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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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06
Mai19

BOLSONARISMO INSTALA A LEI DA SELVA: AS MORTES DE 'BANDIDOS' ESTÃO LIBERADAS

Talis Andrade

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247 - O bolsonarismo está implantando uma cultura de massacre aos pobres no país, numa escalada vertiginosa. Acumulam-se episódios como o do governador Wilson Witzel que neste domingo (5) apareceu nas redes sociais disparando de um helicóptero contra uma comunidade carente em Angra dos Reis (RJ), a convocação também no domingo do senador Major Olímpio para policiais "sentarem o dedo contra esses malditos", a licença para matar que Bolsonaro pretende conceder aos aos ruralistas e que Moro também quer conceder aos policiais com seu "pacote anticrime". Tudo reforça a sensação de que o Brasil governado pelo extrema-direita se transformou em uma terra sem lei.

 

O governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel (PSL) envolveu-se em mais uma operação com a polícia militar para "abater a bandidagem", como ele justificou.  Com esses pretexto, o governador e sua "equipe" dispararam dezenas de tiros contra comunidades carentes localizadas no município de Angra dos Reis (RJ). Na sequência ele foi se hospedar com a família no hotel de luxo Fasano, com diários de R$ 1.600,00 por pessoa. 

 

"Segundo disse Witzel, o alvo era a 'bandidagem'. Não se informou se a Polícia buscava um, dois ou dez criminosos; se respondia a alguma agressão em particular; se era uma operação para instalar bases policiais naquelas comunidades, expulsando, então, os tais bandidos. Uma coisa é certa: as balas que se despejavam lá de cima não tinham como distinguir a carne preta e pobre de inocentes da carne preta e pobre de culpados. A única coisa que se tem de certo é que cumpria à carne preta e pobre, culpada ou não, tentar se proteger da expedição comandada pelo próprio governador", denunciou o jornalista Reinaldo Azevedo. 

 

O ataque de Witzel aos mais pobres deixa juristas e defensores dos direitos humanos alarmados. "Witzel comete crime de lesa-humanidade", denunciou, em artigo, a jurista Carol Proner. 

 

Bandido bom é bandido morto

 

Em São Paulo, a carnificina aos mais vulneráveis tem como porta voz oficial o senador Major Olímpio (PSL) que, assim como Witzel, também é discípulo fervoroso do Bolsonarismo e da Rota, elite da PM paulista, que já causou inúmeras chacinas em comunidades.

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Em um vídeo compartilhado neste fim de semana, o parlamentar destaca a morte de dois policiais da Rota no último final de semana e convoca "policiais civis, federais, rodoviários, militares, guardas municipais a redobrar a atenção, a cautela, redobrem a munição e sentem o dedo nesses malditos". Quem dá tiro na polícia para matar tem mais é que morrer". "Se tiver que chorar, vai chorar é a mãe do bandido", diz ele

 

Apesar do discurso caloroso, Olímpio omite dados importante: seis a cada dez mortos pela polícia paulista são negros, segundo informa o Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A nível nacional, o País teve 5.012 mortes cometidas por policiais na ativa em 2017, como apontou o levantamento parte do Monitor da Violência. No entanto,  Bolsonaro e sua trupe segue ignorando dados importantes sobre a segurança pública. 

 

Bolsonaro e Moro: licença para matar 

 

No núcleo duro do governo federal, Bolsonaro e o ministro da Segurança Pública, Sérgio Moro seguem firmes para também aumentar as taxas de homicídos contra a população mais vulnerável. Na semana passada, Bolsonaro declarou oficialmente que irá conceder uma "licença para matar" aos latifundiários que tiverem, em um futuro, suas terras ocupadas por movimentos sociais. 

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"A autorização para se iniciar um genocídio contra os sem-terra é a face cavernosa e carcomida de um governo autoritário e inconsequente. O que o seu chefe deseja é dar aos pistoleiros a serviço dos latifundiários o mesmo poder que Moro está querendo dar aos policiais quando subirem os morros do Rio de Janeiro, por exemplo. Nos dois casos, os alvos da licença para o abate são os pobres", denunciou o jornalista Givandro Filho, em artigo. 

 

Moro, que a cada diz decepciona mais os seus fãs, segue na mesma linha de seu chefe e seu pacote anticrime nada mais é que dar mais poder aos policiais "matarem em nome da lei", pois irá ampliar a legítima defesa para homicídios cometidos no trabalho. 

 

As propostas de alteração para legítima defesa, nos artigos 23 e 25 do Código Penal, possibilitam que, em caso de homicídios, a Justiça possa reduzir a pena pela metade ou até deixar de aplicar a punição caso a morte  tenha sido motivada por “escusável medo, surpresa ou violenta emoção”.

 

Na prática é a licença para matar em um país que já possui elevadas taxas de homicídios sem respostas. Especialistas e líderanças dos movimentos sociais criticam duramente a proposta de Moro. 

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