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21
Out19

Dallagnol não pode ser premiado

Talis Andrade

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Por Tereza Cruvinel
 
Ao invés de ser punido pelos muitos crimes cometidos como chefe da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, o procurador Deltan Dallagnol pode ser premiado com uma promoção a procurador regional da República. Carbonizado pelas revelações da Lava Jato, em que aparece violando o devido processo legal, conspirando com Sérgio Moro para a condenação e prisão de Lula com claros objetivos políticos, e planejamento o próprio enriquecimento às custas da notoriedade obtida na operação, Dallagnol tem prazo até o final do dia de hoje para aceitar a “boia de salvação” que lhe está sendo oferecida.
 
Tendo ingressado na carreira em 2003, Deltan é um dos procuradores aptos a ocupar uma das 10 vagas de procurador regional da República, figura que atua junto aos tribunais regionais federais, a segunda instância da Justiça Federal. Para isso, ele deverá externar sua anuência até o final do dia. Homologada a promoção na reunião do Conselho Superior do Ministério Público no dia 5 de novembro, ele terá que deixar logo o comando da Lava Jato em Curitiba e optar por uma vaga em Porto Alegre (onde atuaria junto ao TRF-4, segunda instância da Lava Jato) ou em Brasília.

Dizem que ele resiste mas não é crível que esteja subestimando a própria situação. A outra opção será a remoção “de ofício” do comando da força-tarefa, pelo procurador-geral ou por ordem do STF, por conta dos ilícitos cometidos. Uma saída humilhante, que implicaria também na obrigação de responder a processos disciplinares junto ao Conselho Nacional do Ministério Público, ou até mesmo na Justiça.

Se o arranjo da promoção vingar, estaremos assistindo mais uma vez ao triunfo da impunidade. A premiação será indulgência grande demais para quem fez tanto mal ao Brasil. À frente da Lava Jato Deltan Dallagnol não apenas atentou contra as leis e a Constituição, como contribuiu fortemente, talvez decisivamente, para a semeadura do ódio e para a criminalização da política, que foi tão nefasta à nossa democracia (ajudando a eleger o falso “anti-sistema” Bolsonaro). Sem Dallagnol e sua cruzada, a Lava Jato não teria sido santificada no imaginário popular como a luta do bem contra o mal, criando o ambiente em que tudo lhe foi permitido em nome do combate à corrupção, ambiente em que até o STF foi complacente com os crimes da Lava Jato. “Fomos cúmplices desta gente”, admitiu recentemente o ministro Gilmar Mendes.

Sem Dallagnol, as empresas brasileiras de infra-estrutura que foram investigadas pela Lava Jato (enquanto as estrangeiras eram deixas em paz) não estariam agora indo à falência, como a Odebrecht, que já foi a uma das mais bem sucedidas transnacionais brasileiras, empregando milhares de pessoas e realizando obras de grande envergadura aqui e no exterior.

Sem Dallagnol, Bolsonaro não teria sido eleito, pois que só o foi porque Moro condenou Lula sem provas e em prazo recorde, proeza repetida também pelo TRF-4, de modo a lhe imputar a inelegibilidade e vedar sua candidatura a presidente, que seria vitoriosa, segundo todas as pesquisas da época. Mas quem correu com a denúncia, mesmo sabendo da fragilidade da acusação no caso do tríplex do Guarujá, foi Dallagnol.

Ele, portanto, é um dos maiores culpados por toda a devastação que tomou conta do Brasil, na política, na economia e na vida social. E além disso, cometeu graves transgressões éticas, desonrando o cargo que ocupa com as maquinações para ganhar dinheiro fazendo palestras sobre a Lava Jato, inclusive para bancos que deveram ter sido investigados e foram poupados.

Mas, tudo indica, ele será premiado, pelo menos neste primeiro momento. Como o Brasil há de sair deste torpor em que foi mergulhado, se houver justiça, mais adiante Dallagnol há de chamado a prestar contas de tudo o que fez.
 

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Foi colega de doutorado da ministra Damares

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