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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

05
Mai20

Até quando?

Talis Andrade

robô bolsonaro.jpg

por Petra Costa

 - - -

Virou costume que, aos domingos, Bolsonaro ataca o Supremo e o Congresso, faz comício pela “intervenção militar” com faixas golpistas, diz que tem Deus e as Forças Armadas ao lado dele e fala como aspirante a ditador. Na segunda-feira, finge recuar e na terça começa tudo de novo.

A repetição constante das ameaças golpistas (que começaram antes de ele chegar ao governo) permitiu a Bolsonaro produzir aos poucos uma “nova normalidade”, expressão agora tão de moda pela pandemia. E nós, brasileiros, já nos acostumamos a viver ameaçados pelo presidente.

A gente se acostumou, como se fosse normal, a ter o filho do Bolsonaro falando em fechar o Supremo Tribunal Federal com “um cabo e um soldado” ou em fazer “um novo AI-5”. E agora o próprio presidente fala em comícios que têm faixas com essas ameaças e ninguém se surpreende.

A gente se acostumou à existência do “gabinete do ódio” e a imprensa se refere a ele como se fosse mais um ministério. Tem um gabinete no Planalto que se dedica a produzir e distribuir fake news, difamar adversários políticos, jornalistas e artistas e incentivar o ódio. Normal.

A gente se acostumou a ver jornalista sendo agredido na rua por seguidores do presidente com camisas da seleção e bandeiras do Brasil. Normal. A gente se acostumou a ver pessoas difamadas pelo presidente ao vivo pelas redes e depois ameaçadas de morte por seus apoiadores. Normal.

A gente se acostumou a assistir a falas de ministros negando a ciência e divulgando teorias conspirativas toscas. Normal. A gente se acostumou a ver sites de fake news divulgados pelos filhos do presidente. Normal. A gente se acostumou às ameaças de golpe. Normal.

A gente se acostumou a ver passeatas contra a quarentena onde os seguidores do presidente debocham dos mortos e até dançam com caixões. Normal. A gente se acostumou a ouvir deputada bolsonarista falando que tem governador enterrando caixões vazios. Normal.

A gente se acostumou a ver cada dia mais mortos pela pandemia do COVID19, enquanto o presidente se dedica a negar o problema e tenta desviar o foco: difamando o @jeanwyllys_real, atacando o @RodrigoMaia, falando baixarias contra a imprensa e ameaçando o STF. Normal.

Eu pergunto: até quando? O que mais precisa para o Brasil reagir a tanta desumanidade, tanto cinismo, tanta mentira, tanta desonestidade, tanta crueldade, tantas ameaças, tanto desprezo pela democracia, tanta incompetência, tanta burrice, tanta falta de civilidade? Chega.

 

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