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Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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12
Mai19

As crianças que correm da política de terror de Wilson Witzel no Rio

Talis Andrade

Governador brinca de 'Apocalipse Now'. Dias depois, a polícia que comanda atira do alto em pleno horário escolar na Maré. Quem porá limites à sua política homicida?

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Crianças na Maré correm de disparos

Já não é mais possível —não sei se foi algum dia— usar eufemismos para descrever a política de segurança do governador do Rio de JaneiroWilson Witzel. Ela é o que é: arbitrária, ilegal, criminosa e homicida. Se restavam dúvidas, no último sábado o governador entrou em um helicóptero da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) da Polícia Civil e sobrevoou uma comunidade de Angra dos Reis ao lado do prefeito do município. Um vídeo do momento foi publicado em seu perfil do Twitter. "Vamos botar fim na bandidagem em Angra dos Reis", dizia, enquanto um policial com fuzil em punho mirava uma área povoada da favela.

 

Depois que ao menos 15 pessoas suspeitas foram executadas nos morros da Coroa, Fallet-Fogueteiro e dos Prazeres em fevereiro, submetidas a longos minutos de torturas dentro de casas, segundo apontam os indícios, Witzel apareceu ao lado do secretário da Polícia Militar para respaldar "uma ação legítima da polícia para combater narcoterroristas". Dias depois, em uma cerimônia, disse que "qualquer atuação do PM, antes de qualquer discussão, é legítima". Na última segunda-feira, quando helicóptero e blindados entraram no Complexo da Maré, outros oito rapazes morreram. Segundo relatos de testemunhas para a Defensoria Pública, foram executados depois de se renderem, como acontecera em fevereiro. Moradores também relataram que os jovens já não ofereciam riscos, sendo que dois deles levantaram as mãos e disseram "perdi". Tiveram a seguinte resposta dos policiais: "Minha ordem é matar". Pelo visto, a doutrina Witzel também se estende aos que, mesmo já desarmados e sem oferecer risco a policiais, deveriam responder na Justiça pelos seus crimes.

 

Nesta semana, uma foto que rodava nas redes sociais dava a dimensão do retrocesso civilizacional que se vive. Na imagem aparece uma placa onde se pode ler "Escola. Não atire". Na denúncia levada à ONU e à OEA, não existe a possibilidade de que o governador seja processado pessoalmente por esses organismos. Já o Estado brasileiro poderia, por exemplo, receber advertências e até ser condenado a aplicar mudanças que garantam o fim dos abusos e da impunidade policial, entre outras medidas. É, no mínimo, um chamado para que o mundo saiba a escalada do terror promovida pelos novos dirigentes no poder. [Transcrevi trechos da reportagem de Felipe Betim in El País. Leia mais]

 

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"Escola. Não atire. Projeto Uerê". Uma placa colocada no teto da unidade, é um pedido, desesperado, para que as operações policiais preservem a vida dos profissionais que atuam no local assistindo crianças e jovens que sofrem com traumas emocionais por causa da violência na Maré
 
As imagens estão na postagem da artista plástica Yvonne Bezerra de Mello, responsável pelo Uerê, feita em seu perfil no Facebook, na última segunda-feira, dia em que uma operação da Polícia Civil na Maré deixou oito mortos. Durante a ação, tiros foram disparados por agentes de dentro de um helicóptero.  
 

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"Por essas e outras que coloquei no teto e na fachada do Uerê para ver se não nos matam em dias de confronto. Uma vez um helicóptero metralhou a escola. A que ponto chegamos!", escreveu Yvonne.
 
 
Witzel é parceiro de Jair Bolsonaro, que tem residência no Rio, e Olavo de Carvalho como guro. Acrescenta Yvone: "A política brasileira está nas mãos de um ideólogo louco, celerado, mau caráter, grosso e cego pelo poder que lhe deram de bandeja. É um cara que prima pela falta de respeito e que criou um 'ensino a distância' de ideias espúrias manipulando as mentes fracas que nos governam. Não tem nem coragem de vir ao Brasil debater. É o valentão com colete a prova de balas. O presidente se cerca de 130 militares, permite e aceita em declaração pública que esse beócio os ataque com palavreado de baixo calão. Não dá para entender! Nem Freud explica!"
 

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