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O CORRESPONDENTE

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18
Nov19

Bolsonaro e sua responsabilidade moral no caso Marielle

Talis Andrade

Não há mais credibilidade possível no governo Bolsonaro. O Brasil merecia coisa melhor. Enquanto isso a respeitabilidade e prestígio do país vão sendo destruídos, assim como as estruturas internas em favor do povo. Ironia é se saber que a vitória de Bolsonaro se deveu aos evangélicos, hoje também envolvidos no apoio, que continua, a um presidente apoiado por milicianos e namorando um regime ditatorial. Rui Martins

 
por Celso Lungaretti

.

Afinal, o que foi esse imbróglio sobre a menção ao presidente Jair Bolsonaro no curso das investigações sobre a bestial execução da vereadora Marielle Franco e do seu motorista Anderson Gomes?

 
O que passou para o distinto público foi que o porteiro do edifício por algum motivo se equivocou, uma possibilidade já descartada pelas autoridades vazou e a TV Globo, tomando conhecimento de que Bolsonaro poderia ter algum papel no episódio, correu a noticiar isto, lastreada unicamente no testemunho do tal porteiro.
 
O próprio Bolsonaro descarta que tenha havido má intenção por parte do funcionário e aponta como alvos para seus militantes tresloucados o governador Wilson Witzel, cuja polícia estaria forçando a barra para colocá-lo na berlinda, e a Globo.
 
Mas, será isto mesmo que aconteceu? Como termos certeza?
 
Temo que só adiante saberemos se há algo mais além dessa narrativa tão conveniente para a auto-vitimização do velho e combalido leão… ôps, quer dizer, do presidente. Fiquei um pouco confuso ao ver tantas hienas ao seu redor, pelo menos até perceber que boa parte das hienas eram comadres dele e não inimigas.
 

Assim como até hoje não me convence o atentado tão conveniente (decidiu a eleição!) que teria sido cometido contra Bolsonaro. Afinal, mais inverossímil ainda é a lorota de que o fogo cruzado que matou John Kennedy teria sido proveniente de um único atirador, e mais de meio século depois essa patranha ainda é mantida como a verdade oficial.

 
Abusa-se demais de teorias da conspiração hoje em dia e yo no creo en la mayor parte, mas já tive muitas comprovações de que hay las brujas, Sem dúvida, las hay
 
Então, pelo que aprendi nos três anos e meio de atuação profissional na Coordenadoria de Imprensa do Palácio dos Bandeirantes, é igualmente possível que 1) Bolsonaro estivesse inteirado do atentado contra Marielle; ou que 2) não tivesse a mais remota noção do que se planejava.
 
No segundo caso, seríamos obrigados a concluir que o alardeado profissionalismo da Globo não passa de lenda, pois não se levanta uma lebre dessas no noticioso de maior repercussão sem ter algo além do testemunho de um porteiro.
 
No primeiro caso, de uma operação abafa bem sucedida, teríamos de indagar: qual haveria sido a moeda de troca capaz de fazer a Globo recuar de forma tão humilhante?
 
Pois, no melindroso assunto milícias, verdadeiro calcanhar de Aquiles do clã Bolsonaro, havia munição de sobra para uma emissora poderosa como a Globo dar a volta por cima.
 

Desde o primeiro momento escrevi (botei no título!) que não dá pra dizer que Bolsonaro esteja envolvido, mas completei com uma indagação fundamental: pode um parça de milicianos presidir o Brasil?.

Ou seja, não se deveria reduzir o assunto a uma mera novela policial, mas sim colocar em questão as ligações perigosas do presidente da República do Brasil com uma organização criminosa responsável por um sem-número de crimes hediondos, que foi criada com o pretexto de eliminar bandidos, mas, na verdade, apenas substituiu aqueles que exterminava e acabou tomando conta do mercado.
 
Eu já disse e repito, Pablo Escobar chegou até a ser deputado, mas nem a Colômbia aguentou por muito tempo a humilhação mundial de manter um notório narcotraficante no seu Legislativo.
 
E o senador italiano Giulio Andreotti esperneou um bocado, mas seu passado ilustre e sua idade avançada não impediram que sua carreira política fosse destruída quando ficou comprovado seu envolvimento com a Máfia.
 
Toda a promiscuidade pregressa (escancarada!) dos Bolsonaros com as milícias do Rio de Janeiro os tornaria inelegíveis para mandatos executivos e legislativos em qualquer país que se desse ao respeito.
 
Mas este, claro, não é o caso do Brasil.

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