Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

20
Jul20

Botar um pastor evangélico como ministro da Educação não nos ajuda a conhecê-lo

Talis Andrade

 

ministro educ.jpg

 

Temos o direito de incluí-lo na longa lista de escolhas desastradas que Bolsonaro vem fazendo


por Luis Fernando Verissimo
OS LIMITES. Santo Agostinho disse que, entre todas as tentações do homem, a pior era a “doença da curiosidade”. Ela nos levava a especular sobre as razões da existência e os mistérios do universo, ou sobre tudo que estava além da compreensão humana e só a fé explicava. Antes de Agostinho outra autoridade, Deus, já advertira Adão e Eva a não comer o fruto da árvore do saber, para não contrair a doença da curiosidade e perder para sempre o paraíso da ignorância satisfeita. Deus, Agostinho e outros tentaram nos convencer a aceitar os limites da fé como os limites do conhecimento. Tentar compreender mais longe só traz perplexidade e angústia.

Os limites da religião e da ciência vêm se alternando desde que o primeiro hominídeo, ou o primeiro curioso, tentou explicar uma tempestade. O que era aquilo? Como se explicava? Einstein contou que a existência da força magnética foi o que despertou seu interesse pela física e, como consequência, iniciou a maior aventura intelectual do nosso tempo, com suas descobertas e teorias. E Einstein, como a ciência em geral, só estava repetindo a pergunta do nosso primitivo hominídeo das cavernas: o que era aquilo? Como se explicava? Enquanto isso, até hoje milhões de pessoas só aceitam as explicações do mundo que estão na Bíblia, no Corão e em outros textos sagrados. Dá até para comparar o número crescente de evangélicos nos seus templos, por exemplo, com o número crescente de revelações da ciência sobre a origem e o destino desta bola insignificante rodopiando pelo espaço em que nos meteram. O conhecimento perde para a fé, longe.

Botar um pastor evangélico como ministro da Educação não nos ajuda a conhecê-lo. O homem pode ser competente e tomara que seja, mas até que se saiba mais sobre os limites das suas crenças e convicções – criacionista ou evolucionista, para começar? – temos o direito de incluí-lo na longa lista de escolhas desastradas que Bolsonaro vem fazendo. E se arrependido.

educ ministro pastor.jpg

 

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2018
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2017
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub