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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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14
Set18

Ajudante de pedreiro, o último emprego do agressor de Bolsonaro

Talis Andrade

Escreve Marcelo Auler: A confissão do acusado – de ter agido atacado Bolsonaro pelos seus discursos raivosos contra negros, como ele – tem sido corroborada nas investigações. Segundo os advogados, a polícia teria confirmado que Bispo de Oliveira chegou à cidade por volta de 20 de agosto em busca de emprego.

 

Ao se hospedar em uma casa transformada em pensão no centro de Juiz de Fora, pagou em torno de R$ 400,00 que lhe garantiria um dos mais de dez quartos existentes e usados por rapazes e homens, até dia 20 de setembro. Nesses quinze dias anteriores à sua prisão, ele teria alguns bicos como garçom e pedreiro. Também distribuiu currículo e, pelo seu relato, fez ao menos uma entrevista na busca por uma colocação no mercado.

 

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Na pensão a confirmação que Adélio chegou à cidade por volta de 20 de agosto. Foto Marcelo Auler

 

Na reportagem, Marcelo Auler narra como R$ 3.500 viraram R$ 350 mil:

 

Na busca e apreensão realizada no quarto que Adélio ocupava, além de dois celulares (ao que parece, em desuso) e um laptop, a polícia encontrou um extrato bancário. Nele, segundo informações passadas ao advogado Possa pelos próprios policiais, o saldo seria de aproximadamente R$ 3.500,00 (três mil e quinhentos reais). O preso explicou aos defensores que tinha dinheiro resultante de indenizações trabalhistas.

 

Provavelmente foi com base nesse extrato que surgiu nas redes sociais o fake de que na conta do agressor existia um depósito de R$ 350 mil, o que comprovaria o pagamento pelo atentado. Além da diferença no valor, há desencontro de datas.

 

Entre 26 de janeiro e 11 de outubro de 2016, ele trabalhou como pedreiro no Balneário de Camboriú (SC) para a F J A – Construtora, de propriedade de Waldir de Almeida, em uma incorporação da GAMM Empreendimentos Ltda.. Provavelmente ajudou a erguer o Roma Residence, único lançamento da GAMM no balneário nos últimos anos – outros dois estão em construção. Pelo serviço, recebia o equivalente a R$ 1.200,00 mensais, sem carteira assinada. Ao ser demitido, não teve direito às indenizações trabalhistas determinadas pela lei. Por isso, em janeiro de 2017, já de volta a Montes Claros (MG), sua cidade natal, ingressou com uma Reclamação Trabalhista (0010203-72.2017.5.03.0145) distribuída à 3ª Vara do Trabalho de Montes Claros.

 

sentença-reclamação-trabalhista.jpg

 

A sentença do juiz Sérgio Silveira Mourão (leia aqui), em 4 de setembro de 2017, embora não tenha lhe concedido a indenização por dano moral solicitada, reconheceu seus direitos e determinou o pagamento de horas extras excedentes à 8ª hora diária e 44ª semanal, com reflexo delas nas férias, 13º salário e indenização pela demissão; auxílio alimentação; saldo dos 11 dias trabalhados em outubro; aviso prévio indenizado; 13º salário e férias (com o terço constitucional) proporcionais aos nove meses trabalhados e multas.

 

A construtora não compareceu no processo e foi condenada à revelia. Já a incorporadora GAMM apresentou-se na audiência em setembro e fechou um acordo, indenizando-o em R$ 6 mil, depositados na conta dos advogados que o defenderam. Deste valor, deduzindo-se os honorários advocatícios, sobraram para Adélio R$ 4.200. Adélio ainda tem um saldo a seu favor de R$ 12.852,31, que a Justiça do Trabalho tenta bloquear nas contas bancárias da F J A – Construtora e de seu proprietário, Waldir de Almeida.

 

No entendimento de seus defensores, tudo isso simplesmente corrobora a confissão de Adélio de que agiu por iniciativa própria, motivado pelo discurso de ódio de Bolsonaro contra negros, índios e quilombolas. Adélio se considera negro. [Transcrevi trechos da reportagem de Marcelo Auler, famoso nome do jornalismo investigativo. Leia Juiz de Fora: Vãs tentativas de envolver o PT ]

 

 

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