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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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14
Ago18

Álvaro Dias, candidato de Moro ministro da Justiça tem 83,4 milhões, e Alckmin 824,4 milhões de reais

Talis Andrade

DINHEIRO PÚBLICO NAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS 

 

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 Álvaro Dias anunciou que eleito nomeará Sérgio Moro ministro da Justiça

 

Tem candidato sem nenhuma chance de ser eleito. O senador Álvaro Dias é um deles, que a lava jato da corriola de Curitiba não rende mais votos. Eleitoralmente desmoralizada. Porque tem lado, tanto que jamais prendeu um tucano. Álvaro Dias um candidato para aventurar, ou porque conta com dinheiro fácil para gastar. Mais de 83 milhões de reais. Dinheiro da viúva. Dinheiro dos cofres da União, liberado pelo TSE - Tribunal Superior Eleitoral. Dinheiro que sai do bolso do povo em geral, que paga impostos indiretos.

 
O jornal “Gazeta do Povo” elencou, dentre os principais presidenciáveis, quem tem mais poder de fogo nas quatro principais armas eleitorais: popularidade, dinheiro para fazer campanha, tempo de propaganda eleitoral no rádio e na TV e seguidores nas redes sociais. A disputa acirrada mostra Lula (PT) como o candidato mais forte.


Vale ressaltar que o Gazeta do Povo incluiu Fernando Haddad (PT) como um dos principais presidenciáveis porque, embora seja vice de Lula, existe uma grande possibilidade de que o ex-prefeito de São Paulo venha a substituir o ex-presidente na cabeça de chapa por causa da questão judicial de Lula. Acontece que o jornal, porta-voz do juiz Sérgio Moro, não avisou aos entrevistados que Haddad era o candidato de Lula a presidente.

 

Primeiro quesito: popularidade
A popularidade é o principal capital de um candidato por ser a forma mais direta de trazer votos. Assim como o boca a boca com amigos e parentes que faz com que as pessoas espalhem as ideias do candidato preferido. A forma tradicional de se medir popularidade durante uma campanha são as pesquisas eleitorais. O levantamento mais recente desta corrida presidencial, da XP/Ipespe, divulgado no última sexta-feira (3), mostra que o ex-presidente Lula (PT) é o mais popular, seguido por Jair Bolsonaro (PSL). 1. Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 31% 2. Jair Bolsonaro (PSL): 19%-22% 3. Marina Silva (Rede): 8%-11%; e Geraldo Alckmin (PSDB): 9%-10% 5. Ciro Gomes (PDT): 7%-10% 6. Alvaro Dias (Podemos): 4%-5% 7. Fernando Haddad (PT) e Henrique Meirelles (MDB): 2%. A Gazeta do Povo optou por assinalar um empate entre Marina e Alckmin porque o resultado médio dos candidatos nos dois cenários foi igual. Metodologia: a pesquisa, realizada pelo Instituto Ipespe, foi encomendada pela corretora de investimentos XP. O levantamento foi feito por telefone, entre os dias 30 de julho e 1.º de agosto, e ouviu 1 mil pessoas em todas as regiões do país. A margem de erro é de 3,2 pontos percentuais para mais ou para menos. O intervalo de confiança é de 95,45%, o que significa que, se o questionário fosse aplicado mais de uma vez no mesmo período e sob mesmas condições, esta seria a chance de o resultado se repetir dentro da margem de erro estabelecida. O levantamento está registrado no TSE pelo código BR-06820/2018. A pesquisa foi encomendada pela XP e realizada pelo Ipespe.

 

Segundo: dinheiro para campanha
O dinheiro custea a propaganda eleitoral, paga cabos eleitorais, banca viagens do candidato, encomenda pesquisas que indicam qual a melhor estratégia a seguir. Candidatos mais ricos, portanto, têm mais condições de conquistar um número maior de votos. Ainda é prematuro estimar exatamente quanto cada presidenciável terá no bolso para gastar. Mas uma coisa é certa: a campanha terá de ser custeada basicamente com dinheiro público depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu doações de empresas para campanhas. E, nesse caso, é possível saber quais são os candidatos que estão nas coligações mais poderosas de acordo com a divisão do Fundo Eleitoral público – que será a principal fonte de financiamento eleitoral em 2018. Nesse caso, há um seleto clube das centenas de milhões de reais: são os partidos que integram as chapas de Alckmin, Lula (ou Haddad) e Meirelles. O que chama atenção nessa lista é o abismo financeiro que separa essas candidaturas das dos demais concorrentes. 1. Coligação de Alckmin: R$ 824,4 milhões 2. Coligação de Lula e Haddad: R$ 273,4 milhões 4. Coligação de Meirelles: R$ 252,2 milhões 5. Coligação de Alvaro Dias: R$ 83,4 milhões 6. Coligação de Ciro: R$ 73,8 milhões 7. Coligação de Marina: R$ 35,2 milhões 8. Coligação de Bolsonaro: R$ 12,3 milhões Obs.: A verba do Fundo Eleitoral é destinada a cada partido de acordo com sua representatividade no Congresso. Os montantes descritos acima se destinam a todos os candidatos a todos os cargos dos partidos que compõem a coligação. Desse modo, nenhum dos presidenciáveis, sozinho, terá a sua disposição os valores elencados nesta reportagem. De qualquer modo, os números indicam o poder econômico dessas coligações.

 

Terceiro: tempo de rádio e TV
O rádio e a tv são as mídias mais importantes da campanha, afinal, assim como mostram diferentes estudos, algo entre 33% e 42% dos brasileiros ainda não têm acesso à web. Nesse sentido, ter mais tempo de propaganda eleitoral é uma arma eleitoral poderosa, seja no programa eleitoral em bloco (exibido duas vezes ao dia) ou nos comerciais de 30 segundos inseridos no meio da programação das emissoras. Alckmin, nesse quesito, está muito à frente dos demais. 1. Alckmin: 62,03 inserções diárias; 5 minutos e 32 segundos em cada bloco do programa eleitoral 2. Lula e Haddad: 26,57 inserções diárias; 2 minutos e 22 segundos no bloco 4. Meirelles: 21,59 inserções diárias; 1 minuto e 55 segundos no bloco 5. Alvaro e Ciro: 7,52 inserções diárias; 40 segundos no bloco 7. Marina: 4,01 inserções diárias; 21 segundos no bloco 8. Bolsonaro 1,66 inserção diária; 9 segundos no bloco Obs.: o cálculo do tempo de rádio e TV foi feito pela Gazeta do Povo com base nos critérios usados pela Justiça Eleitoral, que ainda não oficializou a divisão da propaganda eleitoral. Os números das inserções são a média que o candidato terá por dia de campanha; por isso estão quebrados.

 

Quarto e último: seguidores nas redes sociais
Nesse ponto, Bolsonaro é, disparado, o campeão no número de seguidores nas duas principais redes sociais usadas pelos políticos: o Facebook e o Twitter. 1. Bolsonaro: 5,5 milhões de seguidores no Facebook e 1,23 milhão no Twitter 2. Marina: 2,2 milhões seguidores no Facebook e 1,87 milhão no Twitter 3. Lula: 3,5 milhões de seguidores no Facebook e 377 mil no Twitter 4. Alckmin: 910 mil seguidores no Facebook e 967 mil no Twitter 5. Alvaro: 1,1 milhão de seguidores no Facebook e 351 mil no Twitter 6. Haddad: 344 mil seguidores no Facebook e 599 mil no Twitter 7. Ciro: 315 mil seguidores no Facebook e 186 mil no Twitter 8. Meirelles: 193,8 mil seguidores no Facebook e 51,7 mil no Twitter Obs.: a posição dos candidatos no ranking foi elaborada de acordo com a soma dos seguidores nas duas redes sociais. Acontece que falta alertar: 33% dos perfis que seguem o pré-candidato Jair Bolsonaro (PSL) são perfis falsos controlados por computadores. É o que aponta um recente levantamento realizado pelo instituto InternetLab que analisou os seguidores dos presidenciáveis no Twitter para descobrir quantos deles são, na verdade, robôs.

 

Resultado:
É difícil estabelecer exatamente qual é o peso de cada arma numa campanha eleitoral. Mas é possível especular usando, por exemplo, a média da posição de cada candidato nos quatro critérios estabelecidos. Nesse caso, o concorrente cuja média estiver mais próximo de 1 é o mais poderoso. E, por meio desse critério, Lula é o concorrente mais forte, seguido de Alckmin e Haddad. 1. Lula: média de 2,00 2. Alckmin: média de 2,25 3. Haddad: média de 4,25 4. Bolsonaro e Marina: média de 4,75 6. Alvaro Dias: média de 5,25 7. Ciro e Meirelles: média de 5,75. [A partir de um texto assinado por Danilo M Yoshioka/Futura Press. Transcrito do Yahoo Notícias]

 

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