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Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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21
Mai20

Artista faz ato de protesto contra Bolsonaro na Embaixada do Brasil em Paris

Talis Andrade

embaixada fr.jpg

Painéis foram instalados na fachada da Embaixada do Brasil em Paris

 

O artista brasileiro Julio Vilani instalou vários painéis na fachada da Embaixada do Brasil em Paris, em protesto contra o presidente brasileiro Jair Bolsonaro. O ato acontece na mesma semana em que o jornal francês Le Monde publicou um editorial criticando a gestão da pandemia de Covid-19 no Brasil. O texto do vespertino suscitou uma reação do embaixador brasileiro.

Quem passeava pelas margens do rio Sena, na região do 7° arrondissement de Paris, na manhã desta quinta-feira (21), feriado na França, foi surpreendido por seis grandes painéis verticais que tomavam boa parte da fachada da Embaixada do Brasil na capital francesa. As faixas traziam, sobre um fundo preto, frases como “#ForaBolsonaro#”, “E daí? ”, ou ainda “Um outro Brasil é possível”.

A instalação é obra de Julio Villani, artista brasileiro radicado em Paris desde os anos 1980 e reconhecido pela crítica especializada na França. Em sua conta nas redes sociais, ele publicou fotos e um vídeo do momento em que colocava as faixas diante do prédio, situado em um dos bairros mais nobres da capital francesa. “Pano preto na janela da Embaixada”, postou Villani.

“A instalação nos pegou de surpresa. Uma belíssima surpresa”, declarou Márcia Camargos, uma das fundadoras do grupo militante Alerte France Brésil, crítico ferrenho do governo atual brasileiro. “Diante da exacerbação das medidas arbitrárias do governo Bolsonaro, pessoas que não eram engajadas e militantes começam a fazer atos espontaneamente. Isso mostra a que ponto chegou o desespero e a revolta das pessoas que nem estão ligadas aos grupos de resistência”, afirma, lembrando que Villani não é conhecido por se exprimir publicamente sobre posicionamentos políticos.

A RFI entrou em contato com o artista, mas não teve resposta até o fechamento da matéria. Já a representação diplomática brasileira em Paris enviou, por meio de seu assessor de imprensa, a seguinte reação oficial : “Sem comentários da Embaixada do Brasil na França”.  

 

Brasil no centro das atenções na França

Protestos diante das embaixadas são corriqueiros, mas o ato de Villani acontece em um momento em que a situação atual do Brasil, que está se tornando o novo foco da pandemia de Covid-19, colocou o país no centro das atenções no cenário internacional. Na segunda-feira (18), o jornal francês Le Monde fez um editorial criticando abertamente a gestão do presidente Jair Bolsonaro.

"O negacionismo alimentado pelo poder (...) e a aposta política inacreditável de Bolsonaro, que pensa que os efeitos devastadores da crise na saúde serão atribuídos a seus opositores, mostra que esse obscuro ex-deputado de extrema direita não tinha nada de um homem de Estado", afirmou o jornal.

O texto do vespertino suscitou uma reação do embaixador brasileiro em Paris, Luis Fernando Serra. Em uma carta enviada à direção do jornal, o diplomata diz ter lido “com indignação, mas sem surpresa”, o editorial que, segundo ele, é “profundamente ofensivo”. Serra explica em sua missiva que “o presidente Bolsonaro nunca negou a existência da Covid-19. O que ele fez, desde o início da crise sanitária, foi tentar evitar que a histeria e o pânico tomassem conta da população”.

O embaixador também contestou as acusações de que o presidente estaria tentando levar o Brasil para um regime autoritário, como sugere o jornal. “Gostaria que vocês me mostrassem um único juiz ou político preso, um único jornalista perseguido, um único jornal censurado”, desafiou o diplomata.

Na tarde desta quinta-feira, um coletivo de militantes que se opõem ao presidente brasileiro também enviou uma carta ao jornal Le Monde, mas desta vez para apoiar o jornal e contestar a resposta do embaixador.

 

 

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