Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

01
Ago21

A mais longa duração da juventude

Talis Andrade

Foto Francêsca Mota 

 

“Vocês são a resistência permanente. Talvez não saibam, mas vocês estão em páginas do meu romance ‘A mais longa duração da juventude"

 

por Urariano Mota

- - -

Ontem, hoje e sempre 

Eu não reprimi o impulso ao ver o casal acima protestando na calçada da Avenida Conde da Boa Vista, em 24 de julho no Recife. E me lembrei dos amigos, das amigas, dos companheiros, das companheiras que resistem todos os dias. Aquilo me fez pedir emocionado à minha esposa que batesse uma foto desse lindo casal.  

Enquanto Francêsca acionava o seu celular, eu falava pra eles: “Vocês são a resistência permanente. Talvez não saibam, mas vocês estão em páginas do meu romance ‘A mais longa duração da juventude’”.  Eles fizeram então um silêncio comovido que só falava em gestos. E como se fosse uma lembrança daqueles tempos de feroz repressão, eu nem quis perguntar os seus nomes.  

Depois, ao ver a foto em minha página no Face, o médico Paulo Dantas esclareceu quem era o casal:  

“Excelente a sua iniciativa de homenagear e documentar com foto o casal Paulo Figueredo e Natália. Companheiros da luta de resistência contra a Ditadura de 64, educadores, participantes ativos de movimentos sociais por desenvolvimento e justiça social e meus queridos amigos”.   

Eu não sabia os seus nomes, mas bem sabia que possuíamos uma identidade comum. Então, para Natália e Paulo Figueiredo, e para todos Paulos e Natálias, com um beijo fraterno dedico um trecho do romance “A mais longa duração da juventude”. Trata-se de uma página em que o narrador recebe uma surpresa, quando pensava que a vida toda era perdida:  

“E volto os olhos para os manifestantes, que são muitos e ruidosos. Pareço ouvir ‘abaixo a ditadura’ em outras vozes, em novas bandeiras. Olho de novo e não acredito: aqueles a quem eu procurava estão todos ali. E eu a pensar que estavam mortos, velhos, doentes, alquebrados. Que míope eu sou. Então abro melhor os olhos, os ouvidos, a percepção. Meu Deus, nós somos estes jovens. Então me ponho a sorrir, a gargalhar de quem gargalhava de mim. E vejo o mais íntimo do outro nome da felicidade”

juventude revolução urariano.jpg

 

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub