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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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10
Mai18

“De 8.500 brasileiros adotados por franceses, metade pode ter sido de maneira ilegal”

Talis Andrade

por Elcio Ramalho

 

 

A ONG Voix des Adoptés (Voz dos Adotados, em português) criada em 2005 por Céline Giraud, adotada no Peru, tem quatro estruturas espalhadas na França dedicadas especialmente às crianças adotadas no Brasil. 

 

“Todos os adotados da Associação são maiores de idade. É o momento no qual a vontade de conhecer seus familiares e suas origens se concretiza. Na infância e na adolescência esse desejo também existe, é natural de toda pessoa, não apenas dos adotados, mas é na idade mais madura que se concretiza o desejo de conhecer o Brasil, do abrigo onde viveram, a família e, em primeiro lugar, a mãe”, explica a especialista, que trabalha com adoções há quase 30 anos.

 

O problema, segundo ela, é que muitas vezes esses jovens se encontram sem nenhuma referência. Uma vez desarquivado o processo no Brasil, começa um longo trabalho para localizar os parentes por meio de telefonemas, pesquisas na internet e até nas redes sociais. “Em muitos casos conseguimos localizar”, disse na entrevista à RFI Brasil.

 

“Adoção à brasileira”

 

Não há registro do número exato, mas segundo Anna Christina, pelo menos 8.500 crianças brasileiras foram adotadas por famílias francesas a partir dos anos 1980. A estimativa é baseada em dados da EFA (Infância e Famílias de Adoção, em tradução livre), uma federação de 92 associações de famílias adotivas na França e do Cadastro Nacional de Adoção (CNA), efetivado no Brasil somente em 2008, apesar de previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente.

 

A dificuldade de estabelecer uma estatística precisa se deve ao longo período em que crianças do Brasil foram adotadas por famílias estrangeiras por meios ilegais e utilizando redes de traficantes de pessoas.

 

“Muitos estrangeiros foram, de certa forma, enganados, mas também tiraram proveito de alguns esquemas de tráficos de crianças. Pessoas se aproveitaram de um sistema menos controlado na época e pediam dinheiro para os estrangeiros”, afirmou.

 

Segundo Anna Christina, muitas famílias pagavam entre US$ 10 mil e US$15 mil para conseguir uma criança rapidamente. O esquema previa o registro da criança já com os nomes dos pais franceses, que alegavam às autoridades que ela havia nascido dentro de casa, como um parto anônimo.

 

A prática, conhecida como “adoção à brasileira”, se tornou um obstáculo para os que pretendem identificar seus familiares biológicos.

 

De acordo com Anna Christina, nos últimos 15 anos no Brasil, predominou uma estimativa de que cerca de metade das crianças que vieram à França possam ter sido adotadas de maneira ilegal ou por meio de redes de traficantes até 2008.

 

Desde então, com a instalação do CNA, as adoções por casais internacionais ficou mais organizada. “Eles só adotam crianças que não encontram pais adotivos no Brasil, que são, em sua maioria, grupos de três irmãos ou mais, ou crianças maiores e adolescentes. Os brasileiros preferem crianças menores e até de dois irmãos”, afirma.

 

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