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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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13
Jul18

CANDIDATOS PEDEM BÊNÇÃO AO EMBAIXADOR DOS EUA E AO COMANDANTE DO EXÉRCITO

Talis Andrade

Com o país de joelhos depois do golpe, o Brasil é surpreendido com notícia da fila do beija-mão dos presidenciáveis ao representante do poder do império no Brasil, o embaixador dos EUA, Peter Michael McKinley.

 

O pedido de bênção ao representante do poder militar, o comandante do Exército, já era conhecido.

 

A romaria ao representante dos Estados Unidos e de Trump foi revelada com a notícia da visita sigilosa de Bolsonaro, duas semanas atrás

AUTO_fred colonialismo imperialismo multinacionais

 

 

247 - Com o país de joelhos depois do golpe, o Brasil é surpreendido com a notícia de uma fila de beija-mão dos candidatos a presidente ao representante do poder do império no Brasil, o embaixador dos EUA, Peter Michael McKinley. Da mesma forma, há uma fila diante do representante do poder militar, o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas. A romaria ao representante dos Estados Unidos e de Trump foi revelada hoje, com a notícia da visita sigilosa de Jair Bolsonaro, duas semanas atrás. A fila para a bênção do general acontece sem maior pudor e tem sido noticiada aqui e ali.

 

Flagrada, a embaixada americana admitiu a reunião de McKinley com o candidato de extrema-direita e informou que estão acontecendo reuniões com outros candidatos, mas não especificou quem mais recebeu. De maneira cínica, a nota afirmou que os EUA respeitam a "independência do processo eleitoral" e que está se reunindo com os principais presidenciáveis do país, mas não especificou quem mais recebeu. Bolsonaro não ficou satisfeito com o encontro: quer ir aos EU para encontrar com Donald Trump -seria uma oportunidade de apresentar sua garantia de obediência e conseguir os que os americanos chamam de "photo opportunity" (uma imagem arranjada para obter repercussão midiática).

 

Os Estados Unidos têm interferido de maneira discreta nas eleições em toda a América Latina. Na Venezuela, entretanto, a discrição foi jogada às favas e o governo Trump tem ameaçado os venezuelanos com uma invasão militar, descontentes com a reeleição de Nicolás Maduro em maio passado. 

 

A interferência dos EUA no processo eleitoral de 1962, o último pleito antes do golpe de 1964, é hoje fartamente documentada. Os arquivos inéditos de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instaurada em 1963 pelo Congresso Nacional para investigar a intromissão americana ficaram sob censura por anos e, em 2016, tornaram-se de acesso público pela internet (acesse aqui). A investigação do Congresso Nacional tratou do financiamento, em escala nacional pelo Instituto Brasileiro de Ação Democrática (Ibad) e pelo Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (Ipes), de candidatos ao parlamento nas eleições de 1962, com recursos norte-americanos. A atuação do Ibad e do Ipes era financiada por empresas multinacionais, coordenada pelo governo norte-americano"; os dirigentes das entidades trabalhavam como agentes da Agência Central de Inteligência (CIA) -leia aqui. Nos últimos anos, tem acontecido um processo semelhante, com o patrocínio por empresas e fundações dos EUA a vários grupos de direita no Brasil, que agora começam .a lançar seus candidatos às eleições (leia aqui o exemplo do MBL).

 

Quanto aos militares brasileiros, desde a redemocratização do país eles tinham sido mantidos afastados da vida política nacional, voltados aos quartéis e às suas funções constitucionais. Desde o golpe de 2016, eles avançam sobre atividades antes reservadas ao poder civil e passaram a exercer uma "tutela branda" sobre a política nacional, com ameaças mais ou menos veladas à democracia. 

 

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