanti viagens ao inferno... sempre dentro da legalidade, é claro... agora vem o STF e joga meu trabalho e de todos os outros policiais no lixo e envergonha o Brasil. #STFVergonhaNacional
 
 
Image
 
@danielPMERJ
 
Sinceramente, as interpretações do STF deixam cristalinas suas intenções. Quando vemos uma nem tão suprema corte libertar criminosos deliberadamente, é sinal de que algo ou alguém muito errado, vestiu uma toga. #STFVergonhaNacional
 
Se precisar de um cabo, estou a disposição...
 
Sinceramente, as interpretações do STF deixam cristalinas suas intenções. Quando vemos uma nem tão suprema corte libertar criminosos deliberadamente, é sinal de que algo ou alguém muito errado, vestiu uma toga. #STFVergonhaNacional
 
 
Daniel Silveira, o infiltrado espião

Fundada há 25 anos por Luciano Bivar, cartola do Sport Club do Recife, é uma legenda que varia de ideais de acordo com os interesses do momento. Em 2018, foi cedida a Jair Bolsonaro, que agora não quer devolvê-la a Bivar. Nessa briga pouco edificante, o que todos querem é dinheiro, poder e likes. A baixaria transborda dos encontros cara a cara para as redes sociais – ou o contrário.

Um dos protagonistas [do arranca-rabo] foi o deputado federal Daniel Silveira. Também tem patente, mas de praça: é cabo da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Começou a entrar para a galeria que retrata o Brasil de hoje na campanha de 2018. Participou da cerimônia medieval em que se rasgou uma placa em homenagem à vereadora carioca Marielle Franco, assassinada em 14 de março do ano passado.

Depois da cena, elegeu-se com 31.789 votos. Aquele que rasgou a placa, Rodrigo Amorim, foi o deputado estadual mais votado no Rio: 140.660. E o terceiro presente ao patíbulo, Wilson Witzel, tornou-se governador.
 
 

Vistoria ideológica no Colégio Pedro II

Silveira foi com seu parça Amorim ao histórico Colégio Pedro 2º fazer o que chamaram de “vistoria”, nova etapa de uma “Cruzada pela Educação” – na verdade, cruzada contra a liberdade e inteligência, conceitos que eles não dominam. Não tinham autorização para fazer a visita-invasão, filmaram adolescentes sem o consentimento destes e de seus responsáveis, caçaram likes fingindo caçar bruxas.

Na quarta-feira 16, Silveira cumpriu, não sem orgulho, o papel de infiltrado, de alcaguete numa reunião do PSL. Foi ele quem gravou o líder na Câmara dos Deputados, Delegado Waldir, chamando Bolsonaro de “vagabundo”. Correu com o áudio ao Palácio do Planalto para mostrá-lo àquele a quem serve. Disse que foi uma “estratégia pensada”, duas palavras fortes vindas de Silveira.

Marombado agressor de jornalistas

No mesmo dia, arremessou ao chão o celular do repórter Guga Noblat e despejou seu melhor latim: “Arremessei. E aí, irmão? Te bati, babaca. Vai no STF e me processa. Tu é um babaca, rapaz”.

Parar no Supremo por causa de um celular avariado é uma glória que o deputado não deve alcançar. Mas, pelo uso do gravador na reunião, foi ameaçado de cassação do mandato pelo Deputado Waldir. E reagiu: “Se me cassarem, eu vou bagunçar o coreto”.
 
Hoje ele aplaude a agressão covarde, sofrida por Glenn Greenwald. 
 

Se não houvesse um país no meio se dissolvendo em óleo, sangue e desemprego, seria até divertido ver a nata da atual política nacional se digladiando. Joice Hasselmann, que era líder do governo no Congresso até a sexta-feira 18, quando caiu em desgraça com o clã Bolsonaro, também contra-atacou: “E não se esqueçam que eu sei quem vocês são e o que fizeram no verão passado”. Caso Hasselmann, que gosta tanto de falar, fale tudo o que sabe, não fará diferença o mandato de Silveira, pois coisas maiores se esfarelarão.

O deputado fortão tenta ter luz própria, mas é só mais um emblema de tempos trevosos. Sempre há o risco de o obscurantismo ainda ganhar toques de cinismo. Bolsonaro, filhos e agregados cogitam, pelo que se noticia, trocar o PSL por uma legenda que já se chamou Partido Ecológico Nacional – e hoje é Patriota – ou por outra que tem o nome de Partido da Mulher Brasileira. Estão aí duas categorias que o presidente não respeita: ecologia e mulheres. Seria mais um retrato do país enquanto podre.

 

Que diabo faz Daniel Silveira em Brasília? 

daniel silveira deputado marombado por andrés san

Ilustração de Andrés Sandoval

 

Certamente que leva uma vida muito diferente da de cabo no Rio de Janeiro, caçando passarinhos nas favelas. Nas favelas livres das milícias. Que nenhuma intervenção militar entrou nos domínios milicianos, principalmente no Rio das Pedras.

A jornalista Thais Bilenki conta

Um dia na vida atribulada de Daniel Silveira

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