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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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O CORRESPONDENTE

15
Jul17

Como proteger o cérebro

Talis Andrade

 

Síntese sobre Longetividade Cerebral

 

por Karina Cerqueira de Andrade Lima 

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Ilustração Ranses Morales Izquierdo 

 

Estima-se que o ser humano tenha um ciclo de vida, a nível celular, programado para viver entre 110 e 120 anos.

 

 

Há uma deterioração genética, um envelhecimento celular. As células deixam de dividir-se e regenerar-se. Há perda das capacidades e de suas potencialidades. É inevitável. Isto ocorre devido às regras biológicas. Como os processos primários (Como e quando começa o envelhecimento) e secundários (qualidade de vida, dieta calórica, atividades físicas), vinculados ao aumento da idade e ao controle pessoal (Palácios, 2004, como referido em Santos et al., 2009).

 

 

Défices físicos, cognitivos e comportamentais, observados no envelhecimento, ocasionam a apoptose (tipo de morte celular programada), mudanças proteicas e outros danos secundários. Um outro prejuízo, devido ao envelhecimento, a redução do tamanho e do peso cerebral.

 

 

Fatores neuropsiquiátricos como depressão e demência estão entre os transtornos médicos que mais comprometem a qualidade de vida dos idosos.

 

 

Estudos realizados identificaram que são preservadas habilidades na memória de procedimento e a pré-ativação, expressas pela capacidade de dirigir, ler, executar tarefas de completar palavras e leitura de palavras invertidas, assim como a memória semântica (lembrar-se do sabor de uma fruta) e a alça fonológica, medida pela recordação imediata de uma sequência de dígitos ou letras. Por outro lado, encontram-se comprometidas as memórias: episódica (lembrar-se de um evento pessoal e suas circunstâncias), prospectiva (lembrar-se de desligar o forno em meia hora) e operacional, caracterizada pela capacidade de reter e manipular informações por um curto período de tempo (Bueno e Oliveira, 2004, como referido em Santos et al., 2009).

 

 

Crescente a busca de fatores de proteção, como o desenvolvimento de atividades físicas, para amenizar e prevenir os distúrbios emocionais, e uma dieta balanceada para promover melhora na circulação sanguínea cerebral, e aumentar a produção de neurotransmissores. Consequentemente melhora na longevidade cerebral.

 

 

Fatores de Proteção ao Envelhecimento

 

 

É notório que indivíduos, que tenham tido um cuidado com a saúde ao longo de sua vida, tenham um envelhecimento mais saudável que os que não tenham tido a preocupação em fazer uma dieta adequada, exercício físico, não se tornar dependente químico ou ter alto nível de estresse físico e mental. A qualidade de vida é primordial para um bom envelhecimento normativo.

 

Não só atividades físicas, como ser independente, gerir uma casa e as finanças também trazem benefícios cognitivos. Um estudo canadense, com 5.874 pessoas acima de 65 anos, demonstrou que o comprometimento cognitivo progressivo está associado a um padrão específico de perdas em tarefas funcionais hierárquicas, o que revela uma associação entre o limiar cognitivo e a autonomia. As escalas de qualidade de vida e de atividades diárias mostram idosos ativos, independentes e capazes (e.g., fazer compras, pagamento de contas em bancos, cozinhar, cuidar das finanças) com menor comprometimento nas funções cognitivas. Diferente dos idosos dependentes que responderam que eram capazes de comer, vestir-se e caminhar. Para cada item funcional, o escore de pessoas que perderam a autonomia foi maior do que para o grupo que permaneceu independente (Njegovan et al., 2001).

 

A recuperação de funções cognitivas depende tanto da plasticidade neural, que é a habilidade do cérebro em recuperar uma função através de proliferação neural, migração e interações sinápticas, quanto de plasticidade funcional, que é o grau de recuperação possível de uma função por meio de estratégias de comportamento alteradas (McCoy et al., 1997, como referido em Santos et al., 2009). Tal recuperação é primeiramente determinada pela idade, localização neural e função envolvida, mas também por fatores como comprometimento cerebral bilateral, funcionamento cognitivo, entre outros. Igualmente importantes são os fatores sociais, econômicos e culturais. Entretanto, exercícios de aprendizagem evidenciaram aumento de matéria cinzenta e mudanças estruturais relacionadas ao desempenho do cérebro adulto e nas áreas motoras. Um estudo realizado com 25 participantes, onde tinham que realizar malabares com três bolas durante 60 segundos. Durante três meses, através de imagem cerebral, percebeu aumento de massa cinzenta. Os participantes que deixaram de realizar os treinos e exercícios com as bolas, tiveram redução da massa cinzenta, enquanto os participantes que continuaram a realizar os malabares não. (Draganski et al., 2004).

 

A terapia nutricional também é um fator para regeneração do cérebro (Khalsa, 1997). E de forma mais rápida de execução, podendo iniciar imediatamente na próxima refeição. Uma dieta balanceada e equilibrada ajuda a reparar os danos causados pelo cortisol (e.g., prejudica o suprimento de glicose ao cérebro, interfere na função dosneurotransmissores e provoca a morte subsequente de neurónios). Uma dieta funcional também ajuda a reparar a má circulação sanguínea. Assim, o cérebro pode produzir novos dendritos e formar novas conexões sinápticas. A má circulação sanguínea provoca perdas de memória, problemas de equilíbrio, convulsões e derrames.

 

Dieta Nutricional

 

Basicamente a dieta nutricional é ingerir alimentos nutritivos e não ingerir alimentos ricos em gorduras. A dieta consiste em:

 

- Baixo teor de gordura: O que é bom para o coração é bom para o cérebro. A gordura prejudica a circulação sanguínea e “apodrece o cérebro”. Exclua das refeições gorduras saturadas (carnes vermelhas, manteiga, leite gordo e alimentos já preparados). As gorduras insaturadas em quantidades moderadas são consideradas boas (linhaça, soja, azeite, peixe);

 

- Não ter hipoglicemia: O único combustível do cérebro a glicose. Quando a taxa de glicose baixa demais, os neurónios morrem. Uma dieta de “fome” deixa o cérebro com inanição, chegando até a definhar. Faça pequenas refeições a cada 3 horas;

 

- Dieta balanceada e rica em nutrientes: A ingestão de todos os tipos de fibras (cereais e pães), feijões, e consumir vegetais, frutas, soja, carne magra e lacticínios magros;

 

- Elimine comidas em conserva ou processada: Alimentos processados e industrializados, na maioria dos casos, são compostos de gordura e açúcar. Os vegetais congelados são compostos por pesticidas, corantes, conservantes, herbicidas e agrotóxicos. Estes tipos de alimentos não são saudáveis ao organismo.

 

Suplementos Vitamínicos

 

Além de exercício, dieta nutricional e controle de estresse, o uso de medicação farmacêutica também ajuda na regeneração cerebral (Khalsa, 1997). A ingestão de fosfatidilcolina (400mg), ginkgo biloba e complexo vitamínico B (100mg) auxilia a mente a trabalhar com maior clareza, aguçando as funções executivas (Khalsa, 1997). A fosfatidilcolina fornece colina para que se produza acetilcolina, um neurotransmissor essencial para a memória e aprendizagem. A suplementação com este fosfolípido tem o objetivo de melhorar os níveis de acetilcolina e assim influenciar positivamente a performance cognitiva e rapidez de raciocínio. Há muito que se testa o efeito da fosfatidilcolina na performance cerebral e continuam a encontrar-se estudos recentes que corroboram a esta conclusão. Mapstone et al. (2014) demonstraram que a utilização de fosfolipídios (fosfatidilcolinas e acilcarnitinas) acarretou uma acurácia acima de 90% na predição, com dois a três anos de antecedência, em indivíduos idosos normais que se converteriam em Défice Cognitivo Ligeiro ou na patologia da doença de Alzheimer. A junção destes 3 medicamentos (fosfatidilcolina, ginkgo biloba e o complexo vitamínico B) permitem que o organismo produza um pouco mais do neurotransmissor acetilcolina, do que costuma produzir. E isto causa uma sensação de melhor clareza cognitiva (Khalsa, 1997).

 

Fundamental nutrir os neurotransmissores. São importantes para a memória, concentração, aprendizado, energia e coordenação motora. As substâncias que compõem os mais importantes neurotransmissores são (e.g., acetilcolina, noradrenalina e dopamina). A acetilcolina é o principal transportador do pensamento e da memória. A ingestão de suplementos com colina (fosfatidilcolina) ou lecitina ajudam a melhorar os níveis de acetilcolina e previnem a deterioração do cérebro. A noradrenalina e dopamina são neurotransmissores da energia. A noradrenalina auxilia as lembranças duradouras de momentos vividos, além de ser uma das principais substâncias químicas da felicidade que residem no cérebro. Também eleva o humor e o otimismo. A dopamina é o transmissor principal que controla o movimento do corpo. O seu declínio é responsável pela perda da coordenação e do controle muscular. A ingestão de suplementos de tirosina e fenilalanina promove melhora destas funções motoras.

 

Conquista da longetividade cerebral

 

Há múltiplos fatores associados ao processo de envelhecimento, que regulam tanto o funcionamento típico quanto o atípico do indivíduo que envelhece (e.g., fatores moleculares, celulares, sistêmicos, comportamentais, cognitivos e sociais). Fundamental que o profissional, assim como os próprios idosos, seus familiares e cuidadores tenham uma visão integrada destes fenômenos. Muitos avanços têm sido feitos no sentido de apoiar medidas que propiciem um funcionamento saudável nesta faixa etária, inclusive o de retardar os fenómenos associados ao envelhecimento patológico, nutrindo os neurotransmissores adequadamente. Com o planeamento precoce desta época da vida, levando em consideração a qualidade e o estilo de vida - dietas de baixa caloria, atividades físicas e mentais -, possível conquistar longevidade cerebral e saúde.

 

Referências Bibliográficas

 

 

Draganski, B., Gaser, C., Busch, V., Schuierer, G., Bogdahn, U., & May, A. (2004). Neuroplasticity: chang matter induced by training. Nature, 427(6972), 311–312. http://doi.org/10.1038/427311a/

 

 

Forlenza, O. V., & Almeida, O. P. (1997). Depressäo e demência no idoso: tratamento psicológico e farmacológico. In Depressäo e demência no idoso: tratamento psicológico e farmacológico.

 

 

Lima, R. R. D. (2015). O uso de biomarcadores sanguíneos e do líquido cefalorraquidiano nos estágios pré-clínico e prodrômico da Doença de Alzheimer.

 

 

Mapstone, M., Cheema, A. K., Fiandaca, M. S., Zhong, X., Mhyre, T. R., MacArthur, L. H., ... & Nazar, M. D. (2014). Plasma phospholipids identify antecedent memory impairment in older adults. Nature medicine, 20(4), 415-418.

 

 

Njegovan, V., Man-Son-Hing, M., Mitchell, S. L., & Molnar, F. J. (2001). The hierarchy of functional loss associated with cognitive decline in older persons. The Journals of Gerontology Series A: Biological Sciences and Medical Sciences, 56(10), M638-M643.

 

Santos, F. H. D., Andrade, V. M., & Bueno, O. F. A. (2009). Envelhecimento: um processo multifatorial. Psicologia em estudo, 3-10.

 

 

Santos, H. (2012). Fosfolípidos: essenciais ao funcionamento do cérebro. Recuperado em Novembro, 28, 2012, através da EsmeraldAzul. Revista online de Cristina Sales Medicina funcional integrativa em 03 de maio de 2017 através de http://www.esmeraldazul.com/pt/blog/fosfolipidos-essenciais-ao-funcionamento-do-cerebro/

 

 

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