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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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09
Jun20

Coronavírus: Falta de empatia de Bolsonaro com mortes por covid-19 parece psicopatia, diz psicanalista Maria Rita Kehl

Talis Andrade

por Juliana Gragnani
BBC News Brasil em Londres

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Quando as mortes por coronavírus no Brasil passaram de 5 mil, no dia 28 de abril, o presidente Jair Bolsonaro comentou: "E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre".

Quanto passaram de 10 mil, no dia 11 de maio, Bolsonaro lamentou pela primeira vez as mortes: "Olha, eu lamento cada morte que ocorre a cada hora. Lamento. Agora, o que nós podemos fazer é tratar com devido zelo recurso público. Em vez de fazer a notinha de pesar, que eu acho válido, eu também sou pesaroso a essas questões… Tem que dar exemplo, gastar menos".

Quando uma apoiadora pediu uma mensagem de conforto para as famílias em luto no Brasil, e o país superava 30 mil mortes, nesta semana, no dia 2 de junho, Bolsonaro respondeu: "A gente lamenta todos os mortos, mas é o destino de todo mundo".

Essa "impiedade" do presidente da República, nos olhos da psicanalista e escritora Maria Rita Kehl, se aproxima da psicopatia. A designação define pessoas com traço comportamental em que há falta de remorso ou empatia com o próximo, entre outras características.

"É muito difícil fazer diagnóstico de alguém que não conhecemos", diz ela. "Mas a minha impressão desde a campanha é que ele está mais próximo daquilo que a gente chama de psicopata."

Para ela, a impossibilidade da despedida de parentes ou amigos mortos na pandemia é traumática e pode levar a processos de luto mais longos e melancólicos. Kehl compôs a Comissão Nacional da Verdade, que investigou os crimes da ditadura militar no Brasil. Ela compara o luto pela morte de pessoas na pandemia ao luto pelos desaparecidos na ditadura.

Por telefone de casa, em São Paulo, à BBC News Brasil, Kehl falou sobre a pandemia, Bolsonaro e a "tristeza e indignação coletivas" que os brasileiros sentem. Seu livro "Ressentimento" será relançado em agosto pela editora Boitempo, com edição revista e atualizada. (Continua)

 

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