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O CORRESPONDENTE

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O CORRESPONDENTE

26
Fev22

“A vida do povo evangélico piorou com Bolsonaro”

Talis Andrade

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Os evangélicos já representam mais de 30% da população brasileira, de acordo com um levantamento feito pelo Datafolha em 2020. A não realização do Censo pelo IBGE dificulta que se saiba o número mais próximo do real, mas é certo que o número de fiéis vem crescendo. O que não se pode esquecer é a diferença enorme que existe entre cada uma das igrejas evangélicas, alerta o pastor e historiador Oliver Costa Goiano.

Atual coordenador de Religião na Secretaria de Participação Popular, Direitos Humanos e Mulher, da Prefeitura Municipal de Maricá, o pastor integra o Núcleo Evangélico do Partido dos Trabalhadores. Ele afirma que os evangélicos se afastaram do PT em função da estratégia utilizada por um movimento conservador de tomada do Estado para a defesa da manutenção de privilégios dos mais ricos. Mas, agora, ocorre uma reaproximação.

Na visão do pastor da Igreja Batista da Lagoa, o motivo é pragmático. A piora das condições de vida em função da crise econômica e da péssima condução que o governo faz nessa área é o que leva evangélicos das mais diferentes igrejas a lembrarem de como a vida era melhor durante os governos do PT. Por isso, ele alerta sobre a necessidade de se tomar muito cuidado com o discurso a ser utilizado e defende a necessidade de o partido dialogar com as religiões, deixando claro que é um grupo político diverso e que respeita as diferenças.

O pastor Oliver acredita que, se não fosse pela crise, talvez o bolsonarismo estivesse mais forte. Nesta entrevista à revista Focus Brasil, ele defende que os valores da esquerda são mais próximos ao que diz a Bíblia e que o bolsonarismo é o contrário. Segundo ele, os evangélicos pagam um preço alto pelo apoio que deram a Bolsonaro em 2018. Ele ainda explica porque o movimento anti-vacina encontra algum apoio dentro de grupos evangélicos. 

 

Alberto Cantalice e Pedro Camarão entrevistam pastor Oliver Costa Goiana

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Focus Brasil — A comunidade evangélica apoiou Jair Bolsonaro em peso na eleição de 2018 e, durante o seu governo, vem ocorrendo um afastamento muito forte. O que provocou esse distanciamento?

Pastor Oliver — A gente percebe nas pesquisas que o Bolsonaro tem um núcleo duro mais radicalizado, em torno de 20%, 22% e esse número não diminui. Mas posso dizer que o apoio ao bolsonarismo é algo muito caro aos evangélicos. Os evangélicos estão pagando um preço muito alto. Quando alguém vota numa pessoa que não se transformou… Ele já disse que desejava que Dilma morresse de câncer ou enfarte. No impeachment, fez uma fala exaltando o torturador que a colocou em dores indizíveis. Todas as falas dele sempre foram terríveis.

Talvez, a melhor pergunta seja por quê os evangélicos entraram nessa? Afinal, ele já estava dizendo tudo isso. Nem todas as pessoas são politizadas e posso afirmar também que a maioria dos evangélicos ganha entre um e dois salários mínimos [R$ R$ 1.212 e R$ 2.424]. E, por incrível que pareça, é também o percentual da população em que o presidente Lula é mais bem avaliado.

 

— Houve também um cenário apocalíptico propagado pela mídia e a imprensa conservadora.

— Eu diria que houve um conluio de forças internacionais, um discurso hipócrita anticorrupção que nós estamos vendo que está caindo por terra e, acima de tudo, a dinâmica da vida. Há algumas pesquisas que dizem que o evangélico vota em primeiro lugar por questões econômicas, mais do que por questões identitárias ou morais. Quando na dinâmica da vida o evangélico vê que a gasolina está quase R$ 8, que o gás aumentou, ele lembra como era a vida no governo do presidente Lula. Era melhor. Os evangélicos estão se afastando porque eles pensam pragmaticamente. Perceberam que a vida deles piorou.

 

— A questão ideológica não pesa?

— É interessante porque o discurso bolsonarista vai dizer que “não, se o PT estiver no poder igrejas vão ser fechadas”… Como se o PT fosse um partido que nunca tivesse governado o país. Ora, isso ocorreu durante 13 anos. As pessoas caíram agora na realidade. É claro que os progressistas têm que estar atentos ao seguinte: o PT ainda precisar conquistar mentes e corações. O PT sempre tem 30% do eleitorado, o Lula já está com 40%, 45%. Ele acaba sendo mais bem quisto do que o próprio PT. Nós precisamos rever isso para que a gente dialogue com o público evangélico. A direita tem feito um dever de casa terrível, mas muito bem executado, de demonizar a esquerda. E, por isso, eu respondo que o afastamento dos evangélicos diante do bolsonarismo é um reconhecimento da realidade. Eles nem deveriam ter entrado nessa onda.

 

— Nem todo evangélico é bolsonarista.            

— Eu sempre digo isso. Os evangélicos que votam, que são pessoas honestas, votam por uma questão moral, acima de tudo. A esquerda precisa dialogar com isso. Graças a Deus esse afastamento está acontecendo, mas pare e pense: se a economia estivesse crescendo, se o desemprego estivesse menor, será que o bolsonarismo estaria fraco?

 

— Quais as maiores dificuldades que o PT e os progressistas têm no diálogo com os evangélicos?

— Quando a gente vai olhar a realidade, percebemos que esses mesmos evangélicos que votaram em Bolsonaro também votaram em Lula e em Dilma. Eles estiveram conosco. Existe uma lenda de que os evangélicos não votam na esquerda. Não é verdade. Não podemos ver a religião apenas como um fenômeno psicossocial. Ela alcança o coração das pessoas.

Quando a gente olha a televisão, pensa que o evangélico é aquele homem branco, heterossexual e borbulhando ódio no discurso. Mas não é verdade. A face evangélica do Brasil é preta e de uma mulher negra. A governadora Benedita [da Silva] sempre diz isso: há um erro e preconceito dos dois lados. Há setores da esquerda com preconceito contra os evangélicos e vice-versa. O mundo evangélico tem, pelo menos, algumas subdivisões. Existem os protestantes históricos, os pentecostais clássicos e os neopentecostais. A maioria é de pentecostais clássicos, por exemplo, da Assembleia de Deus. E, por incrível que pareça, eles veem no Lula alguém muito semelhante à história deles próprios, alguém que não fez ensino superior e é um self-made man, um autodidata.

— É a vida da pessoa comum…

— Quando você entra numa Assembleia de Deus, aquele homem e aquela mulher que foram massacrados durante o dia sendo diarista, empregada, porteiro do prédio, chega de noite, veste um terno, entra na igreja e tem lugar de fala. Essa mulher lidera o ciclo de oração, enquanto que durante a semana ela é massacrada. E, nesse sentido, o marxismo é correto. A luta de classes existe. E a igreja é o lugar do pertencimento, da valorização. Se uma mulher rica for à igreja, vai receber uma oração da mulher pobre que, naquele momento, se torna uma autoridade.

 

— Tem a questão emocional…

— A esquerda precisa entender… eu acho que Espinoza dizia isso: aquilo no que a gente acredita, não é apenas racional, é subjetivo também. E o pentecostalismo é emocional. O discurso da esquerda, às vezes é muito frio. A emoção precisa vir à tona. E é o que a gente vê nas igrejas pentecostais. As experiências catárticas, a manifestação do Espírito Santo, são curadoras para as pessoas.  E vamos lembrar que essa mulher preta, quando sai da casa dela, tem alguém com um fuzil do lado de fora. A vida não é fácil. E a igreja é um ambiente da paz. Então, a esquerda não pode brigar contra isso. Esses evangélicos sempre estiveram ao nosso lado, mas de 2016 para cá, devido à pauta moral, foram afastados de nós. E agora, percebendo a inflação, a crise econômica, estão voltando. Mas é o que eu disse antes. Se a situação econômica melhorar, podemos perdê-los de novo. Então, precisamos conquistar mentes e corações.

 

— Ainda sobre as inclinações políticas dos evangélicos, existe uma narrativa de que a direita faz a defesa da “família”, enquanto a esquerda é baderneira, divisionista e destruidora da família. Quais são os valores do PT e dos progressistas importantes para os princípios evangélicos?

— O nome do principal programa dos governos do PT foi o Bolsa Família. Como é essa história que o PT não defende a família? O PT tem uma coisa muito linda, o partido é a cara do Brasil. Dentro do PT tem indígena, negro, mulher, LGBT… Tem tudo. Tem defesa do meio ambiente. Isso dá muito orgulho porque é o ambiente da diferença. Você pega os petistas e que estão em várias matizes ideológicas e várias correntes, eles pensam diferente entre si.

De certa forma, o PT já está fazendo isso, mas vamos ter que entrar num campo que não queríamos entrar: no discurso religioso. Quando digo isso, é reconhecendo o binômio: política e religião andam juntas. O que nós, evangélicos, e eu como batista repudio, é a Igreja e o Estado juntos. Isso é fascismo. É óbvio que o PT precisa dialogar de maneira religiosa sem escolher uma religião. Mas precisa utilizar algumas categorias religiosas para mostrar que a defesa de mais um governo petista é a defesa do Estado Laico. E Estado Laico não é arreligioso, ele respeita todas as religiões. Isso é muito importante porque é muito lindo.

 

— Não é a visão de Bolsonaro.

— E essa conversa de que a direita defende a família? Pega o Bolsonaro. Ele defende a família e está no quarto casamento? Eu sei que o PT não quer entrar na discussão moral porque é da vida privada das pessoas. Mas a direita vai dizer que tem princípios liberais, que não quer que o Estado se meta na economia, mas é a direita que defende que o Estado se meta na vida religiosa das pessoas. É um contrassenso total. Sempre digo que, quando você olha o Evangelho de Jesus Cristo, veja, não posso falar que ele é de “esquerda” porque o termo surgiu depois, mas na minha visão a esquerda está muito mais próxima do Evangelho do que a extrema-direita, sem dúvida alguma.

 

— É um bom argumento.

— Então, você tem que pegar a pessoa e levá-la para uma reflexão. Quando Jesus falou: “Ame ao próximo como a ti mesmo”, você acha que essa prática está mais perto da esquerda ou da direita? Pega o Sermão da Montanha, em que Jesus fala sobre perdão, e a gente vê o bolsonarismo defendendo o discurso do “bandido bom é bandido morto”. É totalmente contrário ao Sermão da Montanha.

 

— O negacionismo, o culto à morte que o presidente prega ao tentar gerar desconfiança contra as vacinas, é uma atitude cristã?

— De 20 anos para cá, digo isso porque estudei no seminário teológico e vi isso acontecer, começou no mundo e, principalmente, nos EUA, um movimento conservador de tomada do Estado. Então, existe por trás do trumpismo e do bolsonarismo esse projeto. É um movimento que visa a manutenção de privilégios, a proteção dos mais ricos. Usa o discurso religioso para que os direitos não sejam dados à grande maioria. Lula sempre fala que existe nas pessoas uma raiva porque o pobre estava no aeroporto, o pobre e o negro entraram na universidade. Temos que lembrar é que esse negacionismo é fruto de um fanatismo que existe. Hitler conseguiu isso na Alemanha. Acho que no futuro alguém vai descobrir que às vezes esses discursos loucos não são aleatórios, têm um propósito.

 

— Dentro dessa linha neopentecostal mais próxima do bolsonarismo, existem algumas igrejas que precisariam ser questionadas porque usam o poder de forma absurda?

— É verdade. O MST fez um documento muito lindo em que é feita essa análise do povo evangélico no Brasil. É preciso lembrar um pouco da história evangélica no Brasil. Na história mundial, os evangélicos surgem quando Martinho Lutero, há 500 anos, faz a reforma protestante e reconhece que a salvação não é pelas obras — sabemos que naquele momento a Capela Sistina estava sendo construída e havia a venda da salvação e Lutero, que era um monge agostiniano, se colocou contra isso. Ele não queria uma ruptura com a Igreja Católica, mas a partir das 95 teses surgiu um movimento que antes de Lutero já havia até reformadores que defendiam os mesmos valores: que a Bíblia não deveria ficar nos mosteiros.

Os evangélicos começaram a chegar no Brasil há 150, 200 anos. Quando acontece a abertura dos portos pela Família Real, evangélicos anglicanos, ingleses, recebem de D. João a liberação para ter a sua religião contanto que as suas casas de culto não tivessem formato de igreja. Depois, o Império abre-se para a migração de luteranos. E depois começam os evangélicos de missão que vem para evangelizar e não para morar. Vêm os metodistas, os congregacionais, os batistas, e vemos que no início do século 20 surge dentro de uma Igreja Batista no Brasil esse pentecostalismo, surge a Assembleia de Deus. Por isso que eu falo que Assembleia de Deus e Congregação Cristã do Brasil são pentecostais clássicas.

Na década de 1970 surge, principalmente, aqui no Rio de Janeiro a Igreja Universal do Reino de Deus, a Igreja Internacional da Graça que são os neopentecostais. A diferença é que essas igrejas têm na sua pregação a Teologia da Prosperidade, a ideia de que você deve ser crente e ganhar dinheiro, ter que ser um vencedor. Seria uma ideia mais neoliberal do Evangelho. Na minha visão, isso não tem nada a ver com o discurso de Jesus porque Jesus sempre propunha soluções coletivas. Aceite Jesus e ganhe dinheiro? Não foi isso o que Cristo ensinou. Embora, eu sei que tem muita gente na Igreja Universal que também critica isso. Então, é o neopentecostalismo que tem mais resistência a nós porque ele é dependente do governo, deseja verbas e algumas dessas igrejas têm canais de televisão. Então, precisam do governo. E, infelizmente, por serem midiáticos, acabam apoiando todas essas atrocidades que o bolsonarismo comete e fala.

 

— O Núcleo de Evangélicos do PT está se organizando para lançar candidaturas ao Congresso?

— A governadora Benedita da Silva está fazendo um trabalho maravilhoso no núcleo evangélico do PT e tem incentivado que surjam candidaturas. A gente tem percebido na conjuntura que, por incrível que pareça, precisamos fortalecer mais deputados e senadores até do que governadores. Porque é onde se vota e se passa um impeachment, onde se aprovam pautas ou se dificulta a aprovação de pautas. Quando a gente tem candidatos evangélicos progressistas, a gente traz o discurso para um combate que é necessário. Se você traz a discussão para a Bíblia, a esquerda vence. Com relação à perspectiva para o futuro, o PT precisa entender que os evangélicos do partido e os evangélicos progressistas são muito diferentes entre si. Por exemplo, quando foi aprovada a descriminalização do aborto na Argentina, alguém da comunicação do PT comemorou. Existem muitas pessoas no PT que são favoráveis à descriminalização do aborto, a maioria dos evangélicos é contra e muitos são petistas. É entender o seguinte, deixar em aberto assuntos que são polêmicos no mundo inteiro, não só no Brasil. Existe na cabeça das pessoas uma ideia errada de que todo petista é favorável a determinadas ideias morais e isso não é verdade. Se dentro do nosso partido não há acordo em tantos temas, também entre os evangélicos não há acordo em tantos temas. Por exemplo, o Bispo [Edir] Macedo já falou que é favorável à descriminalização do aborto e ninguém fala disso. Ele é um evangélico. Entre os evangélicos existem diferenças, no PT existem diferenças. Então, a gente não pode fechar questão.

 

— E como fica a disputa política então?

— A perspectiva para o futuro, na minha visão, é o Partido dos Trabalhadores mostrar que temos aqui evangélicos que são petistas e conservadores nos costumes, que entendem que uma coisa não atrapalha a outra e temos também evangélicos que são petistas e mais liberais nos costumes. Nós temos que dar fim a essa ideia que as fake news bolsonaristas criam. Colocam a mulher de esquerda como alguém andando na rua com o seio de fora, colocando crucifixos em orifícios do corpo… é essa a ideia que eles querem passar. Temos que dizer que o PT é diverso. Aliás, toda manifestação de ódio e de desrespeito às religiões, nós discordamos. A perspectiva que eu vejo para o futuro é fazer o movimento que o presidente Lula tem feito, temos percebido ele caminhando para o centro. Não adianta a gente ganhar uma eleição e não governar. O evangélico em sua maioria é conservador nos costumes, nós não vamos mudar isso. As pessoas são diferentes, o Brasil é gigantesco. O pensamento de alguém que está no litoral ou nos grandes centros urbanos é diferente do de alguém que está nos rincões lá no meio de Goiás ou da Amazônia.

Temos que mostrar que por isso o PT é a melhor proposta, porque tem todos esses grupos representados em suas siglas. O PT tem conservadores em princípios e liberais em princípios. Tem indígenas, mulheres, negros, LGBT. Precisamos não fechar questão com relação a alguns temas. O discurso bolsonarista vai pegar isso e dizer: “ó lá, todo petista pensa assim”. E não é verdade. Nem todo petista pensa de maneira uniforme, nem todo evangélico pensa de maneira uniforme. Há uma diferença muito grande entre o evangélico da Deus é Amor e o evangélico luterano. Muita diferença. Há muita diferença entre o evangélico da Igreja Sinais e Prodígios e o evangélico presbiteriano. Muita diferença. Embora todos eles creem na salvação pela graça. Precisamos focar na pauta econômica que é a pauta em que o povo mais vota. E o PT sempre defendeu renda, emprego, trabalho e terra. Esse é o caminho. E vamos pregar o respeito à diferença.

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