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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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O CORRESPONDENTE

29
Mai18

A seleção que despreza sua gente

Talis Andrade

Distantes da torcida, jogadores partem para a Copa desconectados da realidade brasileira

em meio à greve dos caminhoneiros

 

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por Breiller Pires

 

Neste atípico domingo, a seleção brasileira encerrou a primeira etapa de preparação para a Copa do Mundo e embarcou rumo a Londres, onde prosseguirá com os treinamentos antes de chegar à Rússia. Enquanto o país vive um colapso de serviços em consequência da greve dos caminhoneiros, jogadores, comissão técnica e dirigentes circulavam de helicóptero entre Teresópolis e Rio de Janeiro. Seguiram para o Galeão sob forte escolta policial e tiveram cada passo no aeroporto transmitido como um estrondoso acontecimento em rede nacional. Despedida digna de uma seleção que despreza sua gente. O processo de elitização dos estádios e a frieza dos cartolas ampliaram o abismo que separa os craques dos meros mortais.

 

Na Granja Comary, a equipe de Tite fez apenas um treino aberto ao público. A confusão logo se estabeleceu, já que o centro de treinamentos em Teresópolis não possui estrutura para abrigar tantos torcedores. Muitos, incluindo crianças com camisas amarelas, foram barrados do lado de fora mesmo depois de passar horas na fila à espera de uma senha de acesso ao local. Sim, é preciso pegar senha para acompanhar um treino protocolar da seleção. Um treino. Quem conseguiu entrar, se acotovelava por uma selfie ou um autógrafo durante os minutos em que jogadores se dispuseram a atender os fãs. Amontoadas em uma grade que controlava a entrada para as arquibancadas improvisadas, algumas pessoas demonstraram a revolta contra o tratamento de gado dispensado pela CBF com gritos de “uh, uh é 7 a 1”, em alusão ao maior vexame da história do futebol brasileiro.

hospício a céu aberto.jpg

 

 

Resumo da ópera: teve tentativa de invasão, frustração e muita desorganização. Na Copa de 2014, a Granja Comary já havia reproduzido um retrato fiel da desigualdade social no Brasil. Boa parte dos treinos era aberta a torcedores, porém, somente àqueles que moram no condomínio fechado vizinho ao complexo e a seus convidados VIPs. Condôminos resolveram lucrar em cima do privilégio e passaram a cobrar por convites. Ter o nome na lista custava entre 50 e 100 reais. Os treinos “abertos” serviram só para reforçar benesses dos ricos e tornar a seleção ainda mais inacessível aos pobres.

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P.S. deste correspondente: Lei mais no El País: Alexandre Kalil: “Futebol não é coisa para pobre”. Kalil é prefeito de Minas Gerais, eleito nas frituras da Lava Jato que pariu os Doria, em São Paulo, os Crivella, no Rio de Janeiro. Os candidatos demoagogos, que se dizem apolíticos. Kalil, cartola, um dos proprietários da empresa familiar Erkal Engenharia. Registra a Wikipédia: 

 

Em 20 de setembro de 2016, a Justiça de Minas Gerais decretou a falência da Erkal Engenharia, que possui um débito de R$ 88.000,00. A decisão cabe recurso. Kalil também foi condenado na Justiça Federal sob acusação de apropriação indébita previdenciária por ter, segundo denúncia, deixado de repassar ao INSS contribuições recolhidas de funcionários na empresa.

 

 

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