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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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O CORRESPONDENTE

30
Set18

Contra o fascista Bolsonaro, elas marcharam pela democracia

Talis Andrade


No Rio de Janeiro, as mulheres juntaram-se sob o chapéu do movimento #EleNão para lutar contra o candidato da extrema-direita brasileira às presidenciais de Outubro. Foi um grito a muitas vozes. “Não, não, ele é fascista/ Meu voto será feminista.”

 

 

por Clara Barata
Público/ Portugal

___

Nem se diz o nome dele, para não dar azar. “É o Bozo, o palhaço, o coiso. Temos de tomar cuidado”, diz Cissa Cabral, junto a uma banquinha montada rés-vés à escadaria do edifício da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, na Cinelândia, que vende t-shirts do movimento #EleNão, anti-Jair Bolsonaro – violeta, mais claro ou mais escuro, o tom escolhido para a manifestação aprazada para várias cidades brasileiras neste sábado, e também na Europa e noutros continentes.

 

“Sou jornalista, e do sou do PT [Partido dos Trabalhadores]. O meu pai também era jornalista, e foi um dos fundadores do sindicato”, explica Cissa Cabral, que hoje é aposentada, tem 62 anos. “Sou fundadora do PT. O primeiro núcleo do PT aqui no Rio nasceu lá nos fundos da minha casa, era proibido. Recolhíamos garrafas, papel, ferro-velho, para arranjar fundos. E radiografias”, explica sentada nas às escadarias do edifício da Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

 

De t-shirt vermelha, calças de ganga, brinco na orelha com pérola e dourado, cabelo curto entre o louro e branco, encaracolado, Cissa Cabral é uma mulher determinada. Veio para a rua, para a manifestação das mulheres contra Bolsonaro, convocada através das redes sociais, horas antes da praça da Cinelândia, no Rio de Janeiro, se encher de gente – não apenas mulheres, com t-shirts roxas ou não, cabelos compridos, afro, azuis despenteados ou em trancinhas, homens – bastantes, por si sós ou atrelados aos seus amores, alguns com t-shirts feministas.

 

O problema, diz, é que este candidato esconde um perigo ainda maior. “Ele é apenas um sujeito manipulado por uma força maior, as chefias militares. Não é à toa que tem como vice um general que está a dar entrevistas a dizer coisas absurdas.”

 

Cissa Cabral tem dois filhos militares, um homem e uma mulher, ambos na Marinha, que fazem campanha por Fernando Haddad. “Mas são oficiais de carreira, por isso não tem problema, e são muito inteligentes, por isso não forçam ninguém”, explica.

 

Agora, o perigo de os militares quererem voltar ao poder, como no tempo da ditadura, não lhe parece nada remoto. “A ideia só não está encontrar apoio no ‘baixo clero’, se é que me entende. O comando militar Leste não concorda. Mas é uma cláusula pétrea da Constituição que não pode haver Governo militar”, assegura. “Eu já vivi numa ditadura militar, perdi um irmão de 17 anos para tortura, simplesmente porque era presidente de um grémio de estudantes”. Não quer correr riscos.

 

Bella Ciao


“Uma manhã eu acordei e ecoava ‘ele não, ele não, ele não, não, não, não/ Uma manhã eu acordei e lutei contra o opressor/ Somos mulheres, a resistência de um Brasil sem fascismo e sem horror / Vamos à luta para derrotar o ódio e pregar o amor.” A letra é nova, mas a música é Bella Ciao, uma canção que se tornou um símbolo da resistência italiana contra o fascismo. Ecoa na Cinelândia, tendo como alvo Jair Bolsonaro. “Ele não, nem o filho dele” – Flávio Bolsonaro disputa o cargo de senador pelo Rio de Janeiro. Leia mais. Veja vídeos e galeria de fotos

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