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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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O CORRESPONDENTE

09
Ago19

A triste dança da destruição

Talis Andrade

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por Florestan Fernandes Júnior

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No Dia Internacional dos Povos Indígenas separei três frases que resumem as ideias de Bolsonaro sobre os direitos destas comunidades de preservar suas terras e sua cultura:

“Pena que a cavalaria brasileira não tenha sido tão eficiente quanto a americana, que exterminou os índios”.

"Se depender de mim, todo cidadão vai ter uma arma de fogo dentro de casa. Não vai ter um centímetro demarcado para reserva indígena ou para quilombola”.

“Em 2019 vamos desmarcar [a reserva indígena] Raposa Serra do Sol. Vamos dar fuzil e armas a todos os fazendeiros”.

São falas assustadoras não só pelo grau de violência, mas também pelo desconhecimento sobre a cultura e as tradições destes povos, legítimos ocupantes da terra brasilis. Só no início da colonização as comunidades indígenas estiveram tão ameaçadas como agora. Se hoje ainda temos preservadas diversas nações indígenas, isso se deve à luta e a atuação de importantes entidades e pessoas como a do marechal Cândido Rondon, que dedicou parte da vida à defesa das populações indígenas, do coronel e ex-ministro Jarbas Passarinho, por demarcar a reserva Ianomâmi, do antropólogo Darcy Ribeiro, dos indigenistas irmãos Villas Boas e do CIMI (Conselho Indigenista Missionário). 

O Brasil é um dos poucos países no planeta a manter viva parte de sua sociedade tribal milenar. Povos que desde 1500, com a chegada dos brancos, têm sofrido todo tipo de violência e desrespeito. 

Certa vez, numa reserva indígena em Dourados, Mato Grosso do Sul, um velho pajé se consumia na bebida. O pajé é uma espécie de líder espiritual da tribo. Os índios acreditam que ele tem poderes para melhorar a caça e a pesca. Além disso, cabe ao pajé passar adiante a cultura, história e tradições da tribo. Sendo ele tão sábio, perguntei o motivo de tanta tristeza. Cabisbaixo ele respondeu: "não sirvo mais pra nada. Hoje quando faço a dança da chuva, meu povo dá risada, diz que sou maluco, que minha dança não vai fazer chover". 

Este relato deixa claro que o branco não tirou apenas a terra dos índios, mas arrancou o que eles tinham de mais precioso, sua cultura e suas tradições. Fica aqui um alerta no Dia Internacional dos Povos Indígenas: cabe a nós salvarmos as poucas tribos que ainda restam no Brasil da ganância dos senhores da terra, que com suas motosserras e o apoio de gente como Bolsonaro, fazem a triste dança da destruição.

 

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