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O CORRESPONDENTE

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02
Jun18

Delação premiada, a moeda de troca da Lava-Jato

Talis Andrade

 

 

"Que a imparcialidade da Operação Lava Jato é questionável (pra não dizer inexistente), assim como a do presidente da República de Curitiba, o juiz Sérgio Moro, não é novidade.

 

A falta de imparcialidade, porém, é apenas uma das faces que põe em cheque a transparência da Operação. A mais grave delas todas é uma prática comum desde que a Lava-Jato 'explodiu' na mídia e virou assunto comum no cotidiano do brasileiro: as vendas e negociações de delações premiadas.

 

No Mercado da Delação, como vem sendo chamado, denunciados vendem informações (ou seu silêncio), escritórios de advocacia lucram exorbitantemente nesta negociação e o juiz Sérgio Moro se utiliza apenas da palavra dos condenados, que obviamente dizem aquilo que ele (e a imprensa) querem ouvir, para seguir com uma perseguição cujos alvos culminam, quase sempre, no PT e no presidente Lula, principal perseguido desde o início da Operação", denuncia o Partido dos Trabalhadores. Que apresenta as seguintes provas e testemunhos:

 

1 - Áudio anexado a um dos processos da própria Lava-Jato, onde Alexandre Margotto, ex-sócio de Lúcio Bolonha Funaro e acusado de ser operador de Eduardo Cunha, negocia seu silêncio em relação à Funaro:

 

“Eu quero estar do lado do Lúcio e que ele não me desampare financeiramente nem juridicamente. Mas eu já quero cem pau agora, R$ 100 mil”.

 

2 - A delação se transforma em um ótimo negócio para o acusado justamente pelos ”prêmios” envolvidos. O mais comum é a redução drástica da pena, ou a possibilidade de cumprí-la de forma domiciliar.

 

3 - O Mercado da Delação também resultou em outro fenômeno: a alta dos preços cobrados pelos escritórios de advocacia em Curitiba. Surfando na onda da Lava-Jato, advogados cobram preços exorbitantes para defender réus da Operação e negociar delações. Tão exorbitantes que outros escritórios, que não atuavam no âmbito da Operação, passaram a contratar advogados criminalistas para atender a crescente demanda. Alguns profissionais, inclusive, chegaram a dobrar os preços, para tratar exclusivamente da Lava-Jato.

 

4 - Alguns advogados alçam o status de ”superstar” da Lava-Jato, se especializando na negociação de delações. É o caso de Beatriz Catta Preta, responsável por cerca de nove delações premiadas da Lava-Jato, incluindo a mais importante da Operação até agora, a do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Estima-se que Beatriz cobre de R$ 2,5 a R$ 5 milhões de reais por causa defendida.

cattapreta.jpg

 

 

No caso de Beatriz, porém, o ônus foi alto: duramente atacada por críticos do sistema de delações premiadas, ela deixou a defesa de outros três acusados (Júlio Camargo, Pedro Barusco e Augusto Ribeiro de Mendonça) e partiu para Miami com o marido, Carlos Eduardo Catta Preta.

 

Carlos Eduardo foi preso, em 2001, em Alphaville, São Paulo, em flagrante, portando US$ 50 mil em notas falsas. Em sua casa, foram encontrados mais US$ 350 mil, também em notas falsas.

 

Porque temia por sua segurança, Beatriz,  ”constantemente ameaçada”, preferiu o auto- exílio. Ainda segundo ela, a Lava-Jato  se transformou em um “jogo político”.

 

 

 

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