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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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09
Jan21

A senha do golpe bolsonarista foi dada. O impeachment é o antídoto

Talis Andrade

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Por Gilvandro Filho /Jornalistas pela Democracia

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Quem duvidava do espírito beligerante e golpista que infesta a cabeça do tenente reformado que no momento ocupa a presidência da República, agora não tem mais motivo para fazê-lo. O próprio presidente deixou claras, e de uma vez por todas, as suas intenções quanto à democracia brasileira e em relação à sua própria ojeriza a regimes democráticos. Ao defender o absurdo anacronismo que é a volta do voto de papel no lugar da urna eletrônica, que (queiram ou não) põe o Brasil na vanguarda dos processos eleitorais, a figura que governa (?) o País sentenciou: “Em 2022, se não tiver voto impresso, a coisa será pior do que lá (nos Estados Unidos)”. Cantou a pedra do golpe, nas barbas do Congresso Nacional e do Judiciário, sem falar nas Forças Armadas. E agora?

Autoritário e tirano por vocação, acostumado a tratar a patadas e ameaças os inimigos políticos (ele não tem adversários, muito menos concorrente), o presidente da República expressa, com essa frase grave e significativa, sua própria índole. Mais que isto, reafirma as suas intenções diante na Nação. Aproveita a tentativa de golpe aplicada nos Estados Unidos pelo ídolo dele, o celerado Donald Trump, para, como sempre fez, imitar o presidente americano. Claro. O chefe americano dita o comportamento do subalterno brasileiro e dos filhos dele, sobretudo o 03 que exibe na cabeça o boné do presidente dos EUA como quem ostenta uma medalha e que já quis ser chanceler para atrelar de vez a política externa brasileira ao governo americano. São submissos e copiam de Trump cada patacoada.

O episódio da invasão do Congresso dos EUA surpreendeu o mundo por ser na terra que se gaba de ter a democracia mais forte do planeta – ficou demonstrado que, na hora do ‘vamos ver’, a coisa não é bem assim. Imaginem, agora, a turba bolsonalha fazendo o mesmo no Congresso Nacional brasileiro, sob os olhos impotentes de boa parte dos parlamentares, cuja coragem e espírito democrático são seletivos e funcionam somente contra determinados governos.

Imaginem o golpe bolsonarista sob os olhos atarantados dos presidentes do Senado, bolsonarista, e da Câmara, que diz que não é, mas não bota pra andar os mais 60 pedidos de impeachment contra um presidente que já provou ser inadequado para o cargo que ocupa, que comete toda a sorte de crime de irresponsabilidade. Só os crimes relativos à pandemia da Covid-19 e o atabalhoado comportamento do governo diante do mal que já matou mais de 200 mil brasileiros seriam suficientes para levá-lo ao banco dos réus.

Que não caiam na bobagem que entender a ameaça do tenente reformado como mais uma bravata. Não é outra a intenção dele ao tentar, de todo modo, por em prática o seu plano de armar a população (na verdade, os seus adeptos), eliminando toda sorte de restrição à venda e ao uso de armas de fogo, incluindo a intenção de zerar alíquotas de impostos para compra de revólveres e pistolas ou de impedir o rastreamento de armas munições. Ou já se esqueceram de quando o presidente insinuou que o povo armado impediria a ação dos comunistas de tomar o poder? Não se trata, apenas, de ceder ao poderoso lobby da indústria de armas e munições, que conta com o esforço de guerra dos próprios filhos do presidente. A questão é mais pesada. A frase golpista expelida pelo chefe do governo dá o tom que a banda toca.

A senha do golpe bolsonarista está dada. Pode ocorrer em 2022, seguindo o modelo de Trump, mas pode ser tentado antes disso. Que não se olvide que os apoiadores da insanidade presidencial já tentaram invadir o Supremo Tribunal Federal, jogando fogos de artifício sobre o prédio do órgão, exigindo prisão para os ministros e estupros contra mulheres e filhas dos membros da Corte. O próximo ato pode ser menos folclórico e mais violento. Como nos EUA, muitos nazistas brasileiros já tiraram do armário suas camisetas de Auschwitz.

A saída é cortar o mal pela raiz. O impeachment é a arma da qual a democracia brasileira dispõe.

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