Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

O CORRESPONDENTE

03
Jan22

"Certas ideias políticas não me enganam", diz Caetano Veloso a jornal francês

Talis Andrade

O jornal francês Libération traz uma longa entrevista nesta segunda-feira com Caetano Veloso, que explica as motivações estéticas e ideológicas de seu último disco, Meu Coco

O jornal francês Libération traz uma longa entrevista nesta segunda-feira (3) com Caetano Veloso. Aos 79 anos, o compositor e cantor baiano continua "convincente" em seu último disco, Meu Coco, assinala o Libé, que se interessou pelas motivações estéticas e ideológicas do novo álbum.

"Ele é capaz de associar em uma mesma canção tambores de maracatu, nuances de bossa-nova, arranjos de jazz, guitarras de rock e pitadas de pop. Outra característica típica da obra de Caetano é sua capacidade de sublimar o Brasil sem dar o menor sinal de nacionalismo", destaca o jornal francês. 

Para o jornalista Jacques Denis, que entrevistou o cantor por telefone, Caetano é um homem "decididamente conectado ao nosso tempo, sem dúvida preocupado com o passado". "O mais carioca dos baianos cultiva com esplendor a arte do paradoxo, permanecendo, apesar dos anos, este pensador tropicalista que pretendia revolucionar a música popular brasileira ao colocá-la em contato com os ecos do mundo", avalia o crítico. 

"Além de cantar as virtudes do samba, com alguns experts do gênero, o compositor brasileiro sabe elevar a voz contra os excessos populistas de Jair Bolsonaro (...) Com Caetano, tudo é possível (...)  Em seu labirinto estilístico, nunca nos perdemos, somos todos guiados por esta voz única", escreve o jornalista.

Na entrevista, Caetano evoca suas influências, que vão das conversas com João Gilberto à poesia concreta de Augusto de Campos. Ele explica, sobretudo, que o samba marca seu posicionamento estético.

Sobre a forte conotação política do disco Meu Coco, o baiano diz que as redes sociais propiciaram o surgimento da atual onda de extrema direita e aberrações políticas da pior espécie, como o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, além de Donald Trump e Victor Orbán, na Hungria. Mas Caetano está convencido de que apesar das fake news propagadas nas redes, e que sustentam esse movimento internacional ultraconservador, "essas ideias podres não conseguirão mudar o senso da história".

Contrariamente a alguns artistas que preferiram se afastar do debate político desde a eleição de Bolsonaro, Caetano afirma que continua conectado ao mundo e à criação artística. Ele diz que respeita quem não quer interferir no debate público, embora sua natureza seja diferente. Por isso, ele gravou Não Vou Deixar, a canção mais explicitamente política do novo disco, na qual se dirige diretamente ao presidente do Brasil. 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2023
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2022
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2021
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2020
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2019
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2018
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2017
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub