Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

23
Jan20

Celso Marconi: Dicionário Amoroso do Recife merece nova edição

Talis Andrade

Obra de Urariano Mota serve realmente de guia para quem não seja do Recife, e queira conhecer principalmente a “aura” da cidade. E para os recifenses o livro é gostoso como um copo d’água em tom não gelado nem quente, mas moderado

Dicionário Amoroso do Recife.jpg

 

por Celso Marconi 

O autor do livro Dicionário Amoroso do Recife é o escritor Urariano Mota, que me disse tê-lo escrito por encomenda de Rosel Soares, um editor baiano que lançou vários dicionários de cidades brasileiras no ano de 2014, para vendê-los ao público que veio para a Copa do Mundo no Brasil. Interessante é que, apesar de ser um livro “de encomenda”, é uma obra escrita com total liberdade. Por isso, pelo menos no caso do Dicionário do Recife, deveríamos já pensar numa nova edição. E é isso que agora estou sugerindo ao editor – se ele puder ler este texto.

Livro de encomenda em geral tem caminhos estabelecidos. Mas, no caso do Dicionário Amoroso do Recife, o livro é a cara (quem conhece Urariano concordará comigo) do autor. Urariano escreveu, digamos, um conjunto de verbetes que leva ao leitor ao Recife que ele viveu e conhece muito bem.

Parece-me que apenas no verbete sobre Nelson Rodrigues é que temos uma certa ligação com o público buscado (que, teoricamente, seria um público mais ligado ao futebol). Urariano procura na biografia de Nelson Rodrigues o lado futebolístico, e sem dúvida fez um retrato dele fundamental dentro desse ângulo. Importante. Uma vez que, como recifense, me parece que a parte novelística de Nelson teria maior importância. E digo que gosto demais da obra geral de Nelson Rodrigues, embora pense que ele retratou muito mais perfeitamente o esplendor carioca e digno da vida do carioca suburbano.

Ainda temos uma grande parte do livro retratando personalidades ou pessoas, pois Urariano não escolhe seus personagens “pela divulgação” que se possa ter deles – mas, sim, como já dissemos, pela sua visão pessoal. Ele julga e comenta com total imparcialidade (vejamos!), mas não se exime de não apresentar figuras que todo Pernambuco supervaloriza – mas que ele não encontra essa distinção. É o caso do artista Francisco Brennand. Apesar de “desconhecer” a presença desse artista que morreu recentemente, ele descobre valores em outras figuras muito pouco badaladas.

Falo apenas como exemplo de como Urariano sabe buscar valores do Recife em personalidades não valorizadas por outros que fossem cuidar da feitura de um dicionário como este, que fala de uma cidade. Ele fala de pessoas como um morador de rua que consegue passar num concurso para o Banco do Brasil. Ou de um fotógrafo que tem um quiosque na rua Nova. Fala também sobre o Centro do Recife como personagem. Ou do sotaque que o povo da cidade adotou e usa. De um médico que é violonista e oferece festas para grandes músicos brasileiros – e, assim, cria uma certa forma de união entre esses artistas. Ele fala do Teatro Marrocos, que era uma casa bem popular, com a mesma grandeza com que se refere ao Santa Isabel, o mais burguês dos nossos teatros.

Claro, o Dicionário Amoroso do Recife não é um dicionário perfeito. Urariano escreve quase somente com o seu conhecimento vivido na cidade. Ele fez alguma pesquisa, mas poderia ter feito mais se se importasse com os detalhes. Embora em alguns verbetes, como o do “sotaque”, ele mostre inclusive a erudição que tem.

Enfim, como disse no começo deste texto, já é hora de termos uma nova edição dessa obra que serve realmente de guia para quem não seja do Recife, e queira conhecer principalmente a “aura” da cidade. E para os recifenses o livro é gostoso como um copo d’água em tom não gelado nem quente, mas moderado. No meu caso pessoal, já conhecia muitos dos participantes do dicionário, mas no caso de Água Fria me interessei ainda mais, pois morei nos anos 60 em Cajueiro e conhecia o bairro de Água Fria de passagem. Talvez desse lado da cidade é onde esteja a melhor “luz” que talvez ainda tenha que ser descoberta pelos cineastas recifenses.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub