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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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26
Set19

Bolsonaro deu uma aula magna de torpeza na ONU

Talis Andrade

bolsonaro onu_brum.jpg

 

 

por Eric Nepomuceno

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Versão em espanhol

Contrariando os que asseguram que com ele não há surpresa e que sempre que abre a boca não faz outra coisa que não disparar absurdos, Bolsonaro surpreendeu todo mundo com seu discurso diante de representantes e chefes de Estado e de governo de 193 nações. 

Era um desastre previsível. O que ninguém conseguiu prever foram suas dimensões. 

Nunca antes um mandatário brasileiro foi tão ostensivelmente agressivo, ou mentiu tanto, ou foi tão pródigo em torpezas de altura inalcançável.

E, uma vez mais, Bolsonaro foi indecentemente covarde. Não teve valor para mencionar os nomes de Emmanuel Macron e Angela Merkel ao atacá-los, vivos e presentes no plenário, mas atacou citando seus nomes os falecidos Hugo Chávez e Fidel Castro. 

Se há oito anos, com o discurso da então presidenta Dilma Rousseff, o Brasil foi o primeiro país a ter uma mulher abrindo a Assembleia Geral da ONU, ontem foi o primeiro a ter um desequilibrado sem remédio, um mentecapto incontrolável ocupando o mesmo espaço.

Ao vê-lo e ouví-lo tornei a dar razão a quem diz que no Brasil não há espaço algum para uma intervenção política e muito menos militar contra o presidente, mas que é urgente uma intervenção psiquiátrica.

Não há uma única frase pronunciada por Bolsonaro ao longo de 32 longos minutos que mereça nem vestígio de respeito.

O que ele fez foi radicalizar ainda mais sua decisão energúmena, primária, de desmentir dados científicos, negar o que até imagens da NASA confirmam, e assim deixar claro de toda claridade sua impossibilidade terminal de se fazer respeitar. A de ontem, aliás, era sua derradeira chance.

Preferiu atacar todo e qualquer um que não comungue sua visão absurda do mundo. E uma vez mais se mostrou auto-centrado de maneira enfermiça, e confirmou que essa característica sua desconhece fronteiras.

A de ontem foi a reiteração, perigosa e inoportuna, de que sua preocupação primordial é falar ao núcleo duro e fundamentalista de seus seguidores mais fanáticos. 

Talvez por isso cada uma das 2.787 palavras pronunciadas terá efeito concreto nas relações do Brasil com o resto do mundo. 

Concreto e, claro, negativo. Um dos resultados de sua fala será o inevitável aumento da preocupação e temor de governos mundo afora, inclusive em países cujas relações são essenciais para o Brasil.

Fortificou-se a imagem de um governo intolerante, que despreza o diálogo, insensatamente obcecado por seu conceito de soberania.   

Agora, é esperar para ver como muitas nações agirão para tentar deter a destruição voraz do meio-ambiente no Brasil. Porque contra a destruição voraz da democracia quem deveria estar tratando de agir deveriam ser os brasileiros, que continuam atontados com o cúmulo de barbaridades proferidas por Bolsonaro e seu séquito de delirantes.

Aos países restam soluções na área econômica, com consequências desastrosas para a catastrófica situação que os brasileiros já enfrentam. Aos brasileiros resta sair da letargia, dessa amnésica anestesia. 

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A atuação de Bolsonaro ontem no plenário da ONU foi um vexame do tamanho do mundo, uma aula magistral de estupidez proferida por um desequilibrado que não consegue manter contato algum com a realidade.

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